segunda-feira, 1 de junho de 2009

Mendicância na Idade Moderna

Universidade Federal de Pernambuco
Centro de Filosofia e Ciências Humanas
Departamento de História


Mendicância na Idade Moderna






Escrito por:

Daíla Rodrigues
Juliana Alves
Nathalia B. Lima





Recife
Junho/2009





Atividade apresentada à disciplina de Disciplina de História Moderna II, ministrada pelo Prof. Severino Vicente da Silva contendo um estudo sobre a mendicância na Idade Moderna, tecendo comentários desde a Idade Média chegando até Idade Moderna pondo à vista comportamentos tanto dos próprios mendigos como das autoridades dos Estados.








1. Mendigos na Idade Média

O processo que levou à formação de grupos ou pessoas isoladas que viviam em completa miséria, ao contrário do que possa parecer, não diz respeito somente às questões econômicas que envolveram os camponeses que, a partir do século XIV, principalmente na Inglaterra, começaram a ser expulsos de suas terras em decorrência do processo de arrendamento que estava sendo feito nas mesmas (esse fato vai ser melhor detalhado nos próximos tópicos deste trabalho), mas também a questões culturais que permearam a mentalidade da sociedade medieval.
Para a sociedade medieval a miséria não existia. As pessoas, mesmo vivendo nas condições mais adversas possíveis, sempre recebiam auxílio dentro das vilas e nos mosteiros e, por mais pobres que fossem, nunca passavam fome, já que sempre havia alguém para dar-lhes de comer. Segundo Laura de Mello e Souza, esses “miseráveis” eram chamados de “pobres de Cristo” e conviviam pacificamente com os outros indivíduos. Ainda segundo a autora, existiam pessoas que reclamavam da presença dessas pessoas, mas a mentalidade cristã do período medieval impediu que se desenvolvessem leis contra esses miseráveis, pelo menos até o século XIV.
Porém, a mendicância da Idade Média não se desenvolve sem subdivisões, sendo três destas tratadas mais detalhadamente nos tópicos que se seguem.

1.1 Os Eremitas
O ato de dar esmolas no período medieval estava muito associando com a questão da salvação, uma intermediação entre aquele que tem recursos e o próprio Deus. Entre estes dois estariam, portanto aqueles que resolveram viver dessas esmolas, considerando que a sua pobreza material enobreceria sua alma, trazendo-lhe riqueza espiritual e garantindo assim a sua vida eterna no paraíso.
Antes do século XI, esse grupo intermediário era chamando de Eremita, justamente pelo fato de não viver em uma região ou domicílio fixo. Esse grupo vivia em peregrinação e fazia das floretas a sua morada. Segundo Jean-Claude Schmitt, o período da conquista da terra santa, além de incentivar bastante a atividade dos eremitas, que viviam peregrinando em direção ao deserto, contribuiu ainda mais para o incremento das doações a estes.


2. O ressurgimento das cidades e as ordens mendicantes

A partir do século XII, a sociedade medieval presenciou o desenvolvimento de centros urbanos. Estes por si só já eram uma área marginalizada durante esse período, pois eram dentro de suas fronteiras onde se desenvolviam as atividades mais condenáveis durante a idade média, como a prostituição e a usura.
Assim, com o surgimento de um centro exclusivo para os grupos marginalizados da época, os mendigos também passaram a se estabelecer nessas localidades. Aqueles que antes viviam em peregrinação e desmembrados de qualquer tipo de organização formal, passam agora a fazer partes de “ordens mendicantes”, as quais têm como principio básico o voto de pobreza. Mesmo estabelecidos nas cidades, esses miseráveis ainda encontram muito apoio dentro da sociedade com seu pensamento cristão, de forma que eles ainda sobreviviam da caridade dos outros.
Essas ordens serviriam, portanto, de intermediários diretos entre os mendigos e os distribuidores de doações. Segundo Schmitt, os monastérios da época tinham organizações especializadas em cuidar dessas doações, autorizando inclusive que esses miseráveis fossem pedir esmolas em datas festivas, as quais os próprios monges determinaram quais seriam. Laura de Mello e Souza ainda complementa, dizendo que foi a partir do surgimento dessas ordens mendicantes que “as municipalidades e o poder público passam a se encarregar das esmolas” . Com isso, têm-se o início de um processo de alargamento da pobreza que, com as modificações ocorridas durante a Idade Moderna, vão culminar com Elizabeth I, a qual declara durante uma viagem em que percorreu toda a Inglaterra, vendo a pobreza que a ali se instalava, que o pauperismo é uma instituição nacional.

2.1 Os leprosos

O período medieval também presenciou grandes epidemias, as quais levaram parte de sua população ou a morte ou a pobreza extrema, já que esses doentes eram obrigados a abandonar seus postos de trabalho depois de infectados, para assim evitar que a doença se alastrasse ainda mais.

Entre os séculos XII e XIII, a Europa foi assolada por um grande surto de Lepra, tendo parte desses infectados se transformado em mendicantes. Sem poder conviver em sociedade, esses leprosos passam a ser enclausurados e abandonados e própria sorte em leprosários a beira das estradas, dependendo apenas da bondade de alguns. São Francisco de Assis, por exemplo, coloca-se na posição de defensor desses doentes, tendo dado inicio a uma das principais ordens surgidas nesse período.
Entretanto, no pensamento cristão da sociedade medieval, o auxilio a esses doentes era muito importante. Mesmo sabendo das possibilidades de contágio, muitos chegavam perto deles apenas para demonstrar sua fé perante as outras pessoas. O leproso era então considerado como “pobre de Cristo” e quem os ajudasse era visto por todos como um ser de extrema bondade. Cuidar de suas feridas ou dar-lhe um beijo (como fizera o rei Luis IX) era tarefa a ser realizada apenas por um verdadeiro santo de alma pura. Portanto, ajudar um desses doentes era encarado por muitos como uma “profissão de fé”, sendo assim uma tarefa a ser executada não por bondade em si, mas sim como um caminho para se chegar ao céu.
Porém, dentro da própria sociedade medieval já existiam indivíduos que pensavam de forma diferente. Segundo Schmitt, esses leprosos eram vistos com desconfiança, pois:
A lepra também é a prova corporal do pecado: a corrupção da carne manifesta a da alma. Por isso, o encerramento dos leprosos também é uma maneira de condená-los por seus supostos erros, ou pelos pecados que todos cometeram e que só eles vão expiar.

Assim, vemos aos poucos uma modificação no pensamento cristão do período medieval para um pensamento humanístico característico da idade moderna, que começava a modificar de forma substancial o pensamento dos homens da época, e atingindo direta ou indiretamente a atividade mendicante.

3. Mendigos na Idade Moderna

As transformações e os acontecimentos ocorridos entre o fim o período medieval
e o começo da idade média modificaram bastante a vida desses mendicantes. Sobre isso, Schmitt diz:
Nos século XIV e XV, a exclusão torna-se maciça. A “crise” do século XIV e, em primeiro lugar, a tragédia da Peste Negra suscitam e revelam novas formas de marginalidade que, até o fim da época moderna, têm um peso considerável sobre a evolução social; mendigos, vagabundos, criminosos atormentam os espíritos e provocam atitudes de defesa e rejeição.

Com o aumento do número de mendigos, as principais instituições que ficavam a cargo dessas doações (os monastérios), passaram a não dar conta de dar assistência a todos eles, tendo então, pela primeira vez, feito uma distinção entre aqueles de devem receber donativos e aqueles que não o merecem. Surgem então duas classes de mendigos: os “pobres de verdade” e os “mendigos válidos”. Os primeiros estariam aptos a serem ajudados, já que não possuíam nenhum meio de subsistência. Os que ocupam essa “classe” são muitas vezes os inválidos, doentes e cegos. Já o segundo grupo, como o próprio nome já diz, são aqueles mendigos que estão em condições de trabalhar, mas não o fazem porque são “vagabundos”, estando estes, portanto no grupo dos não merecedores de esmola.

A pobreza voluntária não era mais vista com bons olhos. No início do século XVI, as ordens mendicantes, antes tão auxiliadas, começam a ser acusadas de heresia pela própria igreja, acusações essas que na maioria das vezes não apresentam nenhum fundamento. Sofriam represálias pelo fato de se recusarem a trabalhar, já que queriam continuar vivendo em seu ideal de pobreza divina. Porém, esse pensamento medieval passou a ser renegado durante o período moderno, tendo essas ordens sido chamadas de inúteis a Deus e ao mundo.

Essas modificações trazidas pelo pensamento humanístico estavam diretamente relacionadas com as determinações dos estados nacionais nascentes e também pela intervenção da burguesia nesse processo. As modificações econômicas, as quais contribuíram ainda mais para o crescimento da pobreza no Ocidente, serão tratadas nos tópicos a seguir.

3.1 Os arrendamentos e o trabalho assalariado no campo e na cidade

A Inglaterra foi palco, já no início da idade moderna, de um grande processo de arrendamento de terras. Estas foram se transformando em um importante fator de produção da sociedade capitalista nascente, que utilizou a terra como pastagem para as ovelhas, as quais produziam a matéria-prima para os tecidos ingleses. Assim, essa nova fase de produção ficou marcada como um período de forte desapropriação de terra dos pequenos camponeses, os quais perderam o único bem de onde poderiam tirar o seu sustento. Segundo Karl Marx, em seu livro “A Origem do Capital”, era justamente isso que impulsionava essa nova fase de acumulação primitiva, pois, para ele:

O sistema de produção capitalista precisava, ao contrário, da condição servil das massas, sua transformação em mercadoria e a conversão de seus meios de trabalho em capital.

Ou seja, o camponês perdeu o seu meio de subsistência, ficando obrigado a vender a sua força de trabalho por um preço irrisório, primeiro no campo, depois nas cidades. As terras comunais, antes usadas para a agricultura, também passaram a ser arrendadas e transformadas em grandes fazendas usadas para a pastagem de ovelhas. Thomas Wright faz um resumo sobre esse aspecto na Inglaterra:

Em um grande número de paróquias de Hertfordshire, escreve uma pena indignada, vinte e quatro fazendas, abrangendo cada uma, em média, 50 a 150 acres, foram reunidas em três. No Northamptonshire e no Lincolnshire o fechamento das terras comunais foi realizado em grande escala; a maior parte dos domínios restantes dessa operação foi transformada em pastagens, a ponto de onde antes de cultivavam 1500 acres de terras não se cultivou, então, mais do que 50.

Na Escócia, a situação também era bastante grave. O processo de arrendamento já causava uma miserabilidade muito grande, chegando o local a ter, no fim do século XVII, o número de duzentos mil miseráveis vivendo em suas terras. Entretanto, mesmo já grave, o contexto desses mendigos escoceses ainda vai piorar ainda mais, pois, no inicio do século XIX, a Duquesa de Sutherland autoriza que os soldados ingleses expropriassem um antigo clã céltico que habitava as highlands de uma área de 794000 acres, sendo essa 15 mil pessoas relocadas para terras incultas no litoral, as quais contava cerca de seis mil acres. Esses camponeses também não receberam nenhum resgate por essas terras e nenhuma garantia de que não seriam expropriados novamente. Estariam, portanto, a mercê da vontade dos latifundiários. O mais emblemático nesse aspecto é que as antigas terras desse numeroso clã foram divididas para apenas 29 proprietários.

Na Inglaterra, essa mão-de-obra assalariada do campo, por não encontrar mais espaço para seu trabalho no interior, foi se transferindo para a cidade, sendo transformada aos poucos em trabalhadores baratos para a indústria nascente. Portanto, os arrendamentos do campo contribuíram tanto para os capitalistas num primeiro momento, os quais puderam dar inicio a sua acumulação primitiva do capital, tanto para aqueles responsáveis pelo empreendimento da Revolução Industrial do século XVIII, pois esses já encontraram uma mão-de-obra barata para lhes servir.

Entretanto, as cidades da idade moderna já não eram mais as mesmas do período medieval. Com o crescimento de seu prestigio, as classes consideradas marginalizadas anteriormente – os burgueses – agora faziam parte da estrutura do governo capitalista. Por isso, a cidade não podia mais aceitar de forma passiva a presença de grupos que não condiziam mais com a sua nova face. Com isso, a presença dos miseráveis não era mais tolerada e a chegada dos camponeses expropriados e sem recursos agravou ainda mais essa situação.

No final do século XVII e começo do XVIII, para coibir a presença deles nos centros urbanos, foram sendo feitas várias leis proibitivas a eles, tendo o próprio Oliver Cromwell instituído que só que poderia construir casa ao redor de Londres se elas possuíssem um terreno mínimo de quatro acres. Porém, leis contra esse grupo foram comuns na Inglaterra antes mesmo deste período, sendo feitas desde o século XVI.

3.2 A Inglaterra e as leis contra a vagabundagem

Os camponeses, após serem expulsos de suas terras, tiveram que se adaptar rapidamente a uma nova realidade, que era viver e receber um pagamento sobre a sua força de trabalho. Entretanto, segundo Marx, essa adaptação não foi bem assimilada por uma parte dos indivíduos, os quais passaram a viver como mendigos, criminosos ou vagabundos. A coroa inglesa, vendo o número desses indivíduos crescer, tratou logo de promulgar leis contra eles, de forma a tentar coibir essas atividades. Os quatro monarcas e suas leis que trataram desse assunto serão listados a seguir:

a) Henrique VIII (1530): Mendigos velhos podem implorar por caridade. Os que estivessem em condições de trabalho seriam obrigados a voltar para o seu lugar de nascimento e trabalhar lá. Sofreriam grande punição corporal sendo “atados à parte traseira de um carro, deviam ser fustigados até que o sangue jorrasse de seu corpo”.

b) Eduardo VI (1547): Todo aquele que for acusado de vadiagem será condenado à escravidão. Aquele que o tiver denunciado terá direito a usufruir de sua força de trabalho, sendo este escravo marcado com a letra S (escravo, do inglês slave). Qualquer escravo que tramar contra o seu dono será condenado à morte e os que fugirem deverão retornar a seu local de origem e trabalhar.

c) Elizabeth (1572): Mendigos maiores de 18 anos reincidentes na vadiagem serão executados. Os maiores de 14 anos que não estivessem empregados teriam a sua orelha esquerda marcada com ferro. Foi um período muito difícil e rígido para a atividade dos mendicantes, já que a punição severa foi realmente aplicada, tendo a Inglaterra presenciado de 300 a 400 execuções todos os anos após a promulgação desta lei.

d) Jaime I: Todos os mendigos serão considerados vagabundos, sendo punidos com a execução se reincidentes. Os açoites são comuns e os vagabundos que por acaso se rebelassem, deveriam ser marcados com a letra R no ombro esquerdo.

A aplicação de leis contra a mendicância esta associada também com a vontade de regulamentar a vida dos cidadãos, impedindo de que eles vivam de forma autônoma e sem a jurisdição do estado. Desde 1349, com o estabelecimento do “Estatuto dos Cidadãos” (do inglês, Statute of Labourers), A Inglaterra vem controlando os salários e as ações dos trabalhadores, o que, segundo Marx, contribuiu bastante para dar suporte à burguesia no seu empreendimento de acumulação primitiva. Dessa forma, o estado inglês precisava formular leis que impedissem que os indivíduos que não trabalhassem se desenvolvessem fora das rédeas da legislação, mantendo assim o controle severo sobre esse grupo e impedindo qualquer tipo de rebelião organizada destes.

3.3 Paris: a cidade dos mendigos

A França sempre teve um número muito grande de mendigos. Ainda no período medieval seu território era percorrido por peregrinos religiosos formados pelos “valets” (lacaios) e “campagnons” (operários). Desde cedo, esses mendigos começaram a se estabelecer em Paris e, segundo Marx, em meados do século XVII, “os vagabundos tinham estabelecido o seu reino e feito de Paris sua capital” (1979, p. 63). Essa situação acabou incomodando bastante a corte francesa, que no mesmo período, estava se transferindo para Versailles.
Entretanto, ao contrário da Inglaterra, a França não se preocupou em estabelecer leis contra esses mendigos, deixando assim que eles continuassem a viver na cidade em liberdade. Esse fato, claro, vai fazer com que os miseráveis se organizem de forma que conseguir força para poder reivindicar os seus direitos mais tarde.
Somente às vésperas da Revolução Francesa é que o monarca Luís XVI formulou uma lei contra a atividade dos mendigos, ordenando que fossem mandados às galés todos os homens saudáveis de 16 a 70 anos que não estivessem trabalhando por qualquer motivo. Entretanto, essa medida de nada barrou o envolvimento desses miseráveis com a Revolução. Juntos com todos os outros grupos envolvidos, os mendigos ajudaram a dar sustentação e andamento a revolução que terminaria por derrubar do trono a monarquia francesa, fazendo desta uma das principais rebeliões populares da época contemporânea.


3.4 O fenômeno picaresco na Espanha

O pícaro é o ser astuto, ardiloso, vigarista, vagabundo, solto de palavras e costumes. O picaresco é o cômico, ridículo, burlesco; o gênero literário que enfoca a vida e os costumes dos pícaros.
Na Europa o destino desses pícaros e mendigos é assunto da literatura menor, aquela ligada a cultura popular. Entretanto a Espanha não segue essa linha. Lá, as produções também da grande literatura tem esses personagens, seja como principal ou coadjuvante, tendo destaque no plano nacional estimulando a criação das estruturas da moderna prosa espanhola e de um novo gênero literário europeu.
A literatura picaresca espanhola traça um quadro da vida social. Uma visão de baixo do mundo. Seu objetivo principal é abordar o conjunto de ordem social, relações entre governados e governantes, papéis sociais de cada grupo, as normas morais e comportamentos coletivos vigentes, os destinos individuais.
O vagabundo nas narrativas era uma forma de críticas às estruturas sociais e valores morais, pois ele não estava dentro das normas vigentes e a sua existência é a prova da falha do sistema existente. Mesmo assim, aparece como uma figura de segunda ordem, tanto no interesse dos escritores quanto na sociedade. Poucas vezes, ou nenhuma, aparece como protagonista.
Essa literatura é plebéia. Apresenta-se autobiograficamente. Ganha efeito cômico com a grosseria e a vulgaridade. Deriva das camadas fabulares da cultura popular, mas é fruto de uma cultura de elite que responde à sua “demanda social” e visão da sua época. Mas também as massas plebéias recebem bem essa literatura participando dela mesmo que mais como ouvinte que como leitora, encontrando nela uma espécie de vingança contra a ordem social, assim como o sonho de mudança e sucesso. E isso é visto na astúcia do vagabundo e na vitória do malfeitor. Entretanto a imagem da miséria não podia ser retratada de forma explicita, pois as massas conheciam bem essa imagem. Dessa forma as narrativas sobre crime têm importância, por mostrar o pícaro de forma mais mascarada e assim conquistava todas as classes sociais.
Essa literatura foi associada ao crescimento da criminalidade na Espanha. Nela procurou se exprimir o ódio dos oprimidos em relação às classes privilegiadas, ou até preconceito dos cristãos novos perante a sociedade espanhola. Era, portanto, considerada um reflexo do crime espanhol. Então, por trás da trama literária, segundo pesquisadores, se esconde uma séria reflexão sobre a criminalidade como fenômeno social.
O jargão é amplamente utilizado e caracteriza os personagens da literatura picaresca. Segundo Geremek, os autores em contato com ela ou pelo contato direto, como Cervantes, ou pelo conhecimento baseado em literaturas anteriores.
Entretanto o que caracteriza, para os estudiosos, essa literatura picaresca é a figura sempre corrente do pícaro, pois todas as outras características são bem diversas quanto ao estilo e convenção.
O importante é notar como essas obras refletiam a sociedade espanhola daquele tempo, a qual estava passando por profunda crise econômica, nas relações entre classes, no Estado e nos comportamentos coletivos. Assim, de certa forma, essas obras parecem refletir que os valores tradicionais já não têm importância e não estão em vigor.
Entre 1598 e 1620 encerra-se a expansão espanhola pelos territórios ultramarinos e pela luta pelos metais mais preciosos gerando um aprofunda crise do império espanhol. Na verdade, a presença da Espanha demonstra o caráter da vida econômica do ocidente como superficial “sua colonização de caráter feudal, desfruta de modo consumista do afluxo de riquezas do Novo Mundo, sem promover investimentos no sentido moderno da palavra.” A Espanha não aplicava as atitudes de poupança e investimento na nova ordem burguesa. Assim, os romances picarescos mostram cavalheiros de distribuem os bens, mas pedem esmolas; que tem criadagem não o que comer.
O clima social daquela época favorecia o parasitismo. Os mendigos podiam contar com a generosidade e com a possibilidade de usufruir as migalhas da fartura dos bens de consumo. Os estímulos ao trabalho produtivo eram insuficientes, pois a miragem dos altos salários se espatifa diante da inflação contínua, dos preços que sempre aumentavam e, ao mesmo tempo, diante da possibilidade diante da possibilidade de levar uma bela vida graças à aventura, a fraude e ao furto.

Pierre Vilar, historiado e hispanista francês, descreve e caracteriza a Espanha no final do sáculo XVI e início do XVII:

Uma sociedade consumida pela história, um país no auge das contradições internas, no momento em que uma crise mostra em cheio toda sua indigência, país onde o vadio improdutivo, o indivíduo que vivia de rendas e agora está arruinado, o bandido fascinante e o mendigo desempregado andam pelas ruas e estradas.

Tudo isso fornece, às histórias picarescas, material suficiente para sucessos notáveis e façanhas incomparáveis.
Do ponto de vista sociológico, diz Geremek, o romance picaresco apresenta muito mais do que uma decomposição da Espanha naquele tempo; expressa a crise da sociedade aristocrática e da moralidade social, mostrando uma sociedade que não conserva seu código tradicional de comportamento e funções sociais. O pícaro é uma espécie de herói ou anti-herói introduzida pela Espanha na literatura mundial, é o modelo representante do meio plebeu.

O romance picaresco é considerado um gênero auto-biográfico, por mostrar a trajetória de um homem para chegar a ser um vagabundo, e cada uma das representações, muitas vezes parece ter relação com a própria vivencia dos autores com aquele meio.
Contudo, em geral, o romance picaresco é um retrato coletivo de um determinado grupo e o pícaro não é um ser de perfil social bem definido, ele incorpora indefinidas formas de acordo com a imagem que se deseja passar.
É importante ressaltar que muitas vezes esses vagabundos tinham, sim, empregos. Houve, inclusive, uma época que aumentou os empregos para criados, pajens e laicos e muito vagabundos conseguiram trabalho. Isso, no entanto, não quer dizer que deixaram de ser pícaros, pelo contrário, segundo Geremek, é aí que muitos conseguem colocar em prática as ações de vagabundo, como roubar, por exemplo. Além do mais, esses serviços não exigiam instrução mantendo-os como homens sem profissão, ou seja: vagabundos.

4. A arte da mendicância e suas leis

A mendicância é uma ocupação constante do pícaro. Às vezes via de passagem de uma condição para outra, outras é uma ocupação fundamental. A sua função é ser testemunha externa da extrema miséria ou (e) a expressão da vergonha/imprudência que pesa sobre a condição do pícaro. Ela oferece pretextos para produzir esboços das técnicas e figuras dos mendigos e para retratar a organização geral desse meio.
A astúcia e a fraude são o pão de cada dia do mendigo. Eles fingiam estar doentes e impossibilitados de trabalhar. A arte da mendicância exigia uma atenção contínua e grande experiência.
Mateo Alemán explica as “leis que regiam os mendigos”. Ele chamou Ordenanzas Mendicativas. Elas podem ser tratadas como exercícios estilísticos, “mas também é possível considerá-las um documento que reflete certo modelo de comportamento coletivo, ainda que tal modelo não derive de um código escrito” o lugar de observação para chegar a tais conclusões é Madri e Sevilha.
O estatuto dos mendigos refere-se a questões diversas da vida dos pedintes. Definem seus limites, aspecto externo das pessoas, ensino da arte, métodos para exercê-la, organização interna e costumes.
Ele proíbe os mendigos de se relacionar com os músicos itinerantes, cegos contadores de histórias, malabaristas, poetas, soldados e marinheiros desertores, pois a mendicância não tem nada a ver com essas categorias. Eles não podem conduzir cães dançarinos, exibir animais amestrados nas portas das igrejas ou durante a mendicância pelas ruas.
Com relação ao aspecto externo, eles devem carregar um cajado (com ponta de ferro, se possível; mas não carregar arma); não devem usar roupa nova ou de bom aspecto - e se receber alguma só pode ser usada no dia em que recebeu-; não usar grandes bolsas, as esmolas devem ser recolhidas em chapeis.
As crianças mendigam com os pais até os seis anos, depois disso é proibido. Após os 12 anos ingressa na profissão de mendigo, mas os três primeiros anos são para provar que aprendeu os ensinos de como se portar como mendigo. Além do mais, filho e pai mendigo será mendigo. As crianças estão proibidas de serem mandadas parar aprender alguma profissão, pois significa trabalhar muito e ganhar pouco.
A recusa à concorrência era outro aspecto abordado. Nos lugares de prática da mendicância vigora o tempo de permanecia e não a idade. É proibido tomar o lugar do outro e enganar uns aos outros.
Os as horas de trabalho eram: no inverno: início às 7h, verão: 5h, ambos com o fim meia hora antes do pôr-do-sol.
Quanto à organização interna, a comunidade era dividida em nationes cada uma dispondo do seu território em estalagens e albergues que funcionam como local de encontro. Lá, os mendigos discutem as questões correntes e se encontram para se divertir. Mendigos de nações diferentes não podem ficar juntos e nem comentar questões relativas à arte.
Também era proibida, pelo estatuto dos mendigos, a compra de carne ou peixe, para manter a coerência entre o modo de vida a aparência dos mendigos, os quais tinham uma condição social caracterizada pela miséria e fome.
Todas essas características da sociedade mendicante permanecem em uma ficção literária, mas demonstra como se pensava a organização dos mendicantes e alguns pontos refletindo uma observação dos costumes dos mendigos.
Na literatura espanhola os elementos um “anti-Estado” não aparecem com tanta força como aparece na inglesa e francesa. “A alienação do mendigo é um aspecto da sua condição social e não traz consigo uma marca de ameaça social”

5. Os ladrões e sua corporação

Tinha regras e lideres assim como a dos mendigos. A diferença é que eles apenas roubam e, não pedem e os que faziam parte da corporação eram de idade variada e, pela descrição literária, condições sociais variadas também (participam desde estudantes a prostitutas).
Na Espanha do século XVI e XVII os ladrões são referidos em diversas ocasiões. Felipe II decide transferir a corte parar Valladolid em 1601 e um poeta contemporâneo cita entre as causas da praga dos vagabundos e ladrões. Sevilha parecia ser a capital dos ladrões, era uma comunidade urbana que oferecia possibilidade de ganhos fáceis e de esconder-se entre a multidão anônima e etnicamente heterogênea. Lá o pícaro conseguia exercer todas as suas ocupações, do serviço ao furto, passando pela
mendicância . A riqueza daquela metrópole implicava em uma multidão de vadios e
criminosos comuns.
A arte do furto está estreitamente ligada a vida mendicante. Assim como o decorrer do destino individual o furto se segue à mendicância e às vezes as duas praticas são concomitantes.
.
Entre as categorias da arte do furto, estão:
• Salteadores: bandidos que operam nas grandes estradas e nos lugares desertos. As vezes recorrem ao assassinato para melhor esconder o crime.
• Estafadores: semelhante aos salteadores, mas não recorrem ao assassinato e agem de forma menos brutal.
• Capeadores: ladrões noturnos de sobretudo. Agem em grupo.
• Grumete: ladrões noturnos que sobem em apartamentos. Operam tanto na cidade quanto no campo.
• Apostoles: arrombadores que usam uma chave universal. O nome deriva do fato que, porque, como São Pedro, andam sempre com uma chave.
• Cigarreiros: operam em lugares em que tem uma multidão cortando o que podem.
• Devotos: ladrões que operam nas igrejas.
• Satyros: bandidos do campo, primitivos e selvagens. Roubam animais.
• Dacianos: se distinguem pela crueldade e falta de compaixão seqüestram crianças e as mutilam para depois vendê-las aos cegos, e outros vagabundos.
• Mordomos: providenciam provisões para o bando.
• Cortabolsas: batedores de carteira.
• Duendes: entram nas casas ao entardecer e esperam anoitecer para roubar
• Maletas: entram na casa escondidos em barris, frados ou cestas e durante a noite rompem o esconderijo e começam a pilhar.

O mesmo autor que descreve as categorias de ladrões, Andrés, denomina a sociedade de ladrões de republica, por ter em seu meio firmes leis que regem o comportamento geral, essas leis vão desde como roubar ao casamento da filha de um ladrão membro do grupo.
Além de presente nas obras picarescas, essa corporação de ladrões parece existir na realidade, não sendo, portanto, obra da imaginação de autores picarescos, mas sim de uma profunda observação dos pícaros-ladrões.

6. A recusa da socialização

Cervantes ilustra sua obra “a ilustre criada”, os heróis que escolheram a vida de vagabundagem, que vinham de famílias ricas, e que teriam condições de os sustentar, mas consideravam que a vagabundagem dá liberdade e alegria. Carriazo, personagem de Cervantes, se recusava a participar da organização social, era um trapaceiro e se alegrava em viver desse modo tendo, portanto, escolhido tal vida. Diferente do que parece acontecer em outros casos falados até agora, em que a miséria e a vida picaresca é condição herdada, sucessão profissional.

O gosto pela vida fácil, a aversão pelo trabalho e as más inclinações aparecem nas oras dos escritores espanhóis como fatores que explicam porque os pícaros escolhem o mau caminho; eles constituem a motivação e o elemento determinante da degradação social.

Em casos como o de Carriazo a vagabundagem parece ser uma forma passageira de aproveitar a juventude, é aí que a que a inclinação para a vagabundagem aparece de forma mais pueril e, ao que parece, livre de motivações sociais.
A liberdade mendicante é mais livre, pois não está sujeita ao controle social, as leias estatais. É uma liberdade que só os mendigos dispõem. Para eles, ao que parece, não estar sujeito as regras de um estado, por não serem considerados cidadãos, é uma liberdade pela qual vale a pela fazer e passar tudo o que fazem e passam.

O pícaro é um homem privado de qualquer propriedade, que dispõe apenas das próprias mãos, de uma experiência de vida e de sua engenhosidade para obtenção dos meios de sustento. É pessoalmente livre, não depende de ninguém, é dono
de suas próprias decisões, e se preta um serviço a alguém é por
sua escolha à procura de uma vida cômoda, mas essa dependência do serviço não tem caráter permanente.

O fato de procurar trabalhos não duráveis era exatamente para não estar na dependência fixa de um patrão. A escolha de ofícios que não exigiam qualificação profissional mostrava isso.
A vida vagabunda não é um modo de não se socializar, mas sem entrar numa vida anti-social. Ele é vitima das relações sociais e por isso “escolheu” (no sentindo lato da palavra) não seguir as regras sociais.
Cristobal Perez de Herrera fala em memórias sobre o problema da assistência aos pobres, à reforma das instituições de caridade. A casa dos pobres deveria fornecer assistência a esses mendigos e a medida que viam quem eram os que realmente precisavam de ajuda e não estavam nas ruas para vagabundear conseguiria diminuir essa “doença social” repreendendo, e aplicando o trabalho forçado para os vagabundos e falsos mendigos, pois o numero de vagabundos crescia continuamente, enquanto os “cidadãos de bem” diminuíam em conseqüência das guerras e esses que não contribuíam para a sociedade se proliferavam em larga escala.
Com essa análise de Herrera é visto, mais uma vez, que as narrativas picarescas mostram a realidade social. Ele fala sobre as confrarias dos mendigos, e o que lá faziam e como se utilizavam de fingimentos para conseguirem esmolas. Entretanto, Herrera é tendencioso por falar apenas das más inclinações, sendo um escritor político.

7. O caso português de punição à vadiagem

Os portugueses apenas começaram a se preocupar com a vadiagem, por volta dos séculos XIII e XIV, nos quais se cristalizaram leis repressivas visando aos mendigos e aos vadios ou vagabundos. Nesse sentido vale-se ressaltar a diferença entre vadiagem e vagabundagem. A pessoa dita vadia era considerada como aquela que “trabalha às vezes, mendiga com freqüência, rouba se aparece ocasião, e pode ser incidentalmente arrastado para a criminalidade e delinqüência”. Já o vagabundo era o que fazia uso de práticas delinqüentes. Acentuar-mo-emos, portanto, que o enfoque principal era dado às práticas de vadiagem, visto que era através dessa que surgia a vagabundagem.

8. Agora vamos mostrar algumas medidas que foram tomadas a esse respeito nos séculos referidos:

a) Em inícios do século XIII, um diploma régio autorizava a perseguição aos vadios, proibindo-os de habitarem o reino;
b) Em 1349, o rei Afonso IV expediu um documento visando limitar o número de ociosos, impedindo a mendicância, a vadiagem, negando o acesso deles a hospitais, e punindo quem os acolhesse;
c) Em 1375, houve a criação da Lei das Sesmarias, na qual o então rei, D. Fernando, buscava incrementar a agricultura e aumentar o número de trabalhadores rurais, compelindo a este trabalho: ociosos, vadios e mendigos. Com relação aos mendigos a legislação era enérgica e obrigava-os a trabalhar: “os ociosos que se negarem a exercer qualquer atividade seriam, na primeira vez, açoitados e, quando reincidentes, seriam açoitados com pregão, e ultimamente lançados fora do reino”. D. Fernando intencionava a cura destes males, porém não obteve grandes resultados, mormente, porque faltou-lhe uma elite que fizesse cumprir as leis. E “ao invés de serem absorvidos pelos trabalhos agrícolas, os desclassificados o foram pela aventura marítima”, afirma Laura de Mello e Souza em seu livro “Desclassificados do Ouro”.
As conquistas marítimas foram de grande importância na absorção dos mendigos e vagabundos de Portugal. Havia por parte da metrópole toda uma política de envio de seus desclassificados para as terras de além-mar a fim de povoá-las. O que levou muitos historiadores a darem por certo que as possessões ultramarinas foram sempre para a metrópole portuguesa o destino de seus delinqüentes. Por exemplo:
a) Em meados do século XVI, o rei D. Sebastião havia determinado que:
Dos vadios. Mandamos que qualquer homem que não viver como senhor, ou com amo, não tiver ofício, nem outro mester, em que trabalhe, ou ganhe sua vida, ou não andar negociando algum negócio seu, ou alheio, passados 20 dias do dia que chegar a qualquer cidade, vila ou lugar, não tomando dentro dos ditos 20 dias amo, ou senhor, com quem viva, ou mester em que trabalhe ou ganhe sua vida, ou se o tomar, e depois o deixar, e não continuar, seja ele preso e açoitado publicamente. E se for pessoa, em que não caibam açoites, seja degredado para África por um ano.
a) Em 1667, a coroa promulgou editos que ordenavam o sentencimento sumário de pessoas que esperavam julgamento: “os vagabundos foram degredados ao Marrocos e os responsáveis por ofensas mais graves seriam enviados ao Brasil”.

Assim sendo, podemos afirmar que os portugueses viam nas suas colônias de além-mar uma possibilidade de propulsionar seu povoamento com elementos socialmente desclassificados, ao mesmo tempo, em que a metrópole se via livre deles. A grande dificuldade da coroa era saber o que fazer com os vadios e as conquistas marítimas, bem como as possessões obtidas foram a solução para tal questão. Agora nós veremos como aconteceu o processo de desclassificação social em uma colônia em especial: O Brasil e depois mais especificamente na região das Minas.

9. O processo de desclassificação social no Brasil Colônia:

Para Laura de Mello e Souza o processo de desclassificação social brasileiro está ligado à estrutura econômica aqui implantada pelos portugueses, tendo por base a indústria agroexportadora e o escravismo. As flutuações e incertezas no mercado externo propiciaram o surgimento, no Brasil Colônia, de uma classe que permaneceu à margem da ordem social, enquanto que o escravismo bloqueou as possibilidades de utilização dessa mão-de-obra livre.
Sendo assim, as funções econômicas eram apenas definidas entre dois setores extremos da sociedade: senhores e escravos, e a camada que surgia entre eles era aos poucos considerada desclassificada, no sentido de que havia poucas chances de ser absorvida pelo sistema.
De acordo com Caio Prado Júnior, em seu livro “Formação do Brasil Contemporâneo”, a camada dos desclassificados ocupou o vácuo existente entre as classes extremas da sociedade. Ao mesmo tempo em que não possuía “estrutura social configurada”, sendo incluída no trabalho colonial de forma esporádica e incerta e mesmo assim ocupando funções que o escravo não podia desempenhar e que não estavam diretamente ligadas à produção, como: feitores, capitães-do-mato, milícias, ordenanças, desmatamentos e preparos do solo para o plantio etc. Há inclusive um fragmento de Sérgio Buarque de Hollanda, em seu livro “Monções” que deixa bem clara a formação desta camada intermediária no período colonial brasileiro:

Os próprios vícios do sistema econômico de produção tinham criado, em todo o Brasil colonial, uma imensa população flutuante, sem posição social nítida, vivendo parasitariamente à margem das atividades regulares e remuneradoras.

Dada essa pequena generalização em relação ao processo de desclassificação social no Brasil Colônia, vamos nos deter mais intensamente no processo ocorrido na região Mineira, bem como na utilização dessa classe intermediária em atividades secundárias, o que acabou por diminuir o peso que eles representavam para a sociedade à época.

9.1 Desclassificação nas Minas

O ciclo do ouro provocou um afluxo de gente para a região mineira, não apenas das províncias vizinhas como também metrópole. Entretanto as atividades mineradoras estavam vinculadas a pessoas mais abastadas, ficando a classe intermediária sujeita às intempéries da região como a fome. Essa fome foi mais significativa nos anos de 1697, 1698, 1700 e 1701, provocando inclusive o abandono de certas localidades já povoadas como Ribeirão do Carmo e da Serra do Ouro Preto.
A riqueza das Minas era distribuída entre um número pequeno de pessoas que se encontrava nas vilas e suas imediações, além das grandes propriedades. A população de um modo geral era pobre, à massa cabiam os trabalhos e vários tipos de extorsões. A pobreza foi, por diversas vezes na história brasileira e mais ainda no período da mineração, encoberta pelo luxo e pela ostentação de quem de fato obteve lucros com os produtos da mineração.
A alta sociedade e mesmo as autoridades classificaram a região das Minas como aquela de maior riqueza e opulência. Contudo o que representaram de fato foram o atraso econômico e a miséria, afirma o historiador mineiro Eduardo Frieiro, em trecho citado por Laura de Mello e Souza. Além da falta de oportunidade aos setores intermediários havia por parte da coroa a taxação crescente, sobretudo a partir de meados do século XVIII, dos produtos da mineração. Enriquecendo a metrópole e tornando mais pobres os mineiros. E, mais uma vez, a pobreza assumia o papel de ser proveniente da estrutura econômica implantada, no Brasil Colônia, marcada pela instabilidade social e pelo imediatismo do lucro a ser obtido.
Durante todo o período aurífero a situação foi difícil para o pequeno minerador que sequer podia se manter, não raro, caía em estado de miséria, muitos foram os que morreram de fome e outros tantos de doenças. Havia também aqueles que ficavam à vagar por entre os matos e roças, voltados para atividades agrícolas de subsistência esporádica e que não impediam que morressem de fome.
Somando-se os aventureiros do ouro aos vadios enviados por Portugal à colônia, no caso este, da região mineradora, formou-se uma camada de desclassificados que vagavam pelos arraiais, em estado de mendicância e vagabundagem – entenda-se vagabundagem como a prática de atos de delinqüência –. O que muito incomodava as autoridades coloniais. A diferença básica desses desocupados das Minas para aqueles do mundo em geral é que eles, geralmente, eram necessários e podiam ser aproveitados em outras atividades, como: nas entradas, na manutenção de presídios, nas obras públicas, dentre outras, como afirma Laura de Mello e Souza.
Acerca dessa problemática escreveu o desembargador Teixeira Coelho:

Os vadios são o ódio de todas as nações civilizadas, e contra eles se tem muitas vezes legislado; porém as regras comuns relativas a este ponto não podem ser aplicáveis ao território de Minas; porque esses vadios, que em outra parte seriam prejudiciais, são ali úteis.

Esse fato leva Laura de Mello a dizer que “por detrás da afirmação de Teixeira Coelho está a idéia de uma mão-de-obra alternativa à escrava, de uma espécie de exército de reserva da escravidão”.
O conde de Valladares, governador de Minas, em 1770, previa a eliminação dos vadios tanto pela expulsão da capitania como pela utilização dos desclassificados em tarefas secundárias. Havia por parte de Valladares a necessidade da repressão associada à utilidade. E foram várias as alternativas para a utilização desses marginalizados, como:

a) Entradas: os desclassificados foram utilizados nas entradas em substituição aos escravos, porque era oneroso ao Estado afastar o negro minerador de sua faixa diária de produção;
b) Presídios: o desenvolvimento e a manutenção dos presídios, criados em terras remotas e coma finalidade de combater o extravio de ouro e impedir o avanço dos índios arredios, foram de responsabilidade dos desclassificados. O envio destes homens ocorreu principalmente nas décadas de 60, 70 e 80 do século XVIII. As condições de vida nos presídios não era boa. Os vadios estavam sujeitos à fome e a calamidades variadas. Além do mais os prisioneiros, em sua maioria, eram responsáveis por crimes insignificantes como o de embriaguez, ficando o sistema prisional aquém da funcionalidade proposta inicialmente;
c) Obras públicas e Lavoura: trabalhavam abrindo estradas, também a ocupação nas lavouras dos presídios era encarado como obra pública. O trabalho agrícola em si estava ligado ao fato da terra significar a base sólida da economia colonial;
d) Polícia Privada: a formação de milícias privadas no interior do país que atendiam aos senhores locais. Como por exemplo: nos levantes ocorridos no sertão do São Francisco, em 1736, nos quais torna-se evidente a “participação dos vadios como corpo pessoal dos potentados do lugar”, descreve a autora de “Desclassificados do Ouro”. Essas milícias surgiram para manter o domínio dos senhores sobre seus escravos, suas propriedades, ou seja, aquilo que lhes fosse aprazível e indispensável à sua riqueza e ostentação;
e) Milícias e Corpos Militares: os desclassificados atuavam nos conflitos como corpos de tropa. Protegiam as fronteiras do Brasil Colônia ainda muito móveis e provisórias e, por isso mesmo, locais de disputas com grupos espanhóis, como: Sacramento e Sete Povos das Missões. Também eram convocados para combater movimentos populares como os quilombos.


10. Conclusão

Embora houvesse uma repulsa, por parte das autoridades, aos vadios eles eram comumente necessários aos momentos de dificuldades da coroa e serviam à manutenção do sistema, a consolidação das fronteiras, à continuidade do mando. Minas foi, de acordo com Laura de Mello e Souza, o lugar que mais ofereceu condições à proliferação desta camada intermediária, como também lhes tirou a razão de ser. Sua estrutura fez “com que o ônus dos vadios se metamorfoseasse em utilidade”. Não de forma irreversível, visto que eles eram úteis às atividades secundárias, não às de base e vez ou outra a sociedade sentia seu peso, mas de qualquer modo colaboravam para o bom caminhar do sistema.
E foi essa predominância da utilidade sobre o ônus que diferenciou o processo de desclassificação social do Brasil Colônia daquele realizado na Europa Moderna, onde a classe dos vadios, oriunda do capitalismo não foi reaproveitada, e sim repreendida, excluída, tratada como, na formulação do jurista de Lyon, “o peso inútil da terra”.


Referencias Bibliográficas:

GEREMEK, Bronislaw. Os Filhos de Caim: Vagabundos e Miseráveis na Literatura Européia 1400- 1700. São Paulo: Companhia das letras, 1955.
HOLLANDA, Sérgio Buarque de. Monções. 3. ed. São Paulo: Brasiliense, 2000.
MARX, Karl. A Origem do Capital: a acumulação primitiva. 3º edição. São Paulo: Global Editora, 1979.
PRADO JR., Caio. Formação do Brasil Contemporâneo. São Paulo: Brasiliense, 1971.
SCHMITT, Jean-Claude. A História dos Marginais. In: LE GOFF, Jacques (Org). A História Nova. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
SOUZA, Laura de Mello. Desclassificados do Ouro: a pobreza mineira do século XVIII. Rio de Janeiro: Graal, 1982.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

O Bairro do Cordeiro

Este ano estamos acompanhando a formação dos estudantes do primeiro período do curso de Bacharelado em Turismo. Este é um dos trabalhos apresentados em sala. Um convite para conhecer o Recife, em algo além das visões mais comuns.


UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE ARTES E COMUNCAÇÃO
NÚCLEO DE TURISMO E HOTELARIA
ÁREA IV
CURSO DE BACHARELADO EM TURISMO


O BAIRRO DO CORDEIRO

Escrito por

Elizabete Regina de Santana
Fernanda Abreu dos Santos
Leillyane Antonia de Moura
Luana Alexandre Silva
Monik Rodd Oliveira Teixeira







Trabalho apresentado como requisito complementar para obtenção de nota escolar na disciplina de História da Cultura do curso de Turismo da Universidade Federal de Pernambuco, ministrada pelo Prof.Severino Vicente da Silva.









Recife
Abril/ 2009

SUMÁRIO




1Introduçao
2. História do Bairro
2.1 Forte do Arraial Novo do Bom Jesus
2.2 Igreja de São Sebastião
2.3 Mercado Do Cordeiro
2.4 Sala de Reboco
2.5 Charque do Alemão
2.6 Parque Professor Antônio Coelho
2.7 Hospital Getúlio Vargas
3. Bloco da Saudade
4. Conclusão
5. Bibliografia
6. ANEXO - Poema em Alusão ao Bairro





1 Introdução


Em nosso cotidiano passamos por locais cuja origem não conhecemos. Despertar o interesse para o que está ao nosso redor é fundamental para valorizarmos a história do lugar onde vivemos. Com essa proposta realizamos pesquisas históricas, culturais, turísticas e econômicas sobre o bairro do Cordeiro. A visita a pontos já conhecidos e a outros ainda não reconhecidos pela sociedade nos abriu os olhos para as necessidades locais e nos fez entender um pouco mais sobre a nossa história.


2 História do Bairro

O bairro do Cordeiro surgiu em terras que a princípio pertenceram ao senhor de engenho Ambrósio Machado. Nessas terras, que eram cortadas pelo Rio Capibaribe, havia uma passagem que levava ao atual bairro de Casa Forte. Existiam também poços que forneciam água à vizinhança. Esses dois fatores favoreceram o surgimento de um povoado.
O Engenho de Ambrósio Machado foi confiscado pelos holandeses e mais tarde, com a restauração de Pernambuco em 1654, parte dessas terras passou para o herói da guerra contra os holandeses: João Fernandes Vieira, que se tornou um dos senhores de engenho mais ricos do Nordeste e deixou aquela propriedade sob a administração de João Cordeiro de Mendanha, seu ajudante de ordem.
Posteriormente, a propriedade foi arrematada em leilão público pelo capitão José Camelo Pessoa e no final do século XVII, foi comprada por Sotero de Castro, que lhe coloca o nome oficial de Cordeiro, pois já era assim conhecido, em homenagem ao seu antigo lavrador, João Cordeiro de Mendanha.
O atual bairro do Cordeiro situa-se entre os bairros de Zumbi e Iputinga a cerca de 6 quilômetros do centro da cidade do Recife e integra várias sub-regiões tais como: Caxangá, Roda de fogo, Rua da Lama, San Martín, Torrões. Pertencente a 4ª Região Político-Administrativa do Recife (RPA-4), a oeste da cidade e, segundo o Censo do IBGE em 2000, o bairro do Cordeiro tinha os seguintes números: População de 37.538 habitantes e área de 332,8 hectares.
O Cordeiro abriga pontos históricos, restaurantes de comidas regionais, mercados e feiras livres, uma das maiores emergências públicas da capital, um parque de exposições que cedia inúmeros eventos ligados ao agro negócio e uma das melhores casas de forró do Brasil.
Dentre esses vamos destacar aqueles que mais caracterizam o bairro:



2.1 Forte do Arraial Novo do Bom Jesus



Após a saída de Nassau do governo holandês em Pernambuco, recomeçou a campanha para a libertação do domínio batavo. A resistência já não podia se instalar nos engenhos, que já eram conhecidos pelos holandeses e não tinham grandes estruturas de defesa, então por isso elegeu-se um sítio afastado do litoral de onde podiam sair os campanistas em ataque.
Assim foi feito e estabelecido o Forte do Arraial Novo do Bom Jesus, em 1648 e 1649, as tropas luso-brasileiras saíram dali para a primeira e segunda Batalha dos Guararapes. As duas batalhas foram vitoriosas e decisivas para a expulsão dos holandeses. Dessa forma o forte passou a ser o símbolo da resistência e da bravura contra as tropas holandesas.
Mas, depois da expulsão dos holandeses, o Forte foi desativado e abandonado. Esta foi uma das poucas fortificações construídas em terra do Brasil naquele período cujos vestígios ainda se encontram aparentes, e em área urbana.
Em 1872 o Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano ergueu no local uma coluna de três metros de altura onde, em seu topo, colocou-se uma cruz protegida por uma grade de ferro em homenagem ao reduto e seus heróis. Esse monumento ficou conhecido como Cruzeiro do Forte.
Hoje, os vestígios do Forte estão situados na Estrada do Forte do Arraial Novo do Bom Jesus numa praça que é utilizada para lazer da comunidade local. Não há mais a cruz nem tão pouco a grade de ferro. Há apenas uma coluna solitária e algumas ruínas do Forte. Na coluna, praticamente não se enxerga mais os registros gravados pelo Instituto, devido à degradação ambiental, ao vandalismo e a falta de manutenção do monumento.
As pessoas que circulam ali diariamente pouco sabem da história do Forte. O local deveria ser protegido, a cruz recolocada, e um novo registro deveria ser feito. Além disso, que a praça tem uma área enorme ainda não aproveitada, que podia ser ainda mais útil para o lazer da comunidade e visitação de turistas.


2.2 Igreja de São Sebastião



A Paróquia de São Sebastião do Cordeiro foi criada em 19 de março de 1935 pelo arcebispo Dom Miguel de Lima Valverde para substituir a antiga Capelinha que invocava a São Sebastião, datada do ano de 1900. Seu primeiro pároco foi o Padre Antônio de Lima Cavalcante. A Matriz está localizada próximo ao inicio da Avenida General San Martín, às margens da Avenida Caxangá.
O atual vigário, Padre Oscar Martins da Fonseca, está lá há 25 anos celebrando as missas de terça a sábado às 19 horas e no domingo às 6, 8 e 19 horas.
A construção tem traços simples, com pintura bem conservada nas cores branca e amarela. Mesmo estando situada em uma das avenidas movimentadas da cidade, o clima dentro da Igreja é de puro silêncio e bastante propício às orações dos visitantes. Atividades regulares funcionam lá, como batismo, casamento e eucaristia.


2.3 Mercado do Cordeiro


O Mercado do Cordeiro foi inaugurado no dia 23 de Março de 1937. Até o ano de 2001, o Mercado era privado e em 28 de Setembro de 2002 foi municipalizado pela Prefeitura da Cidade do Recife através do decreto 19-498.
Em 2008 o Mercado foi reformado e todos os locatários do Mercado passaram por cursos de capacitação com o SEBRAE, o Banco do Brasil, a Vigilância Sanitária e a Companhia de Serviços Urbanos do Recife.
Com essa re-inauguração o Mercado ganhou uma área gastronômica revitalizada, sinalização turística, Internet sem fio, sistema de combates a incêndios, sanitários acessíveis.
O Mercado do Cordeiro está dividido em 170 boxes padronizados e funciona das 06h00 às 18h00 de segunda a sábado e aos domingos das 06h00 às 12h00. Seu espaço gastronômico funciona das 06h00 às 22h00 de segunda a quarta, e, de quinta a sábado, só fecha quando seu último cliente sai.
Uma variedade de produtos e de comidas regionais pode ser encontrada por lá.

2.4 Sala de Reboco


A Sala de Reboco Bar e Comedoria foi inaugurada em 1999 e situa-se na Rua Gregório Júnior, número 264. É um lugar voltado para o autentico forró pé-de-serra.
Todas as quintas, sextas, sábados e vésperas de feriado a partir das 22:00 h um público fiel, de qualidade e de muita gente bonita é atraído pela boa música tocada ao vivo pelos maiores forrozeiros do Brasil.
Dominguinhos, Jorge de Altino, Flávio José, Santana, Amelinha, Nando Cordel e Alcymar Monteiro são alguns dos nomes consagrados no local, havendo espaço também para novos talentos e outras bandas locais.
A decoração do ambiente é rústica, remetendo a paisagens sertanejas com tecidos de chita no palco e paredes pintadas por artistas plásticos pernambucanos.
Sua média de preço é até R$. : 15,00 e tem capacidade para 1.300 pessoas.
Outro destaque é sua cozinha tipicamente sertaneja com pratos regionais e bebidas das mais diversas.


2.5 Restaurante Charque do Alemão


Situa-se na Avenida do Forte, número 233, e seu nome é auto-explicativo: ou seja, a especialidade do lugar continua sendo o charque e seu primeiro proprietário era de origem alemã, um senhor que todos chamavam Alemão.
Inaugurado em 1997 foi passado pouco tempo depois para uma família da cidade de Tabira – Pernambuco, que são os atuais donos do estabelecimento. Mas seguiram com o mesmo nome até hoje, e no respectivo ano de 2009 o Restaurante Charque do Alemão completa 12 anos de existência e de grande sucesso em sua localidade e arredores.
Além dessa carne o restaurante serve outros cortes, como a picanha e o galeto assado. Os pratos chegam acompanhados de feijão verde, arroz, macaxeira frita, farofa, vinagrete e maionese de batata. Para a sobremesa as sugestões são o pudim e a torta serenata de amor.
O restaurante programa música ao vivo no fim de semana, geralmente MPB, forró e chorinho. Para quem só pretende curtir o som e bebericar alguma coisa, a casa vende bons petiscos.


2.6 Parque Professor Antônio Coelho

O Parque Professor Antônio Coelho, popularmente conhecido como Parque de Exposição do Cordeiro, fica situado na Avenida Caxangá e possui uma área de 12 hectares. A quase 70 anos cedia a tradicional festa de exposição de animais e produtos derivados. Essa festa, que dura quase 10 dias e acontece no mês de novembro, dispõe de shows artísticos, vaquejadas, comidas típicas, leilões, mostra de implementos artísticos e regionais além de seleção e premiação das melhores raças de animais. É o mais importante acontecimento do gênero no Nordeste e um dos principais eventos agropecuários do Brasil.
Hoje no espaço funciona a Secretaria de agricultura e o Expresso Cidadão, popularmente conhecido como “Rapidinho” por colocar à disposição serviços com facilidade. Encontram-se lá: Agência do Trabalho, Banco Real, Biblioteca Virtual, CELPE, COMPESA, Defensoria Pública, Detran, Grande Recife, LAFEPE, Oi, Prefeitura do Recife, PROCON, Secretaria de Defesa Social IITB e caixas eletrônicos do Banco do Brasil, da Caixa Econômica entre outros. No Parque é possível observar ainda dois monumentos: o primeiro, um belo Zebu, doação da Associação dos Criadores de Pernambuco e, o outro, um célebre cavalo Mossoró, o primeiro campeão do Grande Prêmio Brasil, oriundo do Haras Maranguape, em Paulista.


2.7 Hospital Getúlio Vargas


Está localizado no início da Avenida General San Martín e funciona como um dos hospitais de emergência do Recife. Sua construção foi iniciada no governo do presidente Eurico Gaspar Dutra e concluída na segunda gestão de Getúlio Vargas de quem herdou o nome.
Era o antigo IAPTEC (Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Empregados em Transportes e Cargas). Hoje sofre com a superlotação, a falta de médicos e de leitos para um bom atendimento.
O Hospital é de fácil acesso tanto para quem vem pela Avenida Engenheiro Abdias de Carvalho quanto para aqueles que vem pela Avenida Caxangá.




3 O Bloco da Saudade


O bloco surgiu a partir de uma canção de Edgard Morais chamada Valores do passado, composta em 1962, em que ele saudava 24 agremiações já extintas e idealizava um bloco da saudade. Em 1963, um grupo de foliões apostou com Edgar Morais que criariam o bloco da Saudade, o que realmente aconteceu em 1974 pelas ruas do bairro do Cordeiro. O objetivo era trazer de volta a tradição dos blocos de pau e corda ao carnaval do Recife e Olinda, ressuscitando o gênero musical de marcha de bloco.
Várias outras agremiações foram incentivadas pelo saudosismo do bloco da Saudade, trazendo de volta, inclusive, os nomes dos antigos blocos de rua. As cores oficiais são o vermelho, o azul e o branco. Segundo a agremiação, mais de quinze mil pessoas freqüentam anualmente os quatro acervos de marcha e o famoso baile do bloco da Saudade. Os desfiles acontecem nas cidades de Recife e Olinda, dois deles na semana pré-carnavalesca e três durante os festejas de momo.



4 Conclusão


Os conhecimentos que adquirimos à medida que realizamos o trabalho nos fizeram enxergar aquilo que sempre esteve a nossa volta e que acabamos por não dar o valor necessário. Nós como cidadãos e futuros turismólogos precisamos desse conhecimento para junto à sociedade preservar esses patrimônios que por muitas vezes são esquecidos pelo poder público e divulgar a sua importância histórica e social.



5 Bibliografia


CAVALCANTE, Carlos Bezerra. O Recife e seus Bairros. Recife: Camarim Minicipam Recife, 1998.
www.fundaj.gov.br
www.wikimapia.org
www.magmarqueologia.pro.br
www.jc.uol.com.br
www.recife.pe.gov.br
www.saladereboco.com.br
www.obaoba.com.br
www.ipernambuco.com.br
www.cporr.ensino.eb.br
www.carnavaldepernambuco.com/2009
www.jusbrasil.com.br
www.especiais.com.br





ANEXO - Poema em alusão ao Bairro

Cordeiro

Nas terras do Engenho Cordeiro
Surgiu um “novo arraial
P’ra fazer pelo Brasil,
O que não fez Portugal.

Epicentro das Batalhas
De nossa Insurreição,
Despertando neste povo,
Sentimento de Nação.

Na Taborda o resultado
Em janeiro a rendição
Os Batavos nos deixaram
Apenas recordação.



Carlos Bezerra Cavalcanti.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

CIÊNCIA E MODERNIDADE NO SÉCULO XVIII: O ALVORECER DE UMA NOVA METODOLOGIA

Este texto foi apresentado em sala de aula pelos alunos que o escreveram, após terem realizado pesquisa bibliográfica, como parte de sua formação.


UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
HISTÓRIA MODERNA II - V PERÍODO
PROFESSOR SEVERINO VICENTE DA SILVA







CIÊNCIA E MODERNIDADE NO SÉCULO XVIII:
O ALVORECER DE UMA NOVA METODOLOGIA


Escrito por:

Allan Cavalcante Luna
Aurélio de Moura Britto
Bruno R. Véras de M. e Silva
Diego Rodrigo Barbosa
Ednaldo F. do Carmo Júnior


Recife, abril de 2009
ÍNDICE


INTRODUÇÃO 4

Impasses epistemológicos 4


A CIÊNCIA DO RENASCIMENTO 6


A CIÊNCIA NO SÉCULO XVIII 10


A DIFUSÃO DA CIÊNCIA NA EUROPA E AS ACADEMIAS CIENTÍFICAS 13


UMA INTERPRETAÇÃO EXTERNALISTA DA HISTÓRIA DA CIÊNCIA 17


CONSIDERAÇÕES FINAIS 20


REFERÊNCIAS 21








INTRODUÇÃO


A ciência durante a Idade Moderna converteu-se em força propulsora e basilar das relações sociais. Com a Revolução Científica houve uma intensa discussão sobre a verdade e as metodologias mais eficientes para sua apreensão. Ao falarmos da Ciência Moderna, terminamos por negligenciar as particularidades dessas formações discursivas em categorias demasiadamente genéricas. Claro que a história da ciência, bem como qualquer história, é elaborada a partir de enfoques nas continuidades ou nas rupturas. Tendo isto em vista, o trabalho se propõe a enfatizar as dimensões que particularizam o conhecimento cientifico do século XVIII. Óbvio que dar uma dimensão de fosso epistemológico entre as tradições científicas modernas seria drástico, e historicamente infundado.

A ciência do século XVIII desenvolve, em virtudes das mudanças culturais, alguns aspectos de cientificidade que se distinguem da ciência no Renascimento. A este aspecto, merece relevo a colocação de John Bernal (1976):

No puede sorprender, vistos los cambios sociais e culturais, que las tendências a lo largo de mayor parte del siglo XVIII fueram distintas de las do siglo XVII. Em todo caso, la ciência habia conquistado su lugar. Se habia conquistado su lugar. Se habia convertido em uma institucion, y adquirido su propia tradicion interna (BERNAL, 1976, p. 395).

Quais eram estas particularidades? Que forças, internas e externas a ciência, as motivaram? Estas são algumas das indagações que nortearão o presente estudo.


IMPASSES EPISTEMOLÓGICOS

Faz-se necessário pontuar os principais impasses epistemológicos que regem a produção historiográfica da ciência. Qual a influência do contexto histórico na produção científica? Grosso modo, poderíamos dizer que a esta indagação às abordagens tradicionais da historiografia da ciência tentam responder. Para uns — os internalistas — a prática científica não carrega em seus postulados as impressões da cultura. Ou melhor, fatores culturais não influenciam a ciência nas mais variadas demandas sociais. A ciência, nesta acepção, se auto-determinaria e possuiria uma fundamentação lógica e inerente a própria ciência. Para outros — os externalistas — a prática cientifica é historicamente determinada, e as sentenças científicas são respostas às demandas sociais. Atualmente, a historiografia da ciência tem procurado uma posição menos extremista que as anteriormente referidas. Procurando no hibridismo, uma resposta mais completa para a compreensão da produção do conhecimento científico e seu contexto social.

Metodologicamente, o trabalho procurará conferir historicidade à ciência, no caso, a do século XVIII. Contudo, sem aderir ao utilitarismo do tipo vulgar, vendo a ciência, e a produção cientifica, como resposta imediata e unilateral à ascensão da burguesia na Europa. “Nada de utilitarismo vulgar! A ciência não era verdadeira por que útil, mas a verdadeira ciência era, ao mesmo tempo, útil” (JAPIASSU, 1997, p. 246).

Em suma, optaremos por uma abordagem dialética da ciência, privilegiando a interação entre as realidades internas e externas que, juntas e em graus diferentes ao longo da história, condicionaram a construção e institucionalização do conhecimento científico.




A CIÊNCIA DO RENASCIMENTO:
RACIONALIDADE E SECULARIZAÇÃO NOS SÉCULOS XV E XVI


Antes de iniciar a análise essencialmente objetivada neste artigo — as transformações epistêmico-metodológicas da ciência do século XVIII —, faz-se mister, uma reflexão sobre as características peculiares à “Revolução Científica” (MOCELLIN, 2000), fruto do renascimento e humanismo no século XV. Em caráter comparativo e processual este exame vem a ser essencial para se perceber as continuidades neste processo intelectual e ao mesmo tempo técnico que se engendrou na Europa moderna em tempos de humanismo (ROSSI, 1992).
Em toda a história da humanidade ocorreram algumas “Revoluções” de cunho técnico, epistemológico e científico. Aponta-se a presença destas revoluções em determinadas sociedades nos mais diversos tempos históricos, tal qual defende Price (1976), assinalando tal característica para a Babilônia, Grécia, Al Andaluz, Europa moderna, entre outros.

Mas a revolução que mudou a forma de encarar a natureza e que gerou a moderna concepção científica, foi a que começou no século XV e se prolongou até o fim do século XVI. De fato suas conseqüências foram tão grandes que, com toda a razão, muitas vezes a chamam “A Revolução Científica” (RONAN, 1997, p. 07).

Assim define Colin Ronan (1997), ilustrando explicitamente a importância desta revolução não somente científica e técnica, mas também na forma de conceber, enxergar e representar o mundo (CHARTIER, 1990). Teria ela uma relevância intensa no que viria a se tornar a Europa moderna e mesmo o mundo colonial por ela conquistado através das técnicas desenvolvidas a partir desta revolução. Contudo, não só ao campo empírico, esta revolução proporcionou frutos. “A revolução científica de 1500-1600 não apenas afetou todos os campos da ciência como mudou as técnicas de investigação científicas, os objetos que o cientista estabelecia para si mesmo” (RONAN, 1997, p. 08) e o papel que a ciência poderia desempenhar na filosofia e até na própria sociedade. Uma mudança tão profunda não poderia acontecer simplesmente por si mesma, mas foi uma modificação geral no modo pelo qual o homem via a sim mesmo e ao mundo em que vivia.

A Europa Ocidental e, principalmente mediterrânica, desde segunda metade do século XV passava por transformações intensas no que consta aos seus contatos extra-europeus, mudanças em sua organização política e territorial bem como na maneira de pensar de suas populações. Esta nova conjuntura sócio-política e cultural é que possibilitaria o nascer da ciência crítica moderna quantitativa e racionalista. Durante o início da idade moderna européia podem-se apontar alguns elementos de destaque que inovaram consideravelmente a vida intelectual da elite artística e filosófica .

O “Renascimento” foi um dos principais deles. Movimento iniciado nos principados italianos e patrocinado pela burguesia mercantil e urbana local, teve grande importância na inovação artística e mesmo intelectual em boa parte da Europa ocidental e central. A superação de uma perspectiva uniforme e teológica medieval — tanto de cunho artístico quanto mental — pôde ser percebida nas mais diversas manifestações humanas neste contexto geográfico, como o caso das próprias representações religiosas e políticas.

“Começou, de modo crescente, a secularizar as atitudes dos homens, encorajando-os a reconhecer a beleza do mundo natural e não apenas em um mundo limitado pelas imagens sacras” (RONAN, 1997, p. 08).

O mundo antes conceituado e vivido a partir de uma metafísica cristã, agora se abria em possibilidades físicas observáveis concretamente a partir da sensibilidade humana. O centro do mundo deixara de ser o theos e tornava a virar-se a capacidade do homem em si. A chave desta perspectiva denominou-se Humanismo.

O Humanismo era a corrente filosófica do renascimento. Dedicava-se ao estudo dos conhecimentos antigos. Escritos gregos, romanos e hebraicos foram traduzidos e valorizados. O retorno à filosofia grega, através das traduções dos árabes, possibilitou um novo patamar de compreensão apagado no mundo medieval. O “homem” era o centro e as possibilidades estavam no observar concreto e sensível (HENRY, 1998).

“O humanismo e a independência de pensamento, que a renascença encorajou, teriam como efeito a fragmentação da cristandade” (RONAN, 1997, p. 11).

Esta foi outra das características que compunham a conjuntura do nascimento da Revolução Científica dos séculos XV e XVI. O pensamento crítico alentado pelas propostas humanistas proporcionou mesmo o questionamento de validade social sobre a maior e mais poderosa instituição do período medieval: a Igreja Católica Romana. Várias correntes religiosas cristãs surgiram na Europa, tendo vários Estados nascentes abraçados tais propostas. Nesses locais a ciência teve destacado papel, principalmente nas áreas de matemática e astronomia.

Outro importante evento gerou profundas repercussões tanto econômicas quanto mentais em toda a Europa: a descoberta do “Novo Mundo”. A Europa deixou de recolher-se em si mesma, como fizera durante boa parte da Idade Média para explorar o mundo dos “outros” (HARTOG, 1999). E mais,

“o fato de que os povos antigos, apesar do brilho de sua civilização, não haviam chegado a conhecer tudo o que se deveria conhecer sobre o mundo; isso significava que o homem tinha apenas observar para que fosse possível fazer descobertas” (RONAN, 1997, p. 13-14).

Nesse contexto surgem homens que revolucionaram tanto o método de observação quanto de reflexão dos fenômenos científicos.

O desenvolvimento da física durante a renascença é, de certa forma, frustrante. Certamente houve um progresso no estudo do magnetismo terrestre, realizaram-se alguns trabalhos em óptica e teve lugar um pequeno incremento na compreensão de almas questões referentes à mecânica, mas mesmo assim o progresso foi pequeno (RONAN, 1997, p. 36).

Nesses cientistas renascentistas, podem-se apontar alguns axiomas essenciais em seus métodos de pesquisas. Pressupostos epistemológicos que guiaram a observação e a metodologia analítica destes filósofos que compuseram o panteão intelectual dos séculos XV e XVI. O axioma trata-se do Racionalismo. Para aqueles cientistas modernos, as coisas exteriores (a Natureza, a vida social e política) podem ser conhecidas desde que sejam consideradas representações, ou seja, idéias ou conceitos formulados pelo sujeito do conhecimento.

Isso significa, por um lado, que tudo o que pode ser conhecido deve poder ser transformado num conceito ou numa idéia clara e distinta, demonstrável e necessária, formulada pelo intelecto; e, por outro lado, que a Natureza e a sociedade ou política podem ser inteiramente conhecidas pelo sujeito, porque elas são inteligíveis em si mesmas, isto é, são racionais em si mesmas e propensas a serem representadas pelas idéias do sujeito do conhecimento.

Axioma essencial neste contexto científico, o Mecanicismo teve destacada importância. O Mecanicismo é uma teoria filosófica segundo a qual todos os fenômenos que se manifestam nos seres vivos são mecanicamente determinados e, em última análise, essencialmente de natureza físico-química. Esta postura opõe-se às explicações vitalistas que postulam a existência de uma força ou impulso vital sem a qual a vida não poderia ser explicada (BURKE, 2003).

Nesta conjuntura revolucionária no campo intelectual surge René Descartes (1595-1650). Este francês dedicou sua vida à geometria analítica, contudo, sua maior contribuição foi metodológica. Em sua obra O Discurso do Método, Descartes propõe um método essencial para a construção do conhecimento científico. Baseava-se na racionalidade e na dedução, agrupando todas as observações para então inferir resultados.

Esta ciência fruto do Renascimento sofrerá imensas tranformações no decorrer do século XVIII, onde serão propostos novos métodos, novos objetos terão destaque na análise científica e a técnica e a ciência sofreram um processo de almagamamento nunca antes visto.




A CIÊNCIA NO SÉCULO XVIII


O fomento que a ciência conheceu no Renascimento contrasta com o início do século, onde, nas primeiras décadas, aconteceu certa estagnação. Alguns historiadores, dentre eles Whitehead (1951), pensam a produção científica do século XVIII como simples continuidade do período “glorioso” anterior. Assim, este período seria caracterizado por uma tendência menor, não haveria produzido um desenvolvimento do conhecimento proporcional ao século anterior.

Sobre este respeito, nos declara Bernal (1976):

“El impulso originário que habia creado la ciência em el Renascimiento y la habia guiado a traves de la gran expasion de mediados del siglo XVII, parecio disminuir, y aun extinguirse, a finales del mismo siglo” (BERNAL, 1976, p. 391).

Para Bernal (1976), explica-se este decréscimo da prática científica de duas maneiras. Do ponto de vista interno, o newtonianismo conferiu a ciência um caráter acabado, devido, aos grandes êxitos propiciados por estes procedimentos. No contexto social, vemos a substituição de uma classe que impulsionava o “avanço”. Ela havia sido sucedida por um segmento menos propenso a investimentos. Ainda nos diz o autor:

Esta, la primera aristocracia Whig, considero mas segura la inversion em la tierray satisfazo su intereses especulador em aventuras tan gloriosas como la estafa del mar do Sur. La clase que la sucederia em el poder, los nacientes pero muy debiles manufactureros que más tarde originarían la Revolucion Industrial, no eram todavia conscientes das posibilidades o siquiera la existência de la ciencia (BERNAL, 1976, p. 391).

Contudo, pensar o século XVIII como um período de infrutífero para a ciência é negligenciar o processo global, uma vez que, em meados deste século, a ciência alcançaria um enorme respeito na produção da verdade social. Para Bernal (1976) se processa uma segunda revolução científica durante o século das luzes, ligada química, o que ele chama de “revolução neumatica”.

A Revolução Científica moderna operou com premissas e postulados que viriam a sofrer a perda de sua preponderância frente a novos paradigmas e metodologias. O racionalismo e o dedutivismo foram à base metodológica que corroborou todo o pensamento mecanicista deste período inicial. Assim, temos na ciência da modernidade duas metodologias bem evidentes. No primeiro momento da ciência, na sua gênese e luta pela sobrevivência, o racionalismo e o dedutivismo firmaram-se como métodos “oficiais”, era a matemática a principal linguagem do mundo; tendo o pensamento cartesiano influenciado profundamente toda prática científica. Posteriormente, no século XVIII, o racionalismo cartesiano cedera lugar ao experimentalismo newtoniano. A indução ganha o lugar da dedução. Claro está, que a ascensão de uma metodologia não coincide, necessariamente, com extinção de outra. Trata-se de uma generalização, e de observar qual método detinha, neste momento, a hegemonia. O pensamento de Newton contribui decisivamente para a preeminência do experimentalismo, além de fatores sociais que serão adiante explicitados. Este é o período de institucionalização da ciência. Exatamente quando ocorre uma cientifização das idéias, sobretudo, as políticas. A este respeito coloca Japiassu (1997):

"Graças a influencia de Newton, a ciência se estabiliza. A ciência torna-se uma instituição respeitável [...]. Os filósofos do século XVIII puderam tomar como verdade a visão cientifica do mundo legada por Newton: estenderam e reconciliaram suas conclusões com o padrão sócio-econômico em desenvolvimento" (JAPIASSU, 1997, p. 245).

Os “avanços” oriundos do campo científico, sob a tradição do newtonianismo, somados com outras variantes ligadas a ascensão da burguesia, vão imbuir todo o século XVIII da noção de “progresso”. Vai estabelecendo uma relação, sem precedentes, na forma com que interagem a ciência e o poder político. Ocorre uma cientifizacão nos modelos de explicação social, bem como uma absorção da idéia de ciência enquanto instrumento indispensável para a organização da sociedade. Poder-se-ia argumentar que isto remonta uma tradição baconiana, mas o status e a força que ganha o discurso científico, marcam o otimismo e a esperança na capacidade da ciência explicar e, agora, atuar praticamente sob o mundo. Assim, teoria e pratica; ciência e política; começam a imbricassem, de tal modo, que durante o século XIX, será quase que impossível traçar uma linha rígida sobre onde começa uma e acaba a outra. Bernal (1976) evidencia este caráter de intervenção no mundo que começa a surgir neste século:

"Muy pocas cosas de uso práctico se seguiron de los esfuersos de los científicos del siglo XVII, organizados em sus sociedades y academias, para mejorar los manufacturados o la agricultura. Por en contrario, a finales del siglo XVIII comenzóa advertirse La conjugacionde las innovaciones cientificas y capitalistas, y su conjugacion puso en movimiento fuerzas que transformarían el capitalismo, la ciência y la vida de todos los pueblos del mundo." (BERNAL, 1997, p. 398)

O século XVIII fornece ao “mundo” um modelo científico-social: a utopia técnica. Exatamente esta visão que o conhecimento verdadeiro — o científico — libertará o homem das suas angustias e debilidades. O próprio iluminismo forjará o acúmulo de conhecimento com “estágios” progressivos de felicidade e racionalidade. Como nos indica Japiassu (1997):

Nele vai apoiar-se o “espírito do iluminismo”, fundado tanto na crença de que a razão e a ciência permitem ao homem alcançar graus cada vez maiores de liberdade e um nível crescente de perfeição quanto na idéia de que o progresso intelectual deve servir constantemente para o progresso geral do homem. Com efeito, diferentemente dos pensadores do século XVII, os filósofos do iluminismo construíram um ideal de explicação e de compreensão segundo o modelo da física de Newton (JAPIASSU, 1997, p. 223).

Esta inflexão no pensamento científico, durante o século XVIII, é visível em outras instâncias da produção do conhecimento, inclusive na organização e institucionalização da ciência, mediados pelas sociedades científicas e pela própria universidade.

A DIFUSÃO DA CIÊNCIA NA EUROPA E AS ACADEMIAS CIENTÍFICAS



Durante o século XVIII, a Europa começou a intensificar os meios de transmissão de saber. A impressão de livros exerceu papel fundamental para que a ciência fosse propagada por todo o continente. Will Durant (1964) postula que “os primeiros heróis da divulgação do saber foram os impressores-editores, que alimentaram a corrente de tinta na qual ele fluiu de espírito a espírito e de geração a geração” (DURANT, 1964, p. 199).

Partindo do que afirma Durant (1964), poderemos, também, dar um estimado valor ao papel das bibliotecas. Ora, se a intensificação na publicação das obras garantiu que o livro pudesse fluir “de espírito a espírito e de geração a geração”, as bibliotecas eram o ambiente mais propício para se discutir e acumular as obras antigas. Não podemos deixar de considerar que o aumento na publicação dos livros e no número de bibliotecas, se deu muitas vezes pelo patrocínio do Estado; como exemplo, temos Catarina de Médicis, que acrescentou à Bibliotetèque Nationale vários volumes e manuscritos (DURANT, 1964).

É justamente o apoio do Estado que garantirá que a ciência seja difundida com mais facilidade. Os filósofos naturais foram “recrutados” das universidades para as cortes para atender aos interesses dos governantes. Entretanto, essa submissão dos filósofos naturais aos absolutistas não representava que o poder do monarca estivesse acima da ciência; as universidades não possuíam um arcabouço suficiente para as inovações científicas do século XVIII.

Quando nos referimos à falta de arcabouço das universidades, não estamos nos referindo a uma estrutura precária da instituição, estamos falando em um plano ideológico. As universidades assumiam uma postura conservadora em relação ao incentivo para novas descobertas científicas. Peter Burke (2003) afirma que as universidades estavam mais voltadas para a manutenção e simples transmissão do saber, do que para, realmente, incentivar as inovadoras práticas científicas.

Dessa maneira, os filósofos naturais não puderam desenvolver dentro do conservadorismo universitário as suas experimentações científicas nem propor novas metodologias de trabalhos. Galileu Galilei, por exemplo, desenvolveu as suas pesquisas fora das universidades. Embora tenha sido professor universitário, foi com o patrocínio do Estado que pôde desenvolver as suas práticas científicas e as suas propostas metodológicas.

Se as universidades européias não permitiram grandes avanços para a ciência empírica do século XVIII, era a corte quem exerceu papel fundamental na propagação do conhecimento científico. Conforme Henry (1998):

"Mudanças na natureza e na estrutura das cortes reais numa Europa de Estados cada vez mais absolutistas também deram ao mathematicus oportunidades mais amplas de fazer sentir a sua presença. O matemático que conseguia impressionar o príncipe com a sua produção de mirabilia, máquinas ou cenários para espetáculos teatrais e outros aperfeiçoamentos da imagem do príncipe podia elevar-se acima daqueles envolvidos apenas na administração do Estado" (HENRY, 1998, p. 27).

John Henry (1998), ao afirmar que os mathematicus que impressionavam os príncipes elevavam seu status, mostra-nos que, inicialmente, os interesses dos absolutistas com os filósofos naturais estavam ligados ao seu divertimento. Entretanto, não é de se admirar que a ciência se transforme em um instrumento de poder do Estado. A finalidade prática do conhecimento científico teria mais utilidades que o lúdico para as cortes; a matemática — continuando com o exemplo — seria fundamental na organização militar dos exércitos e em finalidades puramente comerciais.
O crescente interesse do Estado pela ciência gerou transformações pela Europa. Ao raiar do século XVIII, já existiam mais de 600 academias científicas no leste europeu (RONAN, 1997). A institucionalização da ciência nas academias científicas marca a Revolução Científica do século XVIII; dando ao conhecimento científico o suporte para que o saber fosse propagado de maneira empírica.

Entre as academias, destacaremos a Royal Society de Londres, aquela que melhor representou as finalidades das academias científicas. Antes do emergir da Royal Society, alguns Estados absolutistas já investiam na ciência fora dos muros da universidade. Destaque-se o Observatório de Greenwich e de Paris; as academias de eruditos de Nápoles; e, em Florença, a Academia do Lincei. Todos esses centros estavam voltados para a ciência experimental.

Em Londres, com o aval de Elizabeth I, foi fundado por um de seus conselheiros financeiros, Sir Thomas Gresham, uma academia que não se limitasse a simples obtenção de conhecimento puro e pretendia algo mais que a proposta das universidades.

A idéia de Gresham era que sua faculdade abrigasse sete professores residentes, que fariam conferências públicas tanto em inglês quanto em latim, devendo algumas delas tratar de matérias científicas práticas, não constantes, então de nenhum currículo de qualquer universidade (RONAN, 1997, p. 109).

O Gresham Collegue foi fundamental para a fundação da Royal Society of London for Improving Natural Knowledge, porém, foi o pensamento de Francis Bacon que permitiu que essa academia britânica tivesse a importância que teve para a ciência do século XVIII. Bacon tinha o seu pensamento voltado para uma ciência experimental voltada à assistência do homem ao invés da aquisição do conhecimento puro.

O empirismo se propaga em vários ramos do conhecimento científico. A física, por exemplo, tem os estudos de óptica aprimorados e voltados para finalidades práticas (telescopia e microscopia). A química apresenta como novidade o vácuo no estudo dos gases, que vai de encontro à concepção aristotélica sobre a impossibilidade de existir algo como o vácuo. A geologia é elevada ao status de ciência; o crescente interesse pela paleontologia dá às ciências da terra um maior interesse de pesquisa pelos intelectuais. A biologia sofre um processo de maior sistematização do conhecimento, com destaque para a cirurgia que passa a usar métodos científicos, e desprezar o antigo “método de sorte”.

A Royal Society começou a divulgar e publicar a obra dos seus integrantes em bilíngüe (latim e inglês). Eis um ponto crucial para a difusão da ciência: a língua. Enquanto o latim privava o público do acesso às obras científicas; o inglês permitia uma maior aquisição e absorção dos livros. Quando a Royal Society passa a publicar obras em vernáculo, a academia estende ainda mais a propagação científica no século XVIII, e conseqüentemente, aumenta o interesse pelo conhecimento científico, agora não só por parte do Estado, mas dos comerciantes e de uma população mais esclarecida.





UMA INTERPRETAÇÃO EXTERNALISTA DA HISTÓRIA DA CIÊNCIA:
A RELAÇÃO CAPITALISMO/BURGUESIA E TECNOLOGIA/CIÊNCIA


Como tínhamos dito, a linha de pensamento externalista de análise da História da Ciência é uma tendência de enxergar o desenvolvimento das idéias científicas enquanto reflexo de uma determinada sociedade.
Nessa maneira de pensar, a ciência se desenvolveria em respostas às necessidades mais diversas da sociedade, ainda que fossem elas econômicas, políticas, militares, enfim, as mais variadas questões imprescindíveis, principalmente a um determinado grupo social específico, patrocinador do desenvolvimento da ciência, que no caso da Ciência Moderna, seria a burguesia.

No cerne oposto à corrente externalista, o paradigma internalista da História da Ciência, que admite que a ciência se incrementa de novos paradigmas e conceitos per si e para si, vê o desenvolvimento científico totalmente desvinculado da realidade concreta vivenciada pelos cientistas, ou seja, de uma maneira pura em si mesmo.
Hilton Japiassu (1991) evidencia ambas as correntes de pensamento no seguinte fragmento: “A ciência moderna nasceu com o advento do sistema mercantilista. Não surgiu como uma atividade pura e desinteressada, como uma aventura espiritual ou intelectual” (JAPIASSU, 1991, p. 157).

Portanto, quando analisamos o brotar da ciência na Idade Moderna, não podemos desvincular, segundo a ótica externalista, todo o quadro sócio-econômico de então. O capitalismo comercial, ou capitalismo mercantil, ou mercantilismo, ou mesmo pré-capitalismo, assiste e ao mesmo tempo fomenta ao desabrochar dos mais variados campos científicos.

Nesse período, uma classe social que irá se consolidar definitivamente no século XIX, começa a dar seus primeiros sinais de proeminência econômica: a burguesia. Obviamente não a burguesia clássica dos romances do XIX, mas uma burguesia ainda hesitante, uma “burguesia anobrezada”, que ainda investia na aquisição de terras, e na compra de títulos de nobreza. No entanto, uma classe social já de considerável destaque financeiro.

Objetivamente, para a corrente externalista de interpretação da História da Ciência, essa necessidade comercial, alavancada principalmente pela expansão ultramarina, fez com que a ciência começasse a se desenvolver.

A ciência era extremamente ligada às práticas comerciais, e com isso, vemos a aparição e o crescimento, por exemplo: da Astronomia, da Cartografia, da Geologia, da Geografia — ciências estas essenciais à eficiência navegação; da matemática, que atende às necessidades da contabilidade financeira (empréstimos, juros, etc.) do período; e assistimos, outrossim, ao desenvolvimento da Engenharia Bélica, incitada pela concorrência entre estados rivais.

Esta inventividade técnica desenvolvia um jogo dialético com a economia de então: ao mesmo tempo em que ela desenvolvia e estimulava o comércio, era estimulada por ele. Na prática, acontecia um reforço mútuo entre o saber e o comércio.

Todo esse processo atingia diretamente a própria burguesia, a grande beneficiária de todo este desenvolvimento econômico-científico. Tais acontecimentos ocorreram pioneiramente nos países da Península Ibéria (Portugal e Espanha). No entanto, por razões diversas, a burguesia se viu perseguida nessas sociedades.

É neste momento — nos séculos XVII e XVIII — que o eixo das grandes mudanças, dos grandes acontecimentos, transfere-se para os países do norte, notadamente Inglaterra e França. É nesses dois países que a burguesia se consolida politicamente, primeiro na Inglaterra no século XVII, e posteriormente na França, em fins do século XVIII.

A partir daí a ciência sofre um impulso jamais visto durante a História. É o momento em que a economia gira em torno de uma esfera que passará a ser central e essencial na vida das sociedades de então: da produção. O capital agora não advém apenas do comércio, da circulação de bens.

Portanto, a ciência institucionalizada politicamente, passa agora a ter um papel muito mais relevante socialmente durante, principalmente o século XVIII. Karl Marx & Friedrich Engels (2006), no Manifesto do Partido Comunista, que data de 1848, escrevem sobre estas transformações ocasionadas pela ascensão e consolidação política da burguesia:

"Em seu domínio de classe de apenas cem anos, a burguesia criou forças produtivas mais poderosas e colossais do que todas as gerações passadas em conjunto. Subjugação das forças da natureza, maquinaria, a aplicação da química na indústria e na agricultura, navegação à vapor, ferrovias, telégrafos elétrico, exploração de continentes inteiros, navegabilidade dos rios, populações inteiras brotadas do solo como que por encanto — qual século anterior poderia suspeitar que semelhantes forças produtivas estivessem adormecidas no seio do trabalho social?" (MARX; ENGELS, 2006, p. 50).

Portanto, logo podemos perceber o quanto se transformou a ciência originária do período da Renascença. Nos séculos XV e XVI, a ciência, sem dúvida, tem uma empregabilidade técnica, no entanto, não na mesma proporção que irá atingir nos séculos XVII, e principalmente no XVII.

No período inicial, a ciência estava bastante ligada ao comércio, já no século XVIII, a produtividade se tornou questão primordial. Nesse período, aparecem os investimentos em novas tecnologias de produção, de indústria, ainda que embrionária.
John Bernal (1976) nos elucida muito bem acerca desta temática das diferenças existentes entre a ciência renascentista e a do período das luzes:

"El Mayor estímulo y empleo práctico de la ciência se había dado en el ámbito de la navegación, apéndice indispensável del comércio pero sólo indirectamente relacionado com la produción. [...] Por el contrário, a finales del seglo XVIII comenzó a advertirse la conjugación de las innovaciones científicas y capitalistas, y su interacción puso en movimiento fuerzas que transformarían el capitalismo, la ciência y la vida de todos los pueblos del mundo" (BERNAL, 1976, p. 398).




CONSIDERAÇÕES FINAIS


As mudanças do conhecimento do século XVIII foram explanadas de tal maneira que se pudessem perceber as suas divergências em relação à ciência renascentista, do século XV e XVI. Ao longo deste trabalho, portanto, procurou-se evidenciar, analisar, e exemplificar as transformações e as continuidades que ocorreram durante o processo de formação da ciência das luzes.

O newtonianismo, internamente, conferiu à ciência um status quase que acabado, proporcionado graças ao grande êxito dos seus novos procedimentos, notadamente os empíricos. E, externamente, observamos o alvorecer da burguesia, como classe social patrocinadora desse desenvolvimento científico, e o reflexo no crescimento econômico, de maneira especial na França e na Inglaterra, especificamente ao longo do século XVIII.

A ciência no século XVIII conseguiu, portanto, uma reverência global na produção de verdades sociais. Vemos este reflexo no aparecimento das Academias Científicas e nas próprias universidades. É este, portanto, o processo de institucionalização da ciência moderna.







REFERÊNCIAS:


BERNAL, John D. Historia social de la Ciência: La ciência em la historia. Volume I. Barcelona: Edições Península, 1976.

BURKE, Peter. Uma História Social do Conhecimento: de Gutemberg a Diderot. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003.

CHARTIER, Roger. A História Cultural: Entre práticas e representações. Lisboa: DIFEL, 1990.

HARTOG, François. O Espelho de Heródoto: Ensaios sobre a representação do outro. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1999.

HEGENBERG, Leônidas. Explicações Científicas: Introdução à Filosofia da Ciência. São Paulo: EDUSP, 1973.

HENRY, John. A Revolução Científica e as origens da Ciência Moderna. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998.

JAPIASSU, Hilton. As Paixões da Ciência: estudos de História da Ciência. São Paulo: Letras e Letras, 1991.

JAPIASSU, Hilton. A Revolução Científica Moderna. De Galileu a Newton. São Paulo: Letras e Letras, 1997.

KEARNEY, Hugh. Orígenes de la Ciência Moderna 1500-1700. Madrid: Guadarama, 1970.

MARVIN, Perry. Civilização Ocidental: uma história concisa. São Paulo: Martins Fontes, 1985.

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. São Paulo: Mantin Claret, 2006.

MOCELLIN, Ronei C. Uma Breve História da Ciência. Curitiba: Nova Didática, 2000.

PRICE, Derek de Solla. A Ciência desde a Babilônia. São Paulo: EDUSP, 1976.

RONAN, Colin. História Ilustrada da Ciência: da Renascença à Revolução Científica. Volume III. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997.

ROSSI, Paulo. A Ciência e a Filosofia dos Modernos. São Paulo: UNESP, 1992.

ROSSI, Paulo. O Nascimento da Ciência Moderna na Europa. São Paulo: EDUSP, 2001.

TATON, René (org.). História Geral das Ciências: o século XVIII. Tomo II. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1960.

WHITEHEAD, A. N. A Ciência e o Mundo Moderno. São Paulo: Brasiliense, 1951.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Feliz Páscoa

Ontem ocorreu o lançamento de seis volumes de belas cartas escritas por Com Hélder Câmara. Na leitura da primeira carta já podemos intuir da importância de ler o que escreveu esse Dom, ali, quando está relatando os primeiros momentos do Concílio, ela já nos apresenta o que virá em seguida. Uma inteligência, uma pessoa que entende o que se passa ao redor, alguém que nos aponta o que será feito enquanto organiza o seu tempo, não apenas o seu tempo pessoal, mas o de toda uma comunidade com a qual está conectada. Uma dádiva divina ter convivido com o DOM, especialmente no tempo em que ele realizou, com maior clareza possível a um homem, os desígnios de seu Deus. Todos os que puderem devem comprar e ler, os que não puderem comprar devem ler, e os mais abastados devem doar essa coleção a alguma biblioteca pública. As cartas do Dom são documentos históricos, são documentos de nossa história.
Assim, pensando no Dom da Vida, escrevo hoje para desejar aos cristãos e aos não cristãos, uma boa Páscoa, uma boa passagem para dias melhores, mais alegres, mais justos, mais felizes, e que isso aconteça diariamente. Que este seja um momento de fertilidade de nossa imaginação, de nossas vidas, em nossas ocupações. Que sejamos portadores dessa esperança que a idéia de Páscoa carrega: vida nova, vida nascente, vida permanente.
Que sejamos portadores do Dom da Vida. Assim seremos pascoais.

domingo, 5 de abril de 2009

Obras Completas de Dom Hélder

OBRAS COMPLETAS DE DOM HELDER

Lançamento de 6 volumes das Obras Completas de Dom Helder, editados pela CEPE, sendo 3 vol. das Circulares Conciliares (o Vol. I é reedição) e 3 vol. das Circulares Inter-conciliares.


DIA: 14 de Abril de 2009

Hora: 19h

Local: Arcádia/Paço Alfândega (último andar)
Recife Antigo

sexta-feira, 27 de março de 2009

Que História é essa - programaçao de abril

PROGRAMA
QUE HISTÓRIA É ESSA


A Rádio Universitária AM 820 apresenta o programa Que História é essa, todas as quartas feiras, das nove às dez da manhã, com produção do professor Severino Vicente da Silva, do Departamento de História da UFPE.
O programa é apresentado pelo professor Biu Vicente e conta com a presença de convidados que atuam nas áreas de pesquisa e ensino de História para a realização de entrevistas e conversas sobre suas experiências.
A programação para o mês de Março conta com a participação dos seguintes convidados:

 01 de abril – Profº Antonio Carlos Motta Lima - UFPE

08 de abril – Profº Drance Elias – UNICAP

15 de abril – Profº Ricardo José Barbosa - UFPE

22 de abril – Profº Artur Peregrino – UNICAP

29 de abril - Profº Degislando Lima – UNICAP

A produção do programa está recebendo textos de opinião sobre as histórias das ruas da cidade e região metropolitana, contendo a história dos nomes das ruas ou comentários sobre seu desenvolvimento ao longo dos anos. Também recebemos comentários sobre livros que você leu. Os textos podem ser enviados para o nosso e-mail historia820am@yahoo.com.br, assim como sua opinião ou comentário.
Contamos com a sua colaboração para a promoção e divulgação desse veículo de comunicação que o acesso aos meios radiofônicos possibilita.

Ouça a Rádio Universitária Am 820 KLH na internet – Acesse www.tvu.ufpe.br e em seguida clique em AM ao Vivo.