quinta-feira, 19 de junho de 2008

Mitos e lendas de Pernambuco

Universidade Federal de Pernambuco – UFPE
Centro de Artes e Comunicação – CAC
Curso: Turismo
Disciplina: História da Cultura
Prof.Severino Vicente da Silva





MITOS E LENDAS DE PERNAMBUCO








Equipe: Thomás Galvão
Jeckson Andrade
Andreza Campos
Rhaissa Cezar
Caroline Carvalho






Recife, 11 de junho de 2008.
Sumário


Introdução......................................................................................................................... 1
Lendas e Mitos de Pernambuco....................................................................................... 2
A Lenda........................................................................................................................... 2
O Mito......................................................................................................................... 3
Lendas e Mitos de Pernambuco (por região)................................................................... 4
Zona da Mata................................................................................................................... 4
Litoral.............................................................................................................................. 5
Sertão.............................................................................................................................. 6
Região Metropolitana........................................................................................................ 7
Todo o Estado.................................................................................................................. 8
Estudiosos sobre Mitos e Lendas.................................................................................. 10
Luís Câmara Cascudo..................................................................................................... 10
Gilberto Freyre................................................................................................................ 11
Lendas do Recife: um novo modo de explorar o Turismo............................................. 13
Considerações Finais...................................................................................................... 14
Bibliografia...................................................................................................................... 15











Introdução

“As formas mais interessantes da literatura oral são os contos, os mitos e as lendas. Eles exprimem a concepção do mundo compartilhada pelos membros de uma coletividade e servem para reforçar a solidariedade social e a coesão moral do grupo. Dizem que a imaginação do povo, com suas maneiras peculiares de expressão, é que espalha na terra os encantos, as ilusões e as virtudes.” (MEGALE, Nilza Botelho, 2001)

As lendas e mitos são manifestações da cultura de um povo e tem sua natureza na oralidade, já que é esse o principal meio de transmissão dos mesmos. Não há um consenso na definição dessas duas manifestações, o que amplia ainda mais a compreensão de seus significados, mas sabemos que estão inseridos num contexto sócio-cultural, e que podem estar associados a um local e a um determinado espaço de tempo. É válido ressaltar que o que é considerado mito em uma cultura, pode ser lenda, ou conto, ou caso em outras culturas. Porém no mito e na lenda há uma carga emocional muito forte do fator crença, algo que é fundamental para o processo de sobrevivência de ambos e é também uma das características que os destaca das demais formas narrativas.
São muito associados ao conceito de folclore e são, geralmente, alvos de análise da Sociologia, História e Filosofia, porém de uns anos pra cá, já tem aparecido em outros âmbitos científicos, como por exemplo, no universo da lingüística. Isso demonstra que a temática oferece um campo fértil para estudos e pesquisas.
Antigamente os mitos e as lendas não eram abordagens muito utilizadas, principalmente em sala de aula, ao contrário do que acontece hoje, onde é possível se ver um trabalho mais efetivo em cima dessa questão. Inclusive há projetos que utilizam esses aspectos culturais como forma de trabalhar outros assuntos, tais quais sustentabilidade, e educação ambiental.




Lendas e Mitos

A cultura popular tem como essência o imaginário, que configura uma riqueza imprescindível. É nesse campo fértil que o imaginário popular atua, revelando sentimentos que desabrocham em lendas, mitos, contos, crendices, superstições e em outras belezas que retratam a nossa cultura.

A Lenda
Há de se considerar, que as lendas são narrativas que enfeitam e caracterizam um lugar, acompanhadas de mistérios, assombrações e medo. Não se sabe ao certo como nasceram e criaram as lendas. Elas acompanham fatos e acontecimentos comuns, ilustrada por cenários exóticos e de curta extensão. Muitas vezes são fatos verídicos acrescentados de novos dados ou até mesmo recriados. Podendo ser muito confundida com os mitos. Para Paulo de Carvalho Neto: “Lenda – É uma narrativa imaginária que possui raízes na realidade objetiva. É sempre localizável, isto é, ligada ao lugar geográfico determinado.”
Afonso Arinos entende lenda como: “Lenda vem de ‘ler’, como ‘legenda’ vem do latim ‘legere’; é o que deve ser lido. Era de costume nos conventos e mosteiros, desde os primeiros tempos da era cristã, fazer cada dia, à hora das refeições em comum nos vastos refeitórios, a leitura da vida do santo que dava o nome ao dia. Daí a denominação ‘lenda’; o trecho a ser lido. A lenda era a biografia dos santos e bem aventurados. Como fossem diárias as leituras e pudessem faltar as biografias, foram sendo compostas ou acrescentadas com as ações que a fé ardente dos autores atribuía a seus heróis. Não podia haver lenda sem sinceridade e simpleza no coração. Em todos os casos, ainda quando reconhecida depois como fabulosa, a lenda foi sempre na sua origem a expressão naquilo que ele julga sinceramente a verdade.
Para Câmara Cascudo:
“As lendas são episódio heróico ou sentimental com elemento
maravilhoso ou sobre-humano, transmitido e conservado na tradição oral e
popular, localizável no espaço e no tempo. De origem letrada, lenda,
legenda, “legere” possui características de fixação geográfica e pequena
deformação e conserva-se as quatros características do conto popular:
antigüidade, persistência, anonimato e oralidade. É muito confundido com
o mito, dele se distância pela função e confronto.” (p.348) (1976)


O Mito
O Mito é uma narrativa tradicional, com caráter explicativo e/ou simbólico. Procura explicar os principais acontecimentos da vida, os fenômenos naturais, as origens do mundo e do homem por meio de deuses, semi-deuses e heróis (criaturas sobrenaturais). Pode-se dizer que o mito é uma primeira tentativa de explicar a realidade. Ele tem natureza filosófica própria, pois procura através de argumentos, saber e explicar sua realidade, mesmo que, para nós, não sejam tão claras de serem compreendidas.
Comumente, associa-se erroneamente, o conceito de mito a mentira, ilusão, ídolo e lenda. O mito não é uma mentira, pois é verdadeiro para quem a vive. A narração de determinada história mítica é a primeira atribuição de sentido ao mundo, sobre o qual a afetividade e a imaginação exercem grande papel. Não podemos afirmar também que o mito é uma ilusão, pois sua história segue uma linha de raciocínio mesmo que não tenha uma lógica. Fatos históricos podem transformar-se em mitos se adquirirem uma determinada carga simbólica para uma dada cultura.
Devemos diferenciar mito e ídolo, pois mesmo existindo uma relação entre eles, o mito é muito “maior” que o ídolo (objeto de paixão, veneração). Como exemplo, temos a história do Super-Homem. Ele representa um ídolo, pois é venerado. Porém sua história é mítica, devido ao fato de representar todos os momentos de fracassos do ser humano na pele de Clark Kent, e por outro lado, como Super-Homem assume a capacidade de ter sucesso pleno em todas as áreas. Assim, o Super-Homem é um ídolo, porém sua história é mítica, sendo a única forma de representar a incapacidade do pleno sucesso humano, sem frustrações; pois o único que conseguiria tal feito seria um super herói, e já que esse não existe, os seres humanos ficam mais conformados com suas limitações e “criam” o mito do Super-Homem para poderem “falsamente” confortar-se com sua realidade.
Segundo Luís da Câmara Cascudo “O mito pode ser um sistema de lendas, gravitando ao redor de um tema central com área geográfica mais ampla e sem exigências de fixação no tempo e no espaço...”. (1976)
A nossa forma de compreensão do mundo dessacraliza o pensamento e a ação mítica (isto é, retira dele o caráter de sobrenaturalidade), fazendo surgir a filosofia, a ciência e a religião. Como mito e razão habitam o mesmo mundo, o pensamento reflexivo pode rejeitar alguns mitos, principalmente os que vinculam valores destrutivos ou que levam à desumanização da sociedade.
Agora que já temos um conhecimento prévio sobre as definições e contextualizações de mitos e lendas, partiremos para a abordagem de alguns exemplos que são muito comuns no estado de Pernambuco. É válido ressaltar que os mesmos foram classificados por local de predominância, mas que podem ser encontrados em outros cantos do estado, inclusive do país. Vale salientar também que por serem transmitidos oralmente, possuem um caráter de flexibilidade muito grande, o que faz com que surjam variações de uma mesma história. Fizemos aqui então, um apanhado das principais informações que foram coletadas sobre alguns mitos e lendas.

Lendas e Mitos de Pernambuco

Zona da Mata

A Cumade Fulozinha
Um dos nomes do Caipora-fêmea na cultura lendária de Pernambuco. É conhecida na Paraíba como flor-do-mato. Tem a missão de proteger as matas e os animais que nelas vivem. Como protetora tem o controle de toda a mata. Em dias de caça só favorece aos caçadores, quando por sua vez se vê beneficiada em alguma coisa. Não o sendo, fica irada, e se vinga escondendo a caça, afugentando-a para longe, fazendo com que o homem se canse e nada consiga.
Detesta crianças malcriadas, e carrega consigo um chicote feito de talos de urtiga para dar uma “lição” nos garotos desobedientes, principalmente os que maltratam a natureza. Sua chegada é anunciada com um assovio que funciona da seguinte maneira: quando se escuta de perto, ela está longe, e quando o assovio é escutado ao longe, ela está perto.
Para fazê-la mansa é necessário levar consigo uma lembrança, que se bota num pé de pau e ela vai buscar. De preferência fumo e cachaça. Essa caipora se apresenta como se fora uma menina de doze anos, com os cabelos longos e estirados e de aparência simpática. É sempre vista pelos caçadores que em geral lhe votam grande admiração e respeito, pois sabem que para ter uma boa caça precisam de sua ajuda. As exceções constituem aqueles que se utilizam de pimenta. É coisa que aborrece a Cumade Fulozinha. Mas ela sabe vingar-se.

O Papa-Figo
Mito muito comum em todo meio rural. Acredita-se que a intenção do conto era para alertar as crianças para o contato com estranhos, como no conto de Chapeuzinho Vermelho.
O Papa Figo é um homem muito feio de orelhas enormes que mata crianças para comer seu fígado. Outras vezes, pode parecer como um velho esquisito que carrega um grande saco às costas. Na verdade, ele mesmo pouco aparece. Prefere mandar seus ajudantes em busca de suas vítimas. Os ajudantes por sua vez, usam de todos os artifícios para atrair as vítimas, todas crianças claro, tais como: distribuir presentes, doces, dinheiro, brinquedos ou comida. Eles agem em qualquer lugar público ou em portas de escolas, parques, ou mesmo locais desertos.
Depois de atrair as vítimas, estas são levadas para o verdadeiro Papa-Figo, um sujeito estranho, que sofre de uma doença rara e sem cura. Um sintoma dessa doença seria o crescimento anormal de suas orelhas.
Diz a lenda, que para aliviar os sintomas dessa terrível doença ou maldição, o Papa-Figo, precisa se alimentar do Fígado de uma criança. Feito a extração do fígado, eles costumam deixar junto com a vítima, uma grande quantia em dinheiro, que é para o enterro e também para compensar a família.

Litoral

A Alamoa

Duende feminino que aparece principalmente na ilha Fernando de Noronha. É uma mulher branca, loura, nua, tentando os pescadores ou caminhantes retardados. Transforma-se num esqueleto, endoidecendo o enamorado que a seguiu. Aparece também como uma luz ofuscante, policolor, perseguindo quem foge dela. Sua residência é o Pico, elevação rochosa, de mil pés de altura, absolutamente inacessível.
“As sextas-feiras a pedra do Pico se fende e na chamada porta do Pico aparece uma luz. A Alamoa vaga pelas redondezas. A luz atrai sempre as mariposas e os viandantes. Quando um destes se aproxima da porta do Pico, vê uma mulher loura, nua como Eva antes do pecado. Os habitantes de Fernando chamam-na alamoa, corruptela de alemã, porque para eles mulher loura só pode ser alemã... A vítima entra na porta do Pico, crente de ter entrado para fruir as delícias daquele corpo fascinante. Ele, entretanto, é mais infeliz que o cavaleiro Tannhauser. A ninfa dos montes transforma-se numa caveira baudelairiana. Os seus lindos olhos que tinham o lume das estrelas, são dois buracos horripilantes. E a pedra logo se fecha atrás do louco apaixonado. Ele desaparece para sempre.
(Olavo Dantas, Sob o Céu dos Trópicos, 28, Rio de Janeiro, 1938).

João Galafuz

Nome com que a superstição popular designa uma espécie de assombração, que diz aparecer em certas noites, emergindo das ondas ou surgindo dos cabeços de pedras submersas, como um facho luminoso e multicor, prenúncio de tempestade e naufrágios; crença essa dominante entre os pescadores e homens do mar do norte do Estado de Pernambuco, e principalmente de Itamaracá, dizendo-se que esse fantasma marinho é a alma penada de um caboclo, que morreu pagão, acaso conhecido por João Galafuz. A superstição tem curso também em outros Estados, como Sergipe, porém lá recebe o c nome de Jean de la Foice.

Sertão

O Gritador
Acredita-se que seja um fantasma que ronda o sertão do estado sendo mais comum no vale do São Francisco. O Gritador é também conhecido como “Zé-Capiongo”, e vive gritando dentro da noite. Contam que ele é a alma de um vaqueiro que, desrespeitando a Sexta-Feira da Paixão, saiu a campear e nunca mais voltou. Sumiu misteriosamente com o cavalo, o cachorro e a rês que campeava. Virou assombração. Hoje vive gritando no mato, aboiando uma boiada invisível como ele.
Embora os seus gritos sejam mais ouvidos durante a noite, o Gritador não tem hora para gritar. Dizem que até ao meio-dia ele clama no meio do mato, assombrando os vivos, assustando os bichos. Nas noites de sexta-feira, além do seu aboio triste, são ouvidos o rumor dos cascos do seu cavalo e o ladrar do seu cachorro.

Região Metropolitana do Recife

O Caralho-de-asas

Outra parte do corpo humano transformada em mito é o órgão genital masculino. Em uma versão de narrativa masculina, o “caralho-de-asas” é o responsável pela gravidez de paternidade não-identificada. Em uma narrativa em grupo feminino, a referência ao caralho-de-asas se dá como advertência às moças, para que não tomem banho de rio e de açude, bem como não durmam “desprevenidas”, isto é, sem roupas íntimas. O caralho-de-asas, que parece ser a permanência do mito grego de Leda e o Cisne. Júpiter metamorfoseado em cisne, manteve relações sexuais com a ninfa Leda, a qual veio a conceber os gêmeos Castor e Pólux – tem uma iconografia que foi documentada fotograficamente no Rio de Janeiro e na cidade do Recife. Há também a sua presença como personagem de história em quadrinhos de revistas de palavras cruzadas e enigmas destinados a público masculino, denominado de “passaralho”.

A perna-cabeluda

Os jornais e as emissoras de rádio do Recife divulgaram em varias matérias a aparição de uma perna humana destacada do corpo, cabeluda, que chutava pessoas em diversos subúrbios da região metropolitana. Tal entidade foi objeto de dois folhetos de poetas populares, o que atesta a sua incorporação à cultura folk. A criação desse mito tem sido atribuída ao radialista conhecido como Jota Ferreira. O mito foi objeto, também, da produção de um vídeo, cujo lançamento ocorreu no bar-boate sugestivamente denominado “Boato”.

Todo o estado
A Cabra Cabriola

A Cabra Cabriola, era uma espécie de Cabra, meio bicho, meio monstro. Sua lenda em Pernambuco, é do fim do século XIX e início do século XX. Era um Bicho que deixava qualquer menino arrepiado só de ouvir falar. Soltava fogo e fumaça pelos olhos, nariz e boca. Atacava quem andasse pelas ruas desertas às sextas a noite. Mas, o pior era que a Cabriola entrava nas casas, pelo telhado ou porta, à procura de meninos malcriados e travessos, e cantava mais ou menos assim, quando se aproximava:
Eu sou a Cabra Cabriola Que como meninos aos pares Também comerei a vós Uns carochinhos de nada...
As crianças não podiam sair de perto das mães, ao escutarem qualquer ruído estranho perto da casa. Podia ser qualquer outro bicho, ou então a Cabriola, assim era bom não arriscar. Astuta como uma Raposa e fétida como um bode, assim era ela. Em casa de menino obediente, bom para a mãe, que não mijasse na cama e não fosse traquino, a Cabra Cabriola, não passava nem perto.
Quando no silêncio da noite, alguma criança chorava, diziam que a Cabriola estava devorando algum malcriado. O melhor nessa hora era rezar o Pai Nosso e fazer o Sinal da Cruz.
É também conhecida como bicho-papão, cabriola ou papão de meninos. No Brasil, deriva-se de um mito afro-brasileiro, onde acreditava-se tratar-se de um duende maligno que tomava a forma de uma cabra. Costumava atacar as mães quando estavam amamentando, bebiam seu leite direto nos seus seios, e depois devoravam as crianças. Além de Pernambuco, existem versões deste mito nos estados do Ceará e Pará.

A Bruxa

Também conhecida como Feiticeira, Súcubo e Velha Bruxa esse mito tem origem européia, de muitos anos atrás, e os elementos que nos chegam vieram de Portugal. A Bruxa para as crianças é a figura clássica da mulher velha, alta e magra, corcunda, queixo fino, nariz pontudo, olhos pequenos e misteriosos, cheia de sinais nos cabelos, e manchas na pele.
O principal trabalho das Bruxas é carregar meninos que teimam em não dormir cedo, ou em alguns casos, mantendo os vestígios do mito de origem Européia, sugar seu sangue sem que ninguém a veja, já que é capaz de se tornar invisível. No Norte do país, ela é conhecida como Feiticeira.
Para evitar que a Bruxa entre numa casa, deve-se riscar nas portas os símbolos cabalísticos; o sinal de Salomão, que é uma estrela de seis pontas, feita com dois triângulos; a estrela de cinco pontas, que é o sagrado pentágono; ou as palhas secas do Domingo de Ramos postas em forma de cruz, ou fios da fibra de Caroá, planta usada para fazer barbantes, linhas de pesca e tecidos. A Bruxa então é obrigada a parar, e só entra na casa depois de contar fio por fio daquele feixe de fibras de Caroá, ou Gravatá. A tradição é a mesma na Europa. Em Portugal é um molho de fios. Na Itália mata-se um cachorro e a Bruxa é obrigada a contar os cabelos do animal.
Com uma foice molhada na água benta ou outra lâmina, como uma faca, de forma compassada, de meia-noite ao primeiro cantar do galo, deve-se ferir o ar em volta do berço onde dorme a criança que está sendo sugada pela Bruxa. Ao fazer isso, um golpe pode acertar a Bruxa e assim ela perde o encanto, isso quebra suas forças, e ela retoma sua forma humana e fraca.
Em outros estados, Minas Gerais, estado do Rio de Janeiro, Goiás, a Bruxa se transforma em borboleta noturna, uma espécie amarelada que aparece quando o sol se põe. Diz-se que a Bruxa é a sétima filha. Sempre aparece em torno do número Sete, que tem um forte apelo místico.
Na Europa, as Bruxas se reúnem nas noites de sexta-feira, sendo presididas pelo Diabo em pessoa. Estas Bruxas voam sentadas em cabos de vassouras. De acordo com a tradição Brasileira, ela algumas vezes se apresenta como uma velha carregando uma pequena trouxa de roupa, e quando vê uma criança, logo lança sobre ela mau olhado.
Quando uma Mulher já teve seis filhas, partos seqüenciais, antes de nascer uma sétima, para livrar-se da maldição de virar Bruxa, deve a mãe colocar nela nome masculino. Caso não faça isso, e se nasce menina, ao completar sete anos se transforma em borboleta, entra pelas fechaduras das portas para chupar o umbigo das crianças recém nascidas. E assim, logo a criança adoece de um mal chamado de "Mal de sete dias", que é muito grave, mortal. Para livrar as crianças desse mal, a parteira deve colocar embaixo da cama da mulher que deu à luz, uma tesoura aberta, milenar símbolo de proteção.



Estudiosos sobre Mitos e Lendas

Luís da Câmara Cascudo

Luís da Câmara Cascudo nasceu em Natal, Rio Grande do Norte, em 30 de dezembro de 1898. Filho do Coronel Francisco Cascudo, o futuro historiador e folclorista estudou Humanidades no Ateneu Norte-Rio-Grandense, cursando posteriormente Medicina na Bahia e no Rio de Janeiro até o 4° ano, quando desistiu da carreira, ingressando na Faculdade de Direito do Recife, onde se formou em 1928. Essa iniciação científica na Medicina, entretanto, de alguma forma deve ter sido proveitosa e útil ao seu interesse pela etnografia e pelo próprio folclore, onde a intuição, por si só, não é suficiente para o estudo e análise de ambas as disciplinas, ainda que seja naturalmente indispensável.
Embora só se tenha formado em 1928, já aos 30 anos portanto, desde a mocidade Luís da Câmara Cascudo se dedicava ao jornalismo, tendo estreado nas colunas do jornal A Imprensa, aliás propriedade de seu pai, passando daí em diante a escrever em todos os jornais de Natal. Além do jornalismo, também o magistério foi uma constante em sua vida, inclusive pelo fato de que a fortuna paterna se havia perdido e as necessidades materiais se impunham duramente, em contraste com o início risonho e fácil à época da mocidade. Professor de História do Brasil no Ateneu Norte-Rio-Grandense, na Escola Normal e no Instituto de Música, Luís da Câmara Cascudo aposentou-se afinal, em 1966, como professor de Direito Internacional Público da Faculdade de Direito da UFRN. Foi ainda secretário do Tribunal de Justiça e consultor jurídico do Estado atividades todas, no entanto, que jamais prejudicaram ou fizeram arrefecer seu continuado labor de pesquisa e elaboração nos campos de sua indiscutível especialidade: a história, a etnografia e o folclore. Seu primeiro livro publicado data de 1921 - Alma Patrícia – crítica literária, iniciando uma vasta bibliografia que ultrapassa de muito a centena de obras, não se falando na colaboração jornalística, impossível de ser recenseada, e em prefácios, introduções, conferências, anotações, etc. Voluntariamente homem de província, encerrado entre seus livros numa casa também provinciana, Câmara Cascudo, entretanto, não é monge de clausura ou inimigo da geografia. Ao contrário, já fez quatro viagens de estudos à Europa, uma à África e outra ao Uruguai, não se falando no Brasil, que conhece bem, com exceção do norte amazônico.
Com um nome que hoje se projeta muito além das fronteiras culturais do Brasil, sua ascendência no campo dos estudos etnográficos não sofre contestações, e sua obra, como um todo, é profunda lição de apego às raízes tradicionais do Brasil, que ele expõe e analisa em função da história, dos costumes, dos mitos, das lendas, do pensar do povo sobre que se apóia a cultura erudita assimilada de outras fontes criadoras, como via de acesso à civilização material que nos conforma.
Distinguido por inúmeras condecorações nacionais e internacionais, além de várias medalhas culturais, Luís da Câmara Cascudo já mereceu o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, por conjunto de obra, e ainda conquistou o Prêmio Hening Albert Boilesen, por “sua contribuição ao aperfeiçoamento cultural do país”.
Não se sabe ao certo quantas foram as obras escritas por Câmara Cascudo, até o próprio autor desconhecia a exatidão desses números. De acordo com o acervo de Carlos Lyra, “o homem que fotografou Cascudo”, e que provavelmente tem a maior coleção de seus livros, e também segundo o livro de Zilda Mamede, Luís da Câmara Cascudo: cinqüenta anos de vida intelectual; 1918-1968; bibliografia anotada (1970), há cerca de 180 obras, entre traduções, correções, anotações e comentários. Entre elas estão: Alma Patrícia, critica literária (1921); Antologia do Folclore Brasileiro (1944); Geografia dos mitos brasileiros (1976); História da Cidade do Natal (1947); Anubis e outros ensaios (1983); Tradições populares da pecuária nordestina (1956); Flor dos romances trágicos (1982); História dos nossos gestos (1976); Breve História do Palácio da Esperança (1961) e; O mais antigo marco colonial do Brasil (1934).

Gilberto Freyre
Sociólogo, antropólogo e escritor, Gilberto Freyre nasceu no Recife, a 15/03/1900. Autor de dezenas de livros, entre os quais "Casa Grande e Senzala" (1933), seu mais importante trabalho, obra considerada fundamental para o entendimento da formação da sociedade brasileira. Escreveu seu primeiro poema aos 11 anos de idade e, em 1917, concluiu, no Recife, o curso colegial (Colégio Americano Gilbeath de Pernambuco), seguindo, no princípio de 1918, para os USA, onde fez seus estudos universitários: na Universidade de Baylor (bacharelado em Artes Liberais com especialização em Ciências políticas e Sociais) e na Universidade de Colúmbia (mestrado e doutorado em Ciências Políticas, jurídicas e Sociais) onde defendeu, em 1922, a tese "Vida Social no Brasil em Meados do Século XIX". Viaja a países da Europa e retorna ao Brasil em 1923. Considerado pioneiro da Sociologia no Brasil, em 1926 foi um dos idealizadores do I Congresso Brasileiro de Regionalismo do qual resultou a publicação do Manifesto Regionalista - documento contrário à Semana de Arte Moderna de 1922 e que valorizava o regionalismo nordestino em confronto com as manifestações da "cultura européia". Em 1936 e 1959, publica, respectivamente, os livros "Sobrados e Mocambos" e "Ordem e Progresso", obras que, com "Casa Grande e Senzala", formam uma trilogia sobre a história da sociedade patriarcal brasileira.
Foi pioneiro no Brasil ao abordar, em estudos sociológicos, temas como alimentação, moda, sexo etc. e causou polêmica ao defendera tese de que a riqueza cultural brasileira originou-se da mistura de raças (a miscigenação racial) propiciada pelo fato de o colonizador português não ter preconceitos raciais e isso teria facilitado o contacto com o colonizado cordato. Em 1946 foi eleito deputado federal constituinte (UDN-PE), sendo vice-presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara e representante do governo brasileiro na Assembléia geral das Nações Unidas em 1947.
Quando deputado, apresentou o projeto de criação do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais (posteriormente transformado em fundação). De 1926 a 1930, foi secretário particular do então governador de Pernambuco, Estácio Coimbra. Durante a ditadura Vargas foi preso três vezes. Apoiou o governo militar que se instalou no Brasil em 1964 e, posteriormente, defenderia uma reabertura. Foi, também, pintor. Como jornalista, dirigiu o jornal "A Província" (Recife) e o Diario de Pernambuco; escreveu para a revista O Cruzeiro e colaborou com várias revistas estrangeiras, entre as quais The American Scholar (USA), The Listener (Londres), Diogène (Paris), Kontinent (Viena) e outras. Era integrante do Conselho Federal de Cultura desde a sua criação; foi presidente do conselho-diretor da Fundação Joaquim Nabuco (Recife); detentor de vários prêmios literários e doutor Honoris Causa de dezenas de universidades brasileiras e estrangeiras. Da Rainha Elezibeth II recebeu o título de Cavaleiro do Império Britânico. Morreu no Recife, a 18/07/1987, de isquemia cerebral, depois de passar uma semana na UTI do Hospital Português.

Lendas do Recife: um novo modo de explorar o turismo

Fazendo parte do programa Recifense Praticante, o projeto Lendas do Recife realizado pela primeira vez em 13/01/2006, tem como objetivo percorrer trilhas onde, supostamente, teriam ocorrido fenômenos sobrenaturais e que fazem parte do imaginário popular. Para dar um ar mais realista e promover uma maior interação com o público, a prefeitura contrata atores para se caracterizarem como fantasmas e assombrações e contar as lendas aos visitantes. Várias histórias são contadas no projeto que ocorre em datas esporádicas.
Em sintonia com a idéia do projeto Recifense Praticante o projeto Lendas do Recife tem suas atividades inicialmente voltadas para a população da cidade, elevando a auto-estima do recifense e despertando a cidadania dos que nela vivem. A proposta é, sobretudo, trabalhar o turismo como um agente de inclusão geográfica, cultural e social do Recife.
A idéia inicial da trilha "mal assombrada” nasceu de uma proposta apresentada por alunos do 2º período do curso de turismo da Faculdade Metropolitana da Grande Recife, na disciplina de fundamentos do turismo, e foi incorporada no projeto de sensibilização turística de recife coordenada pelo turismólogo Renato Barbosa de Souza e executada pelos estagiários do projeto. Os alunos puderam com a visita, participar de uma trilha urbana noturna observando a operacionalização prática do aprendizado em sala de aula, analisando os pontos positivos e negativos desta trilha que mostra além de lendas assustadoras toda riqueza histórica cultural e arquitetônica do bairro do recife.
Nas edições já realizadas, uma média de 200 pessoas percorre trilhas selecionadas onde supostamente teriam ocorrido fenômenos sobrenaturais e que, até hoje, povoam a crença popular. Episódios como o da “Emparedada” da Rua Nova, mortes no cemitério de escravos na Cruz do Patrão, personagens misteriosos que surgiam no Teatro de Santa Isabel e as assombrações do Rio Capibaribe, são algumas das muitas lendas que já foram abordadas pelo projeto.
Com a chegada do inverno, que dificulta a execução de qualquer evento de rua e por problemas burocráticos de repasse de dinheiro, o projeto se encontra parado, sem previsão de retorno, mas com a certeza de que um grande público espera a sua volta.


Considerações Finais

Com a influência estrangeira, o Brasil, hoje, um país riquíssimo, se tratando de mitos e lendas, abandona um pouco sua história e incorpora aspectos da cultura externa e isso se reflete na abordagem contida nessas narrativas. Por um lado isso enriquece ainda mais o universo mítico e lendário nacional, em contramão o país mostra que ainda está rendido às intervenções internacionais. Não que se deva haver um processo de protecionismo, mas deve se procurar um meio-termo para essa situação, de modo que, não deixe o país tão suscetível ao que vem de fora, nem que se torne uma nação impenetrável, sem possibilidade de comunicação.
Com as reflexões e dados apresentados neste trabalho queremos identificar um pouco da cultura brasileira através do estudo dessas duas formas de expressão cultural e mostrar que ambas nos dão subsídios para entendermos melhor nossa história. Espera-se, assim, que o mesmo possa colaborar com o processo de sensibilização e valorização da cultura nacional, mais especificamente a local, gerando uma conscientização no que diz respeito ao zelo pelo o que é nosso.

Bibliografia

Sites:
http://www.terrabrasileira.net/folclore/regioes/3contos/entesnd.html#topo

http://www.orecifeassombrado.com/Historias008.html

http://ich.unito.com.br/view/2926

http://www.memoriaviva.com.br/cascudo/

http://sitededicas.uol.com.br/folk04.htm

http://sitededicas.uol.com.br/folk15.htm

http://www.recife.pe.gov.br/pr/secturismo/lendas.php

http://www.metropolitana.edu.br/?pagina=lab_npt_vis_len

htpp://www.orecifeassombrado.com

htpp://www.recife.pe.gov.br/pr/secturismo/lendas.php

http://www.recifensepraticante.com.br/acoes/lendas_do_recife/39450%3B56776%3B0106%3B0%3B0.asp

http://pernambucocomamor.blogspot.com/2008/02/o-caralho-de-perna-cabeluda-os-jornais.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Mito#Tipos_de_mitos

http://pt.wikipedia.org/wiki/Lenda

Livros:



CASCUDO, Luís da Câmara. Geografia dos Mitos Brasileiros. 2. ed. Rio de Janeiro: J. Olímpio, 1976.
DANTAS, Olavo. Sob o céu dos trópicos. 28, Rio de Janeiro, 1938
FREYRE, Gilberto. Assombrações do Recife Velho. Rio de Janeiro: Condé, 1955.
MEGALE, Nilza Botelho. Folclore Brasileiro. 4. ed. Vozes, 2001.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Maracatus - os dois baques

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE ARTES E COMUNICAÇÃO/
NÚCLEO DE HOTELARIA E TURISMO
Turismo-Iº Período-Tarde
Prof.: Severino Vicente daSilva
Disciplina: História da Cultura





Maracatu







Priscila Galvão
Carla Miranda
Weruska Mandela
Leonardo Oliveira
Vitória
Vitor Campelo
Vítor Barros





RECIFE
Junho 2008















“Tropa de todos os baques existentes
De longe tremendo e rachando os batentes
Mutante até lá adiante
Pois a zoada se escuta distante
Levando o baque do trovão
Sempre certo na contramão
Carrego pr’onde eu vou
O peso do meu som
Lotando minha bagagem
Meu maracatu pesa uma tonelada de surdez
E pede passagem”
[Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada-Jorge du Peixe]








Resumo

O ritmo que surgiu há três centenas de anos nas senzalas ou em reuniões de escravos afro-descendentes se tornou um ícone importante e indispensável na cultura brasileira.
Instrumentos de percussão, como tambores, chocalhos e paus eram usados na execução do maracatu, que foi criado com o objetivo de cultuar suas entidades espirituais e ao mesmo tempo servia com um “escape” para o sofrimento que os escravos sofriam naquela época. Hoje o maracatu está presente em vários estados do Brasil, com destaque para a Bahia e Pernambuco, neste último surgiu o Maracatu Rural, ou baque solto, que foi criado por trabalhadores e moradores da Zona da Mata Norte. Atualmente, os instrumentos utilizados no maracatu são, essencialmente, os mesmos de antigamente, como a alfaia, o atabaque, baquetas, apitos e etc. Geralmente se usa roupas especiais e peculiares do ritmo, principalmente no maracatu rural. Os caboclos de lança dão um brilho especial com seus mantos coloridos, a lança de fios luxuosos e compridos e uma flor na boca alegram o baque solto. Apesar dos anos, a tradição religiosa do maracatu é mantida por muitos grupos, esses rituais estão ligados ao candomblé e umbanda.






















MARACATU RURAL
Ao contrário do Maracatu Nação, mais presente na área urbana, o Maracatu Rural “nasceu da fusão de vários folguedos populares que existiam, sobretudo nos engenhos de cana-de-açúcar da Zona da Mata Norte de Pernambuco, principalmente em Nazaré da Mata”.(Filho, 1998).
Personagem de grande destaque é o caboclo-de-lança ou lanceiro, suas ornamentadas vestimentas é uma das mais marcantes imagens deste folguedo: vestem o ceroulão -calção de chitão; a fofa -calça frouxa com franja por cima do ceroulão; camisa de mangas compridas de cores vivas; a gola colorida bordada com missangas, vidrilhos e lantejoulas; um surrão com 4 ou 5 chocalhos; na cabeça, um lenço e sobre este, um chapéu de palha ornado de fitas multicoloridas de papel crepom ou celofane(Farias, 1998).
A apresentação acontece num clima muito agitado, que cresce com as evoluções feitas pelos caboclos-de-lança. Temos, à primeira vista, a impressão de se tratar de uma dança guerreira: tensa e frenética. Estas apresentações acontecem durante o carnaval, percorrendo um roteiro de desfile que incluem sempre mais de 10 cidades.
MARACATU

Apesar de sua palavra ter procedência controversa, a hipótese mais concisa afirma que sua origem é africana, reforçada por “uma informação do Museu do Dundo, da Companhia de Diamantes de Angola. Conforme essa informação, o termo ‘ maracatu’ designa ainda hoje uma dança praticada pela tribo dos Bondos, os quais viviam na época da ocupação portuguesa, no território da foz do rio Dande, cerca de 500 km ao norte de Luanda”.( Guerra-Peixe apud, Lima 1980: 7).
Existem dois tipos de maracatu: o Maracatu Nação ou de Baque Virado e o Maracatu Rural ou de Baque Solto.
1.1 MARACATU NAÇÃO
O Maracatu Nação é o mais estudado e conhecido, ele teve origem no Recife baseado no costume chamado de Instituto do Rei Congo, que consistia na coroação de um rei negro (escravo liberto) que passaria a chefiar uma comarca, o rei e a rainha eram empossados no dia de Nossa Senhora do Rosário. Quando a Instituição se dissolveu, por volta do século XIX, restou apenas o Auto dos Congos, que era a representação de uma peça. O folguedo se originou do cortejo dessa tradição, conservando as relações de hierarquia entre os participantes.
Com o passar dos anos as coroações modificaram-se e levaram ao Maracatu Nação, que é composto pelos tradicionais destaques, o rei e a rainha e outros personagens, como o embaixador (porta-estandarte), as damas-do-paço (que carregam as calungas -bonecas de madeira que representam uma divindade), o príncipe e a princesa, o duque e a duquesa, o conde e a condessa, o conselheiro, o ministro, o guarda-coroa, os vassalos, as baianas, os lanceiros, os batuqueiros e os caboclos-de-pena, que são embalados pelas toadas e pelo ritmo da percussão. Esse folguedo possui um caráter misto religioso observado em suas toadas.
O Maracatu de baque Virado é marcante na capital, antigamente suas apresentações aconteciam em pátios de igrejas, hoje eles se configuram como peça importante do período momesco.
Dentre os Maracatus mais tradicionais estão: o Maracatu Nação Elefante (fundado em 1800, considerado o mais antigo), o Maracatu Nação Sol Nascente (sua data de fundação é desconhecida até hoje), o Maracatu Leão Coroado (1863), o Estrela Brilhante (1910), o Porto Rico do Oriente (1916), o Cambinda Estrela (1935), o Almirante do Forte (1935) e o Maracatu Indiano (1949).
MARACATU RURAL

“Na segunda metade do século XIX, foi grande a disputa pela posse de terra dos índios, especialmente no Nordeste. Aqueles que sobreviveram e foram viver na região Nordeste deixaram de falar suas línguas, para se preservarem, física e culturalmente. Começaram a se dizerem e se chamarem de caboclos [palavra surgida na colonização; dizia-se que não era índio, não era branco; não era livre, não era escravo; não era brasileiro, não era português.]. Estes caboclos já não falavam sua em público, e vinham se mesclando com outros grupos, também desclassificados socialmente, como os negros e os brancos pobres. Ocorreu o fenômeno da ‘caboclização’ das populações indígenas”. (Silva, 2005: 21- 22).
Originário da Mata Norte pernambucana, o Maracatu Rural ou de Baque Solto, também chamado de Maracatu de Orquestra, surgiu no início do século XX como uma brincadeira, os caboclos saíam solitários trajando roupas simples, ao som dos chocalhos em meio aos canaviais.Os índios foram renascendo dos canaviais que os haviam engolido, as lembranças foram tomando forma, o folguedo foi sendo formado como uma tribo, juntando um pouco do conhecimento a respeito das brincadeiras, misturou-se o Reisado, o Cavalo Marinho, o Bumba-meu-boi, o Caboclinho e os grupos de Cambinda, e virou “uma festa de celebração de um passado guerreiro”. (Silva, 2005: 22), até se transformar em Maracatu. Até chegar nesse ponto, o vestuário sofreu diversas modificações, antes os caboclos vestiam apenas roupas simples e estampadas, com o passar dos anos passaram a usar golas, que chegavam na altura do peito, e a bordá-las com vidrilhos, hoje as golas chegam na altura do joelho e são bordadas com lantejoulas, escolhido por ser um produto mais leve e possuir um brilho maior que o vidrilho. As roupas dos demais integrantes foram se modernizando de acordo com o aparecimento de tecidos diferentes. Ele migrou para Recife na década de 30 do século XX, como resultado de crise açucareira que chegou a ser a principal atividade econômica de Pernambuco, atividade essa que definiu a maioria das relações sociais presentes hoje.
“O mais antigo [maracatu rural] foi criado no Engenho Olho d’Água, em Nazaré da Mata, no dia 10 de dezembro de 1914, num sábado, como diz Ernesto Francisco do Nascimento, o mais antigo dos caboclos. Era o Cambidinha de Araçoiaba. Quatro anos depois, em 1918, no Engenho de Cumbe, Nazaré da Mata, nasceu o Cambinda Brasileiro”. (Silva, 2005:26).
HISTÓRIA DE ALGUNS DOS GRUPOS DE MARACATU NAÇÃO:

Grupos de Pernambuco:
Maracatu Nação Olinda:

- Criado em 2006;
- Finalidade: preservar a cultura negra em Pernambuco;
- Sede: bairro do Bonsucesso (Olinda).
Nação Leão Coroado:

- Fundado em 8 de dezembro de 1863;
- Sede: Rua José Dias de Moraes, Águas Compridas.
Maracatudo Camaleão (Olinda):

- Fundado em 8 de abril de 1990;
- Saiu pela primeira vez em 1992 em Olinda.
Maracatu Piaba de Ouro:

Foi fundado em 1977 e tem sede em cidade Tabajara, em Olinda. Mestre Salu, o seu fundador, é hoje uma referência internacional da cultura popular brasileira, além do Maracatu servir como parâmetro de referência para criação de outros ao redor do Estado, ele tenta manter vivas as tradições que regem tal folguedo.
Maracambuco:
Foi fundado em junho de 1993 com o intuito de preservar, divulgar e promover a cultura pernambucana, especialmente o maracatu. Desde então, desenvolve projetos sócio-culturais como oficinas de percussão e dança. Realiza também apresentações de palco e cortejos levando a cultura do maracatu nação de baque virado ao conhecimento de todos. Além disso, a instituição presta assistência para retirada de documentos, reforço escolar e acesso à Internet para as comunidades de Vila Popular, Peixinhos e Jardim Brasil.
Completou 15 anos dia 09 de junho de 2008.
Grupos do Brasil:
1. Nação Fortaleza (Fortaleza -CE)
- Fundado em 25 de março de 2004, como forma de marcar o Dia do Maracatu e as comemorações dos 120 anos da abolição da escravatura no Ceará;
-Idealizador: Cale Alencar;
- Cores padrão: vermelho, amarelo, azul e branco.
2. Nação Iracema (Fortaleza-CE)
- Fundado em 13 de maio de 2002;
- A caminhada do grupo vem desde 13 de agosto de 1982;
- Surge das reflexões e práticas da participação dos militantes do Pastoral da Paróquia de São Pedro e São Paulo e do Centro de Defesa e da Vida e Resgate da Cultura Negra no Ceará -Abogun Bolu e até de simpatizantes.
MARACATU RURAL
Nazaré da Mata é uma das três bases de atuação do maracatu em Pernambuco, ao lado de Recife e Cidade Tabajara (Olinda). A cidade, que é conhecida como o município de maior concentração de maracatus em toda a Zona da Mata, é um dos berços do Maracatu de Baque Solto. Uma das características do local é a intensa produção artesanal de adereços para o Carnaval, como as coloridas golas dos caboclos-de-lança.
Maracatu Piaba Dourada
Foi fundado em 1999, em Nazaré da Mata, Zona da Mata da Pernambuco, apesar do seu fundador ‘Boi Comendo’ (ele optou por usar o apelido pelo qual é conhecido sem revelar, assim, seu nome de batismo) brincar desde os 14 anos, o Maracatu não mantém as regras que eram antes impostas pala tradição do folguedo, se configurando, assim, como um maracatu mais contemporâneo, renovado.
Importante: O Maracatu de Baque Solto só existe em Pernambuco. Os outros grupos espalhados pelo Brasil são apenas de Baque Virado.


Instrumentos do Maracatu

Alfaia
Alfaia é um tambor ícone do ritmo brasileiro maracatu. Na terminologia alfaia significa necessidade, roupa, utensílio e enfeite. O instrumento é constituído de corpo, peles (membranas), aro, e cordas para a afinação.
A alfaia se percute com duas baquetas e o tocador se apresenta em pé, na maioria das vezes em procissão. Esse instrumento veio a ser conhecido ao público do centro-sul do Base, relativamente há pouco tempo através de grupos de música pop que introduziram a alfaia em seu instrumental e por percussionistas e pesquisadores que contribuíram ao aparecimento de grupos e oficinas de maracatu.
É classificada como membramofônica, já que o som é obtido através da membrana ou pele e instrumento de altura indeterminada.
Além dos diversos tipos de maracatu, a alfaia encontra-se também no côco e na ciranda.
Agogô
Agogô de duas"bocas" e uma baqueta: o mais convencional dos agogôs
Agogô de três "bocas" e uma baqueta
O agogô é um instrumento idiofônico, ou seja, a vibração do corpo do instrumento que reverbera o som. Existem agogôs de materiais orgânicos, como côcos, mas o mais encontrado é o de metal. É classificado como instrumento de altura indeterminada. Compõe-se de duas, três ou até quatro "bocas" ligados entre si pelas vértices.
Para se tirar som desse instrumento bate-se com uma baqueta, que pode ser de madeira, nas “bocas”, também chamadas de campânulas do instrumento. Outro recurso sonoro ou articulação é o choque entre as próprias "bocas".
O agogô é encontrado no candomblé, na capoeira, no samba, no afoxé, no baião entre outros ritmos.
Apito
É um instrumento associado à autoridade, guardas de trânsito, pedido de socorro, árbitros de esportes e mestres de grupos de percussão.
Foto 1: Apito de Ukuki, feito com semente da árvore de Ukuki (Manaus)
São instrumentos de alta ressonância e produzem som de duas maneiras: apenas o ar através do corpo do instrumento (fotos 1 e 2) e a segunda através do choque da "bolinha" dentro do corpo do instrumento com o corpo (foto 3).
Foto 2: Apito usado em esportes, feito de plástico com uma bolinha dentro do corpo
AtabaqueAtabaque - Termo derivado do árabe "at-tabaq", significando "tambor", encontrado no século XVI como "atavaque" (´v´pronunciado com som de ´u`). Com influência árabe na África, os negros escravos adotavam esse nome para seus "tambores", caracterizando-se pela construção rústica, feitos geralmente de peças de árvores escavadas e com uma pele (geralmente de bode) se sobrepondo.

Baquetas
A baqueta é um objeto em forma de pequeno bastão, geralmente, com uma das extremidades arredondadas, para percutir diversos instrumentos musicais. Pode ser feita de várias matérias, principalmente de tipos variados de madeiras, plásticos e/ou fibras.
As pontas podem ser arredondadas em formatos diferentes, esta variação é devida à peculiaridade exposta por cada ritmo, e elas podem ser de plástico, borracha, madeira, vidro e /ou outros materiais, fica ao gosto do músico, pois cada um extrai um som diferente.
Os diferentes tipos de matérias causam diferentes sons, assim como as diferentes peles dos instrumentos percutidos.
As baquetas têm vários tamanhos e densidades, que se adequam ao estilo musical e à sonoridade que o baterista queira produzir. Uma baqueta mais densa propicia um som mais forte, enquanto uma baqueta mais longa propicia um controle maior.
Existem vários tipos de baquetas, variando em seu tamanho, peso, espessura. Cada tipo geralmente é indicado a um determinado estilo musical. Mas os tipos de baquetas também podem ser escolhidos, levando em conta o gosto pessoal.
As baquetas modelo 5A são as mais utilizadas, não são nem pesadas nem leves. São muitos indicados para iniciantes, e a estilos musicais não muito pesados (pop, rock, country, samba, reggae, etc). Já o modelo 5B é um pouco mais pesado. É indicado para práticas de exercícios técnicos e a estilos de música um pouco mais pesada (hard-rock, heavy-metal, etc).
Caixa, tarola, caixa clara
Caixa, na designação original em inglês, snare drum é um tipo de tambor bimembranofone composto por um corpo cilíndrico de pequena seção, com duas peles fixadas através de aros metálicos, uma esteira de metal, constituída por pequenas molas de arame colocada em contato com a pele inferior, que vibrar através da ressonância produzida sempre que a pele superior é percutida, produzindo um som repicado, característico das marchas militares.
De uma maneira geral, e dependendo dos modelos, a esteira pode ser afastada da pele inferior através de uma alavanca, permitindo também a execução de ritmos sem a presença do som repicado.
Estilos musicais
A caixa teve a sua origem na Europa do século XV, onde a sua utilização básica surgiu com a marcação de ritmos em marchas militares.
Atualmente seu uso se estendeu a praticamente todos os estilos musicais ocidentais, sendo elemento essencial na bateria, onde é usada geralmente na marcação dos contratempos ou na execução de células rítmicas ou exercícios musicais mais complexos.
Seu uso é freqüente no rock, pop e no jazz, sendo também presença habitual nas seções de percussão das orquestras.
O instrumento é indispensável no carnaval carioca.
O uso da caixa em estilos afro-brasileiros tem suas raízes nos desfiles militares portugueses, desempenhando seu papel principal nas marchas, batucadas, e outros estilos do carnaval, apesar de ser também incluída em diversas outras formas de música.
A caixa faz parte integrante da escola de samba.

Execução
O percussionista executa a caixa munido de duas baquetas, geralmente de madeira ou com pequenas escovas, também designadas por vassourinhas.
Nas bandas de marchas ou desfiles, é hábito apoiar a caixa ao ombro ou à cintura do percussionista através de um talabarte (alça). Quando utilizada na bateria, é montada sobre um pedestal, geralmente, em forma de tripé.
Sons
Com esteira
O músico pode produzir vários tipos de sons. Com as esteiras encostadas à pele inferior o som é repicado e brilhante, como neste exemplo:
Sem esteira
Quando a esteira é solta através da alavanca, o som é brilhante (ressonante), mas sem a presença dos repiques:
Tocar no aro (rim shot)
O músico pode bater no aro metálico que fixa a pele, produzindo um som seco e metálico:
Abafando
É também possível utilizar um abafador que elimina totalmente a ressonância da pele inferior, tornando o som seco e curto.
Vassourinhas
O som produzido muda drasticamente quando a caixa é tocada com o auxílio de vassourinhas. Neste caso os sons são mais suaves e o músico pode também raspar a pele produzindo um som de fricção. Este tipo de execução é muito comum no jazz.


Conga
Congas - "Tambor" semelhante ao "atabaque" usado em par ou trio, sustentado em suportes para que o instrumentista toque em pé. O instrumento possui um casco cônico ovalado, quase como um barril (o que o diferencia do atabaque que tem casco cônico ou cilíndrico) e "pele" normalmente bem grossa, feita de um pedaço de lombo de burro (Equus asinus) ou boi (Bos linnaeus). A pele, ou membrana, tem entre 6" e 12" de diâmetro e "casco" entre 23" e 35" do comprimento. É tocado com as mãos e utilizado em diversos estilos de música popular da América Latina, notadamente na América Central. Marlos Nobre usa 3 instrumentos em ´Mosaicos´(1970). Foi introduzido no jazz pelo trompetista Dizzie Gillespie e o instrumentista é denominado "congueiro". É chamado também de "tumbadora" e conhecido como conga drum [ingl.], conga trommel [alem.]
Ganzá
Foto 1: Ganzá de alumínio
Ganzá é um instrumento musical de percussão utilizado no samba e outros ritmos brasileiros. O ganzá é classificado como um idiofone executado por agitação. Muito utilizado no maracatu rural.





Vestimentas dos Personagens no Maracatu

O tipo de veste usada varia de acordo com cada personagem. São roupas coloridas, com bordados, fitas, paetês e até bonecos.

O Arreamar
Utiliza um chapéu de com uma pena,que é utilizada nos punhos e saiote(espécie de cinto). Há uam gola, também chamada de manta, que é colocada como um poncho. Tudo é cheio de bordados coloridos. E para completar os adornos do arreamar, ele possui uma machada.

O Caboclo de Lança
Leva nas mãos a “guiada”, assim é chamada a lança desse personagem, repleta de fitas coradas e cintilantes. O funil é um chapéu de palha com uma armação de arame, todo coberto com papa cimento, ou outro tipo de papel que seja grosso. Por cima do esqueleto do chapéu coloca-se a “tanga”, que é uma espécie de cabeleira feita de fitinhas brilhantes de todas as cores. O caboclo também utiliza uma gola, que é maior do que a do arreamar. O fundo dela costuma ser preto e todo bordado.
“Surrão” ou “Matinada” é um acessório sonoro que o caboclo carrega nas costas. É feito de madeira, espuma e chocalho, presos entre si por parafasos. Por fim, um cravo, geralmente branco, é levado na boca do personagem e representa um segredo que não pode ser revelado a ninguém.

O Rei
Bermudão, meião e casaca. Tudo confeccionado com muitos detalhes, em cores vivas. O Rei leva a coroa e uma espada.

Bandeirista
Usa basicamente a mesma roupa do rei, porém com muito menos pompa. Em vez da coroa, usa uma peruca que lembra a do Rei XVI.




Lampião
A roupa é parecida com a do bandeirista, pois não utiliza a peruca. Porta uma luva e um candeeiro.

Menino do Guarda Chuva
Veste-se como Lampião.

Mateu
É o caboclo mais pobre do cortejo. Leva um surrão pequeno, um chapéu e uma guiada pequena com apenas duas ou três fitas amarradas a ela.

Catita
Homem caracterizado de mulher, desfila com uma vestido, ou com uma saia e blusa. O rosto é pintado. Leva conssigo um jererê(objeto usado na pesca) e uma boneca.

Rainha
Possui uma saia de armação feita de um tecido barato( chitão ou algodãozinho). Já o vestido é de tecido de maior qualidade, como o cetim ou veludo brocado.
Baianas, Damas do Paço e personagens femeninas
Seguem o estilo da rainha. A diferença está no acabamento dado a elas, ao tecido utilizado, mas, basicamente, sehue a linha: Saia de armação e o vestido.

Burra
Balaio coberto de tecido(normalmente o chitão) e caracterizado com o esteriótipo de uma mula colorida. Lembra o Bumba-meu-boi.

Músicos
Calças e camisas coloridas.

Diretoria
Calça e camisa identificadora do nome do grupo de maracatu.



Onde estão os grupos de Maracatu?

Grupos em Pernambuco
Maracatu Nação Olinda(Bonsucesso-Olinda)
Maracatudo Camaleão(Olinda)
Nação Leão coroado(Águas Compridas-Olinda)
Nação estrela Brilhante(Recife)
Maracambuco(Peixinhos-Olinda)
Nação Porto rico
Nação elefante
Maracatu Badia
Ouro do Porto
Cambinda Estrela
Maracatu Piaba de Ouro
Nação do Engenho
Aurora Africana(jaboatão)
Várzea do Capibaribe
Batuque Estrelado
Encanto da Alegria
Leão Negro(Olinda)
Maracatu Chuva de Prata(Olinda)
Maracatu a Cabralada(Olinda)
Nação Pernambuco
Maracatu Vila Nova(Surubim)

Grupos Pelo Brasil

Minas Gerais
Nação Amaranto(Divinópolis)
Mucambo(São José del rei)
Baque do Vale(Itajubá)
Trovão das Minas(Belo horizonte)
Maracatu Lua Nova(Belo Horizonte)

Mato Grosso do Sul
Bojo Malê(Campo Grande)

Ceará
Nação Fortaleza(Fortaleza)
Nação Iracema(Fortaleza)
Vozes D’África(Fortaleza)
Reis de Paus(Fortaleza)

Bahia
Nação Acasa(Salvador)

Paraná
Maracaeté(Curitiba)
Estrela do Sul(Curitiba)
Boizinho Faceiro(Curitiba)
Voa-Voa Maracatu Brincante(Curitiba)


Santa Catarina
Trema Terra(Bombinhas)
Jaé(Itajaí)
Arrasta Ilha(Florianópolis)

São paulo
Ilê Aláfia(São Paulo)
Nobre real(São Paulo)
Bloco de pedra(São Paulo)
Caracaxá(São Paulo)
Nação tainã(Campinas)
Rochedo de Ouro(São Carlos)

Rio de Janeiro
Rio Maracatu(Rio de Janeiro)

Rio Grande do Sul
Maracatu truvão(Porto Alegre)


Referências Bibliográficas

http://www.olinda.pe.gov.br/portal/noticias.php?cod=2088 (acesso em 11 de junho de 2008).
http://www2.uol.com.br/JC/_2001/0312/tu2911_14.htm (acesso em: 12 de junho de 2008).
Monografia apresentada por Marilúcia Farias Bezerra. Orientador: Manoel Guedes. Maracatu rural: conteúdo simbólico x Imaginário popular. UFPE-CAC-Departamento de design.
SILVA, Severino Vicente da. Festa de Caboclo. Recife: Editora Reviva, 2005.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Textos sobre a Mata Norte de Pernambuco

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA

PROBLEMAS DE HISTÓRIA DA PERNAMBUCO





TRABALHO DE PESQUISA SOBRE A HISTÓRIA DOS MUNICÍPIOS DA MATA NORTE PERNAMBUCANA





PROFESSOR: SEVERINO VICENTE DA SILVA
ALUNOS: Eduardo Araripe P. de Souza
Flávio Santos
Cecília Tenório
















TRABALHO DE PESQUISA SOBRE A HISTÓRIA DOS MUNICÍPIOS DA MATA NORTE PERNAMBUCANA
















1. INTRODUÇÃO:


Dentre as várias possibilidades de temas para o presente trabalho, optamos por apresentar de forma simples e objetiva, a importância histórica dos municípios da Zona da Mata Norte pernambucana, suprindo assim uma necessidade que não é apenas nossa (grupo de trabalho), mas que está arraigada na maior parte dos acadêmicos de História.
Desta forma, procuramos apresentar, além da importância e valor histórico que cada município possui para o Estado de Pernambuco, uma síntese dos aspectos sociais, econômicos e políticos, além das peculiaridades geográficas e da ligação entre os municípios, sintetizando desta forma a Região abordada.
Nossa atenção recairá sobre os municípios de VITÓRIA DE SANTO ANTÃO, CHÃ DE ALEGRIA, PAUDALHO (pesquisados por Eduardo Araripe), TRACUNHAÉM, NAZARÉ DA MATA, ALIANÇA (por Cecília Tenório), ITAQUITINGA, GOIANA, CONDADO (por Flávio Santos), BUENOS AIRES, VICÊNCIA, MACAPARANA (por Patrícia). Os materiais utilizados como fonte de consulta são extremamente variados, desde periódicos, literaturas de cordel, livros de valor acadêmico, publicações independentes, história oral, entre outros, mostrando que a História é multifacetária e dinâmica, ilustrando e provando a riqueza cultural da Região.
Outrossim, não é objeto desta pesquisa esgotar todo o relato da história da Mata Norte pernambucana, porém, compartilhar as descobertas realizadas durante a elaboração do presente trabalho, bem como ingressar mais efetivamente no estudo do passado histórico de nosso Estado, tentando desta forma preencher um pouco da lacuna existente em nossa formação.


2. IDENTIFICAÇÃO DA REGIÃO NO ESTADO DE PERNAMBUCO:



3. APRESENTAÇÃO DOS MUNICÍPIOS:

I – PAUDALHO:

Paudalho é um dos municípios da Zona da Mata, de antigo povoamento, que conservam até hoje elementos que traduzem uma forma de ocupação humana muito comum aos municípios da área da cana-de-açúcar: as casas grandes de engenho, as estações ferroviárias, as igrejas, etc.
Além de seu valor histórico ligado às características arquitetônicas e culturais do seu povo, o município do Paudalho está diretamente ligado a passagens marcantes da História de Pernambuco, como a dominação holandesa, as revoluções de 1817 e a revolução praieira de 1848.

a) CARACTERÍSTICAS GERAIS DO MUNICÍPIO:


Paudalho situa-se na Zona da Mata seca de Pernambuco, tendo aproximadamente 280 Km2 de extensão, limitando-se ao norte com o município de Tracunhaém, ao sul com São Lourenço da Mata e Chã de Alegria, a leste com Paulista e a oeste com Lagoa de Itaenga.
O município é cortado de Oeste para Leste pelo rio Capibaribe, apresentando ainda um clima quente e úmido, com chuvas de outono e inverno, e uma precipitação pluviométrica alta no período de maio a julho.
Segundo levantamentos do IBGE de 2006, o município tem uma população de 41.790 habitantes, possuindo uma densidade demográfica de 154,61 hab/km2.
A principal atividade econômica desenvolvida é o cultivo de cana de açúcar e a criação de galináceos, sendo a indústria modesta, representada pela fabricação de tijolos e cerâmica.
O município já agregou as atuais cidades de Carpina e Lagoa do Itaenga (até 1963).
O município tem uma forte predominância da religião católica, existindo atualmente cerca de 25 (vinte e cinco) igrejas locais. A igreja protestante conta com cerca de 10 (dez) denominações representadas com respectivos templos.


b) ORIGEM DO NOME PAUDALHO, E DESENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO:



Segundo o historiador Pereira da Costa em seu trabalho “Annais Pernambucanos”, as atuais terras de Paudalho começaram a ser exploradas em fins do século XVI com o corte do pau Brasil em suas florestas.
O primeiro nome dado ao local foi o de Miritiba, quando era em 1591 um aldeamento indígena fundado pelos franciscanos, e posteriormente foi implantado um engenho de açúcar, em 1627, denominado Engenho Aldeia (hoje um campo de instrução do exército brasileiro).
Em 1630 já existia o engenho Mussurepe, na margem esquerda do rio Capibaribe, a 6 KM da atual cidade, levantado por João Lourenço Franco, pertencente ao mosteiro de São Bento de Olinda.
A existência do engenho é confirmada através do livro do tombo do referido mosteiro, publicado em comemoração ao duplo tricentenário das batalhas dos montes Guararapes.
Segundo a tradição local e alguns historiadores, em janeiro de 1711 chegou à margem esquerda do rio Capibaribe o colono Joaquim Domingos Telles, vindo de Itamaracá, com alguns parentes e muitos escravos africanos, onde se instalou para explorar novas terras apropriadas para o cultivo da cana de açúcar, construindo ali um engenho que, em decorrência da existência no local de árvores que tinham um cheiro semelhante ao alho, recebeu o nome de engenho Pau de alho ou Pau do alho.
Podemos ainda informar que, em sua obra “PAUDALHO TERRA DOS ENGENHOS”, o escritor Severino Soares de Araújo, cita que, segundo Sebastião Galvão, baseado em tradições locais, os primeiros povoadores de Paudalho teriam sido os índios tabajaras, domesticados em 1680, porém, segundo Pereira da Costa, só existem registros históricos sobre a origem de Paudalho em 1714, durante o movimento de 1710, quando foi instalado um presídio no local, comandado pelo alferes Antônio Dias Barbosa.
Devido ao grande desenvolvimento do local, durante o século XVII, onde citam os historiadores que existiam cerca de 58 (cinqüenta e oito) engenhos, sendo o MUSSUREPE (1627) o primeiro, criou-se em 1789 o distrito de Pau d’alho, pertencente a Nazaré, circunscrição de Igarassu.
Em 1799 a povoação foi desmembrada de Igarassu, tornando-se município em 1811, e possuindo Comarca própria recebeu o predicado de cidade em 1879.
Em 21 de abril de 1974 foi oficialmente instalada no município a Academia de Polícia Militar do Paudalho, localizada a 3 KM da sede municipal, a qual é um dos mais importantes centros de formação de oficiais militares do Norte-Nordeste do País.
A instalação da Academia possibilitou a instalação de agências bancárias, e o desenvolvimento de um centro comercial no município, estimulando o desenvolvimento econômico do local.

c)IMPORTÂNCIA DO MUNICÍPIO NA HISTÓRIA DE PERNAMBUCO:

Além de registrarmos a importância do município na formação dos primeiros pólos de povoamento na Zona da Mata, o que foi citado na introdução deste trabalho, podemos registrar a relevância histórica do município do Paudalho em acontecimentos importantes para o Estado e o País.
Entre os momentos importantes, citamos a Revolução Republicana de 1817, e a Revolução Praieira de 1848:

Revolução de 1817: Segundo alguns historiadores, Sob o incentivo do Padre Pascoal Pires, as cidades de Glória do Goitá e Paudalho lutaram contra a “república” instaurada em Pernambuco.
O governo provisório enviou duas expedições armadas, uma contra Glória do Goitá e outra contra Paudalho, sendo esta última, comandada pelo Coronel José Mariano Cavalcanti.
A expedição foi recebida sob forte resistência dos moradores, recuando até a margem direita do rio Capibaribe, cerca de 200 metros do fundo da Igreja da Matriz, onde cem anos depois se achou um canhão utilizado pelas forças republicanas, que se encontra hoje no acervo do Instituto Arqueológico e Geográfico de Pernambuco.

Revolução Praieira de 1848: Quando em 1848 eclodiu a Revolução Praieira, que abalou a província de Pernambuco, Paudalho se fez presente, tendo em vista que o coronel Pereira de Morais era paudalhense. Ao ver seus amigos, coronel Barros e Silva do engenho Lavagem, e o Padre Vicente Férrer de Albuquerque, serem perseguidos, aconselhou-os a pegar em armas contra a situação conservadora dominante.
Tais fatos, segundo Severino Soares de Araújo na obra “Paudalho, terra dos engenhos”, página 87, encontram amparo histórico através do relatório do Dr Herculano Pena, Presidente da Província em exercício, que ao se referir aos lamentáveis acontecimentos que tantas vidas ceifaram cita:

“O primeiro indício apareceu na Vila de Paudalho, em fins de outubro, tentando o próprio comandante de um destacamento do corpo de polícia revolta-lo contra a legítima autoridade, para incorporar-se com ele a um ajuntamento sedicioso, que já começava a formar-se no engenho Lavagem”.


d) CURIOSIDADES HISTÓRICAS LIGADAS AO MUNICÍPIO:

· Segundo o Historiador Mário Melo, as cidades de Limoeiro, Vitória de Santo Antão, Cabo de Santo Agostinho e Paudalho, em face de um alvará datado de 27 de julho de 1811 ficaram autorizadas a erigir pelourinho.
O pelourinho de Paudalho teria sido levantado onde atualmente localiza-se a Praça Pedro Coutinho, no
Centro da cidade;
· Observamos no livro “PAUDALHO TERRA DOS ENGENHOS”, que durante o domínio holandês em Pernambuco, após ocuparem o Recife e tomar a Paraíba, em dezembro de 1634, obrigados pela falta de mantimentos, os invasores holandeses em número de 1800 (mil e oitocentos) homens, aproximadamente, e 60 (sessenta) cavalos, comandados pelo general Sigismundo Von Sckoppe, vieram por terra saqueando fazendas e engenhos, chegando em fins de janeiro de 1635 no engenho MUSSUREPE, apoderando deste, travando lutas contra os moradores do local;
· Segundo o historiador Teodoro Sampaio, no aldeamento MIRITIBA, (primeiro núcleo colonizador do atual Paudalho), teria nascido o conhecido índio Poty, o famoso Dom Felipe Camarão.


FOTO DO PREDIO DA PREFEITURA DO PAUDALHO

e) MONUMENTOS HISTÓRICOS DO MUNICÍPIO:

MONUMENTO:
DESCRIÇÃO

Capela de Nossa Senhora da Luz Datada do século XVIII, localiza-se no antigo engenho Ramos, situada à 3 KM da sede municipal. É alvo de grande número de romeiros que anualmente visitam o referido templo, vindos de todo a Região Nordeste, para venerar a imagem de São Severino;

Ponte do Itaíba (1876): Localizada entre os atuais bairros do Itaíba e Santa Teresa, foi inaugurada pelo governador Machado Portela em 1876, estando atualmente imprópria ao tráfego de veículos, necessitando de recuperação.

Igreja Matriz do Divino Espírito Santo – Localiza-se na parte central da cidade, sua presumida construção é datada de 1750.




Academia de Polícia Militar do Paudalho: Localizada as margens da BR 408, funciona como um dos mais importantes centros de formação de oficiais militares do Brasil, recebendo cadetes de toda Federação.


· Estação ferroviária municipal – Inaugurada em 1881, localiza-se nas proximidades do atual centro do município;
· Igreja de Santa Tereza – Próxima ao centro da cidade, e proveniente do antigo engenho Paudalho, datada de 1711;


f) CONCLUSÃO:

Dentro do que foi exposto, podemos observar que o município do Paudalho tem presença marcante na história do nosso Estado, figurando como elemento importante no desenvolvimento de importantes Revoluções locais, bem como no processo de construção do nosso presente.
Mesmo que ao longo do último século tenha perdido importância no cenário estadual, no que se refere à economia e impacto no PIB do Estado, vendo vizinhos como os municípios de Carpina e Limoeiro lhe ultrapassarem nesse quesito, não há como desprezarmos a importância cultural e histórica dos monumentos e do povo paudalhense, sendo este município uma “aula viva” para aqueles que desejam conhecer a História de Pernambuco.


II – VITÓRIA DE SANTO ANTÃO

a) APRESENTAÇÃO DO MUNICÍPIO.
Distante 51 Km do Recife, o município de Vitória de Santo Antão abrange porções superiores de importantes bacias hidrográficas da Zona da Mata do estado de Pernambuco, como a bacia do Rio Tapacurá que corta o município e é um dos mais importantes afluentes do Capibaribe, (rio Natuba, Riacho ronda, Pacas, Mocotó), e as do Jaboatão que abastece a cidade de Moreno, Pirapama que nasce no município e pequena parte da bacia do rio Ipojuca servindo de limite com o município de Primavera.
A topografia da região é movimentada e irregular, principalmente em seu setor oeste, onde se fazem presentes os primeiros contra fortes da serra das russas.
A mata úmida perenifólia, que caracteriza o município de Vitória de Santo Antão, é exuberante de folhagem verde escuro, rica em cipós.
As indústrias que mais se destacam são a CIV, Indústria de vidros do grupo brennand, indústria JB e a PITÚ (aguardente), conhecida internacionalmente, principalmente na Europa.
O comércio de Vitória destaca-se também no ramo automobilístico, com vendas de peças de motos, carros e fabricação de trios elétricos para todo o país.
Diversificação agrícola: a feira livre de Vitória é uma das que possuem a maior diversificação de produtos da região, vindo pessoas inclusive de outros municípios circunvizinhos: Gloria do Goitá, Escada, Pombos, para comercializar seus produtos na feira.
Outro destaque na agricultura fica por conta do plantio de cana de açúcar e na fabricação de álcool e açúcar nas usinas do município.
b) ORIGEM DO NOME E DESENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO.
Data de 1626 o início do povoamento de Vitória de Santo Antão, quando o português Antonio Diogo de Braga, vindo da Ilha de Santo Antão do Cabo Verde (Portugal), fixou residência com seus parentes, à margem esquerda do Rio Tapacurá, e edificou uma capela em homenagem a Santo Antão da Mata e algumas casas. Todos os anos, no dia 17 de janeiro, oferecia um culto ao santo para que protegesse sua habitação do ateque de onças, cobras e outros animais da região, como também pela plantação de mandioca e outros vegetais.
Inicialmente chamada de Cidade de Braga, além de sua situação privilegiada em termos de cursos d'água, situava-se como ponto de passagem do caminho que destinava ao São Francisco através do Vale do Mocotó. O povoado, nessa condição, deve ter tido um relevante papel comercial, no qual se destaca o fato de que "em suas feiras semanais”, aos sábados, os tropeiros vindos do sertão das Minas Gerais compravam produtos artesanais e de subsistância. Além dissso, as feiras vendiam gado para o abastecimento de Olinda e Recife, além de rapaduras e mel (fabricados nas engenhocas da freguesia), pano de algodão, tecidos (em modestas oficinas domésticas) e etc.
Em 1774, a cidade de Braga foi chamada de Santo Antão da Mata, quando já tinha população estimada em 4866 habitantes.
Evoluindo sucessivamente da condição de povoação a freguesia, passando posteriormente à categoria de vila pelo alvará Régio de 27 de Julho de 1811, assinado pelo então Príncipe Regente D. João, a mesma foi oficialmente instalada em 28 de maio de 1812. Do seu território, fazia parte a freguesia de Bezerros, abrangendo uma grande extensão de terra, correspondendo, hoje, as áreas ocupadas pelos municípios de Vitória de Santo Antão, Pombos, Chã Grande, Gravatá, Bezerros, Caruaru, Bonito, São Caetano, Sairé, Camocim de São Félix, São Joaquim, Barra de Guabiraba, Riacho das Almas e Cortês".
Contudo, num estudo feito pelo Pe. Theodoro Huckelmann, de nacionalidade alemã, publicado no Boletim Arquidiocesano, de 09.07.1976, quando era Bispo de Pernambuco Dom Manuel Álvares da Costa, foram criados entre os anos de 1710 e 1715, as freguezias de Nossa Senhora dos Prazeres, de Maranguape e da Vitória de Santo Antão.
O historiador Pereira da Costa, nos Anais Pernambucanos, Vol. VI, pag 323, afirma, entre outras coisas, que um tal Pedro Pinheiro da Silva fora nomeado Capitão Mor das Ordenanças (?) da Freguesia de Santo Antão em 04.08.1698, ... e “já então gozava a localidade de Santo Antão do Predicamento de Paróquia”.
Pela Lei Provincial nº113, de 06 de maio de 1843, sancionada pelo Barão da Boa Vista, então Presidente da Província de Pernambuco, foi elevada a Cidade, tendo seu nome mudado para Cidade da Vitória, em homenagem à batalha ganha pelos pernambucanos sobre os holandeses no Monte das Tabocas. Este nome porém, não permaneceu devido a existência de um decreto-Lei que proibia a existência de duplicatas na toponímia nacional.
Após muita discussão, foi definitivamente aceito e reconhecido o nome da Vitória de Santo Antão, em 31 de dezembro de 1943, pelo decreto-lei estadual nº 952, para município, comarca, termo e distrito.





c) MONUMENTOS HISTÓRICOS DO MUNICÍPIO:

MONUMENTO:
DESCRIÇÃO
o Instituto Histórico e Geográfico é um verdadeiro cartão-postal da cidade da Vitória de Santo Antão, localizado a rua Imperial 187, no bairro da Matriz. O prédio serviu de hospedagem a família imperial Dom Pedro II e D. Teresa Cristina em 1859 em visita ao estado. Erguido em 1851, o prédio chama atenção por seu revestimento em azulejo decorado.Fundado em dia 19 de novembro de 1950 é uma sociedade civil, de caráter cívico e cultural, sem fins lucrativos.

o Monte das Tabocas é uma área de aproximadamente 11 hectares, onde em 3 de agosto de 1645 foi palco de celebre batalha entre os luso-brasileiros e os holandeses os luso-brasileiros escusaram os holandeses do local. Os primeiros liderados por Antonio Dias Cardoso e João Fernandes Vieira entrincheirados nas partes altas e protegidos pelos tabocais, derrotaram os flamengos.

O anjo da vitória:Este monumento é comemorativo de vitória alcançada na batalha do Monte das Tabocas ocorrida em 3 de agosto de 1645. Foi construído por iniciativa de Dom Luis de Brito com o apoio de autoridades do município. Sua inauguração foi realizada em 27 de janeiro de 1905, aniversário da expulsão holandesa no Brasil. O monumento é constituído por uma coluna e uma estátua de ferro representando são Gabriel.

Construído como uma homenagem a José de Barros Lima, cognominado leão coroado, mártir da Revolução Republicana de 1817. Sua inauguração se deu em 1917, primeiro centenário dessa Revolução. Obra do escultor vitoriense Bibiano Silva, este monumento representa um vulto de grandes proporções subjulgando um leão raivoso e tendo na fronte uma coroa de louros.

Matriz de Santo Antão é um templo de porte majestoso e um dos mais belos e importantes do interior de Pernambuco. A capelinha simples e feita de taipa foi construída no início do século por Diogo de Braga em 1826, quando chegou a cidade de Braga. Em 1874 a capelinha foi incendiada e completamente destruída pelos holandeses, sendo reconstruída e substituída por um templo maior . Sendo reinaugurada pelo o então Vigário Cônego Marcolino Pacheco do Amaral e aberta ao público em 29 de junho de 1881.

Igreja de Nossa Senhora do Rosário, fundada pela irmandade dos homens pretos da vitória em 1750, constitui um dos marcos da formação do município. A igreja sofreu sucessivas reformas, apresentando uma arquitetura externa neoclássica.



III - CHÃ DE ALEGRIA

a) APRESENTAÇÃO DO MUNICÍPIO.
Distante 57 km do recife, limita-se ao norte com Paudalho, ao sul com Vitória de Santo antão, a leste com São Lourenço da Mata e a oeste com Gloria do Goitá.
A economia é baseada, sobretudo, na produção da cana-de-açúcar, coco, mandioca, batata doce, banana e manga, e possui uma área de 114 km2, com uma população de 11. 165 hab;
b) ORIGEM DO NOME E DESENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO.
O território que hoje se localiza Chã de Alegria, fazia parte das terras, que foram doadas a David Pereira do Rosário, por uma neta de Duarte Coelho Pereira, na segunda metade do século XVIII.
As primeiras casas de Chã de Alegria foram construídas por vota do ano de 1842. Os pretos corcovado, iniciaram a exploração do território, construindo diversas casas de taipa, uma pequena casa de oração, iniciando assim o povoamento de uma "chã" com poucas casas, porém muito alegre, vindo aí o nome adotado até hoje: Chã de Alegria, cujo gentílico de quem nasce lá é alegriense.
O Distrito foi criado por Lei Municipal de 08 de janeiro de 1909, e integrava o território do município de Glória do Goitá. A Lei Estadual nº 4.985, de 20 de dezembro de 1963, criou o município de Chã de Alegria e deu à sua sede foros de cidade.
O grande atrativo turístico do município é a festa de São Sebastião, padroeiro do município, que se realiza anualmente no dia 20 de dezembro;

IV – GOIANA

a) APRESENTAÇÃO DO MUNICÍPIO.

O município de Goiana, situado a 59 km do Recife, na Mata Norte do Estado de Pernambuco, é palco de importantes momentos de nossa história desde os primórdios da colonização. Cidade de grande destaque no Estado de Pernambuco, hoje se encontra, politicamente, em um patamar bem aquém do que já esteve, mas permanece com um esplendor único quando nos referimos ao seu valor histórico e cultural.





b) ORIGEM DO NOME E DESENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO.
O nome Goiana tem origens controversas. Para Adolf de Varnhagen, tal nome vem do tupi “gente estimada”. Para outros vem de Guaiana, “porto ou ancoradouro do vale”. Finalmente, alguns acreditam que a importância do rio homônimo para a povoação local acabou por nomeá-la. Empiricamente, podemos citar as formas em que o nome aparece nos documentos. Em 1605, em um catálogo da Companhia de Jesus, transcrito pelo Padre Serafim Leite, aparece como Aldeia de Gueena; em 1606, como Goyana, já era residência estável de dois padres, Diogo Nunes, Superior, e André de Soveral; em 1607, aparece finalmente com a grafia atual. O padre Cristóvão Valente nomeia o local de Residência de Santo André de Goiana.
Não existem datas oficias da fundação de Goiana. O território ficava nas terras da capitania de Itamaracá, que tinha como donatário Pero Lopes de Souza. O primeiro povoamento que se tem notícia foi a Aldeia do Capivarimirim. Observam-se em alguns documentos históricos referências a Goiana como Capibaribe, em conseqüência desse antigo povoamento. O território inicialmente habitado por caetés e potiguares atraía os colonizadores pela grande quantidade de pau-brasil em suas matas, além da segurança oferecida pelo rio Goiana, formado pela união dos Rios Tracunhaém e Capibaribe – Mirim, para o embarque das madeiras. Graças a tais recursos hídricos o povoado teve um rápido desenvolvimento. Em 1568 foi criado o distrito de Goiana.
A devastação das matas permitiu o início de lavouras, sobretudo a da cana-de-açúcar. Em 1570, 5 mil braças de terra são doadas por D. Jerônima de Albuquerque Souza a Diogo Dias, que constrói o Engenho Japomim. Com a ajuda de 600 pessoas que traz para povoar o local, sobretudo homens, fortifica sua fazenda e consegue defender-se das constantes incursões indígenas. Em 1575, seu filho Boaventura Dias se junta a Miguel de Barros e fundam um Engenho na margem norte do Capibaribe – mirim. Em 1600, a região já contava com 9 engenhos em atividade, chegando ao número de 12 por volta de 1630. Elevada à categoria de freguesia em 1598, o território de Goiana já contava com 26400 metros no sentido leste-oeste, acompanhando os leitos dos rios Goiana, Tracunhaém e Capibaribe – mirim.
Por se encontrar entre as Capitanias de Pernambuco e da Paraíba, Goiana passa a ser palco das operações militares no período da invasão holandesa. Jerônimo de Albuquerque, comandando gente de Goiana, correu em socorro à Pau Amarelo em 1631; em 1632, ocorreu o ataque à freguesia de Goiana, onde muitos foram presos. Mesmo assim, Lourenço Cavalcanti reuniu pessoal suficiente para marchar em defesa da Paraíba, em 1634. Finalmente, em 1635, o grande número de holandeses obriga a retirada dos moradores. Vejamos o que nos legou Adrien Van Der Dussen, em seu Relatório sobre as capitanias conquistadas no período holandês:

“As terras de Goiana, principalmente as várzeas de Araripe e Taquara, são muito férteis, não ficando atrás de nenhuma outra do Brasil. O rio Goiana tem uma pedra de arrecifes, chamada Pedra das Galeras, detrás da qual carregavam-se, antes caravelas de 250 caixas de açúcar. Há ancoradouros para pequenos navios, como o Canal Norte, chamado Catuama e Porto dos Franceses.”

O mais famoso confronto entre holandeses nas referidas terras ocorreu na freguesia de Tejucupapo. Em 1646, provavelmente nos dias finais do mês de abril, os holandeses resolveram atacar uma aldeia de pescadores num dia de domingo, justamente quando a maioria dos homens retira-se para o Recife a fim de vender seus produtos. A aldeia então só contava com a defesa de uns poucos homens adultos, mulheres e crianças. As mulheres destacaram-se no confronto, seja no combate direto com os flamengos, utilizando água quente e pimenta, ou indiretamente, apoiando moralmente e incentivando os demais defensores. Após a morte de centenas de pessoas envolvidas na batalha, as mulheres de Tejucupapo foram vitoriosas, contribuindo diretamente para o declínio do domínio holandês em terras nordestinas.
O progresso de Goiana torna-se evidente para toda a capitania, o que elevou a então freguesia à categoria de vila, em 1686. A Câmara e a Justiça da Capitania foram transferidas para a nova vila. A vila de Itamaracá não ficou satisfeita com a decisão, tendo então início a uma disputa pela supremacia na capitania: em 1709, Itamaracá volta a ser vila e recupera a Câmara e Justiça para o seu território; em 1711, a 7 de janeiro, novamente Goiana torna-se vila; João Guedes Alcoforado transferiu novamente a condição de vila a Itamaracá; Dr. Feliciano Pinto de Vasconcelos, em 1714, realiza audiências em Goiana sendo seguido por outros juízes e vereadores. Mas só em 1742 é que, definitivamente, Goiana voltou a ser vila e estabeleceu de vez sua hegemonia na capitania.
No século XIX, tornou-se Goiana uma cidade bastante próspera, economicamente e socialmente, devido em grande parte ao seu porto fluvial, que interligava as capitanias (províncias) do Norte com Recife. Além do intenso comércio característico da região já em períodos anteriores, desenvolveram-se na vila atividades manufatureiras como a tecelagem, a cerâmica e a vidraçaria. Era comum a presença de milhares de cabeças de gado trazidas do Piauí e Ceará, para serem vendidas em sua feira semanal. Os fazendeiros piauienses e cearenses retornavam aos seus lares carregados de mercadorias. As trocas comerciais também eram intensas como as vilas da Mata Norte e de parte do Agreste pernambucano. Vilas ao sul da Paraíba, como Alhandra, Taquara e Pedras de Fogo e algumas povoações dependiam não só economicamente, como política e socialmente da Vila de Goiana.
Tais atividades permitiram o florescimento de uma classe média numerosa e ativa, que vai participar diretamente das revoluções liberais em Pernambuco. Mesmo assim, ainda é grande o número de engenhos na região, essencialmente às margens férteis dos rios que banham a vila. A força dessa produção açucareira permitiu a permanência de uma forte aristocracia rural em Goiana, em contraste à crescente classe média, sobretudo no período em questão. Vejamos como o viajante inglês Henry Koster descreveu em Goiana, em sua passagem pela mesma em outubro de 1810:

“A vila de Goiana, uma das maiores e mais florescentes de Pernambuco, é situada sobre a margem do rio do mesmo nome, em uma grande curva nesse local, quase a rodeando. As casas, com uma ou duas exceções, têm apenas um andar. As ruas são largas, mas na são calçadas. Uma das principais é tão ampla que admitiu a construção de uma igreja, numa das extremidades, e a extensão da rua é considerável em ambos os lados dos edifícios. A vila possui o convento das carmelitas e várias outras casas destinadas ao culto. Os habitantes dão de quatro a cinco mil e esse número cresce diariamente. Há também lojas e o comércio com o interior é intenso. Nas ruas sempre são encontrados numerosos matutos, camponeses que vêm vender seus produtos e comprar objetos manufaturados de que têm necessidade. Nas imediações existem muitos e excelentes canaviais. Creio que as melhores terras da província estão nesses arredores.”

Tal crescimento de uma classe média permitiu o sucesso da difusão de idéias liberais trazidas da Europa. Como no Recife e em Olinda, cujas idéias foram fomentadas pela intelectualidade pulsante do seminário de Olinda, o clero goianense participou ativamente, tanto da difusão de idéias, quanto dos movimentos liberais propriamente ditos. Mas chama a atenção a intensa atividade dos irmãos Arruda Câmara. A estadia de ambos na Europa os colocou em contato com as idéias iluministas que ganharam terreno, sobretudo com a revolução francesa. Manuel de Arruda Câmara ficou conhecido como o principal ideólogo do liberalismo no período pré-revolução, sendo citado pela oposição como fomentador das idéias revolucionárias. Já o seu irmão, o conceituado médico Francisco de Arruda Câmara, foi um dos principais propagadores das idéias antes do movimento, tento também participado ativamente dos atos insurrecionais. Fazendo um comentário a respeito das idéias revolucionárias dos Arruda Câmara, diz uma testemunha a respeito:

“que o dito Arruda, que esteve na França no tempo da revolução, e seu irmão defunto Manuel Arruda, que, morou lá ambos antes da rebelião de Pernambuco, ambos apanharam os princípios revolucionários nessa terra, trabalhando para que o povo seguisse este Partido, e que o dito Manuel Arruda tomara para seu discípulo e para sua companhia o Padre João Ribeiro Pessoa de Melo, que foi do governo dos revolucionários, depois da morte de Manuel Arruda.”

Não apenas os irmãos Arruda Câmara, mas praticamente todo o clero regular e a maioria dos militares participaram ativamente dos movimentos liberais do século XIX. Goiana participou fortemente dos movimentos de 1817, 1821, 1824 e 1848, destacando-se sempre como um foco de resistência às forças realistas/conservadoras e ponto de ligação com as províncias do Norte.
Convém destacar a participação da vila na revolução constitucionalista de 1821. A união de tropas com as tropas oriundas de outras vilas, Paudalho, Nazaré, Tracunhaém e Limoeiro, resultou na formação do “Governo Constitucional Provisório da Província de Pernambuco” a 29 de agosto de 1821. A junta posteriormente, através de ofício, impõe ao governador Luiz do Rego Barreto que entregasse o poder à junta eleita e convocasse eleições legítimas. A escolha de uma Junta composta pelo então governador, composta por membros do antigo Conselho e afetos pessoais, é recusada pelos goianenses. A luta diplomática é substituída por embate militar, que culmina com a vitória de Goiana, após o cerco do Recife. Luiz do Rego assina o Termo de Capitulação a 05 de outubro, que ficou conhecido como Convenção de Beberibe. Tal processo estabeleceu um governo independente na província e resultou na expulsão do último governador português, antecipando a independência política da província.
Em 1833, após o período conturbado de revoluções na província de Pernambuco, ocorre a divisão do estado em nove comarcas. Goiana foi uma delas, ratificando a importância política da vila, e sua influência sobre a região em que se localiza.

“... a aprovação do Projeto de Lei de autoria de Francisco de Paula Cavalcante de Albuquerque, que dividia a Província de Pernambuco em nove comarcas, cujas cabeças eram a “Cidade do Recife (abrangendo os termos de Recife, Cabo, Olinda, Igarassu e Itamaracá), a Villa de Goiana, a Villa de Nazareth, a Villa do Limoeiro, a Villa de Santo Antão, a Villa do Rio Fomoso, a Villa do Bonito, a Villa do Brejo e a Villa de Flores” (Sessão Ordinária do Conselho de Governo de 20 de maio de 1833)...”

Goiana teve participação ativa ao lado dos revoltosos no episódio conhecido como “O Ronco das Abelhas”, no final de 1851 e início de 1852, que surgiu como uma oposição aos decretos 797 e 798, de 18 de junho de 1851, que instituíam o Censo Geral do Império e o Registro Civil dos Nascimentos. A população temia que tais decretos se tratassem de um artifício para escravizar os recém-nascidos e batizados.
As lutas abolicionistas, assim como as republicanas, encontraram terreno em Goiana, como mais um sinal da importância política e econômica dos profissionais liberais e da classe média em geral. As redondezas da vila sempre foram ocupadas por quilombos, com destaque ao instalado na mata do Catucá, tornando delicadas as relações da população com a escravaria. Em 1884, quatro anos antes da assinatura da lei Áurea, é declarado em sessão memorável que em Goiana não existiam mais escravos. A estrutura social diferenciada da vila unida ao reduzido número de escravos e o declínio da economia açucareira permitiram tal acontecimento. Segundo o Quadro Geral da população da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, em 1872, aproximadamente 57% da população negra era livre. Esse número sobe para 88% quando se faz referência a população de pardos.
Dois personagens de grande relevância política no Brasil Império são oriundos de Goiana. Correia Picanço, nascido a 10 de novembro de 1745 na vila de goiana, cirurgião-mor do imperador, destacou-se em seus estudos na Europa e veio junto com a família real para o Brasil, já como médico da realeza. Foi responsável pelo estabelecimento das escolas superiores de medicina no país, tanto em Salvador como no Rio de Janeiro. Foi nomeado Barão de Goiana por D. Pedro I aos 76 anos de idade, vindo a falecer aos 79. É hoje considerado patriarca da medicina brasileira. João Alfredo Corrêa de Oliveira destacou-se como presidente das províncias do Pará e de São Paulo. Ocupou os cargos de Ministro da Fazenda e da Agricultura no Império. Presidente do Conselho de Ministros. Como senador, trabalhou em prol da conciliação entre a Igreja e a Coroa na Questão Religiosa. Como presidente do Conselho de Ministros (1888), referendou a Lei Áurea, fato que mais marcou a sua trajetória política.
O início do século XX traz à tona o início do declínio do já município autônomo de Goiana. Pode-se dizer que um dos principais motivos reside na melhoria no setor de transportes do estado. As ferrovias da Great Western que seguiam do Recife à Paraíba não passava pelo município, seguindo por Timbaúba. Atribui-se tal escolha nos caminhos das ferrovias para facilitar o escoamento da produção algodoeira do Agreste, de interesse de grupos ingleses. A construção de estradas, principalmente na década de 50, com a rodovia BR-101, levou à “aposentadoria” das famosas barcaças que levavam as mercadorias de Goiana ao Recife. A importância de Goiana de elo entre a capital Pernambucana e cidades da Paraíba e outros estados do Nordeste reduziu-se drasticamente.
Em 1928, parte do território é passado para o novo município de Aliança e para o município de Nazaré, pela lei nº 1931, sancionada pelo governador Estácio de Albuquerque Coimbra. A lei nº 3340, de 31 de dezembro de 1958 desmembra o distrito de Condado, que passa a condição de município autônomo. O outrora distrito de Areias, renomeado Itaquitinga, emancipa-se de Goiana pela lei nº 4962, de 20 de dezembro de 1963. Goiana então fica constituída pelo distrito sede, e os distritos de Tejucupapo e Ponta de Pedras.

b) MONUMENTOS HISTÓRICOS DO MUNICÍPIO:

MONUMENTO:
DESCRIÇÃO
Essa Igreja apresenta características da arquitetura jesuítica, como, aliás, acontecia com as igrejas construídas no início da colonização. Não se tem definição da data exata de sua construção, mas existem indícios que remonta a meados do século XVI. Com segurança, sabe-se que, em 1630 ela já existia.

Igreja de Nossa Senhora do Amparo dos Homens PardosConstruída no século XVIII pela irmandade homônima, junto com o Rosário dos Brancos e o Rosário dos Pretos é prova do nível de segregação racial existente em Goiana na época de sua construção - cada cor tinha sua própria igreja. Possui frontispício barroco. Sua torre sineira nunca foi concluída por falta de recursos da irmandade. É monumento nacional tombado pelo IPHAN desde 25/10/1938 (Livro de Belas Artes, vol.1, folha 39, nº de inscrição 226). Localiza-se na praça da Bandeira, centro de Goiana.

Igreja de Nossa Senhora da MisericórdiaConstruída na primeira metade do século XVIII, juntamente com a Santa Casa de Misericórdia. Segundo inscrição existente no frontispício, teria sido concluída em 1733. A igreja, em estilo barroco, encontra-se em condições precárias, necessitando de obras urgentes de restauração. É monumento nacional tombado pelo IPHAN desde 25/10/1938 (Livro de Belas Artes, vol.1, folha 39, nº de inscrição 225). Localiza-se no centro de Goiana, no largo da feira.




V - ALIANÇA

a) ORIGEM DO NOME E DESENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO.

O povoamento inicia-se no século XIX por 03 (três) irmãos muito unidos. A construção de uma capela junta muitas pessoas no local. Em 1862, o frei Capuchinho Caetano de Rossina se estabelece no local. Ele observa o espírito de solidariedade presente nas pessoas, que participam de atividades de ajuda mútua para a reforma da capela. Ele sugere o nome de Aliança para o local.
Pelo Decreto Estadual 142 de 30 de maio de 1891, o Distrito de Paz de Aliança se une aos de Angélica e Vicência e é elevado à categoria de Vila com esta denominação. A Lei Estadual 72 de 16 de maio de 1895 revoga o Decreto Estadual 142 e Aliança volta à condição de distrito.
O município é criado pela Lei Estadual 1931 de 11 de setembro de 1928, mas as suas atividades administrativas próprias se iniciam apenas em 01 de janeiro de 1929. Seu território foi desmembrado dos territórios de Nazaré da Mata e de Goiana, no Governo de Estácio de Albuquerque Coimbra.
Alguns dizem que o desmembramento de Aliança se deu por questões político-econômicas. A família Pessoa de Mello tinha a tradição de passar o poder econômico de pai para filho. O desmembramento seria uma questão de conservação para a própria família. A única usina existente no município era a Usina Aliança, e em Nazaré da Mata encontrava-se a Usina Matary. Havia interesse das famílias envolvidas para manter as usinas em municípios diferentes. Aí se encontra a origem de ser Walfredo Pessoa de Mello o primeiro prefeito de Aliança, um dos proprietários da Usina Aliança, que tinha interesse em fazer parte de outro município por conta de seu patrimônio.
Os Pessoa de Mello dominaram Aliança no período de 1928 a 1945. Todos os prefeitos deste período foram apoiados pelos usineiros, inclusive os interventores. Os Pessoa de Mello fizeram muitas benfeitorias no município: a prefeitura, a igreja, o cinema.
O desmembramento também se deu por conta do crescimento e do progresso de Aliança. Outros municípios também foram criados, como Vicência e Carpina. O desmembramento de Aliança foi uma forma da família Pessoa de Mello mostrar ampliar o seu poder político e estender o seu domínio econômico.




c) MONUMENTOS HISTÓRICOS DO MUNICÍPIO:

MONUMENTO:
DESCRIÇÃO
Great Western (1883-1950)Rede Ferroviária do Nordeste (1950-1975); RFFSA (1975-1996).
Igreja Matriz de Aliança







VI – NAZARÉ DA MATA


a) ORIGEM DO NOME E DESENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO.
Na divisão das capitanias hereditárias por D. João III, em 1534, foi dada a capitania de Itamaracá a Pero Lopes de Souza. Nazaré da Mata fazia parte desta capitania. Apenas a sede da capitania e Goiana têm algum se desenvolvem (principalmente Goiana por conta da cultura da cana-de-açúcar). A colonização é apenas na costa.
A Invasão Holandesa retarda o processo de ocupação territorial, pois os moradores concentram-se em expulsar o invasor.
Após a Restauração Pernambucana, Itamaracá é anexada a Pernambuco e Nazaré passa a fazer parte da Jurisdição de Pernambuco. A sua área inicialmente foi habitada por potiguares, que viviam em constantes lutas com os Caetés. Seus aldeamentos eram feitos em vales, por conta da fertilidade do solo e Dops cursos d’água. Os colonizadores utilizam a mesma lógica e fixam-se ao longo de rios e mananciais.
Entre fins do século XVIII e começo do XIX, às margens de uma lagoa, ergue-se um engenho, que teria sido originalmente de uma português, por doação sesmarial. A propriedade ficou conhecida como Lagoa Dantas (pois o seu proprietário era um dos 03 Irmãos Dantas que vieram para o Brasil), e às suas margens desenvolve-se um povoamento. O povoado cresce e a sua importância aumenta. EM 1812 havia uma feira semanal, que era conhecida, principalmente, pelas suas desordens (Henry Koster).
No atual território e com o nome de Laranjeiras, foi criada a freguesia que teve como Matriz a Capela dedicada a São Joaquim, n as terras da Fazenda de José Francisco Belém (Resolução de Consulta de 17 de Dezembro de 1821).
O povoado de Lagoa Dantas cresce e em 09 de outubro de 1833 é instalada a Câmara Municipal. Lagoa Dantas passa à condição de vila e desmembra-se de Igarassu. A transferência da sede da freguesia de São Joaquim para Nazaré se dá pela Lei Provincial n° 75, de 30 de abril de 1839.
Como a vila de Nazaré continua crescendo e sua feira era muito concorrida. E contava com mais de 50 estabelecimentos comerciais, em 18 de junho de 1850 é elevada à categoria de cidade (Lei Provincial nº 258).
Sua emancipação de concretiza apenas na promulgação da Lei Orgânica dos municípios, de nº 52, em 03 de agosto de 1892. É elevada a sede episcopal em 02 de agosto de 1918. O primeiro bispo é D. Ricardo de Castro Vilela.
Pelo Decreto-Lei n° 952, de 31 de dezembro de 1943, acrescenta o termo “Da Mata” ao nome da cidade. Em 17 de m aio comemora-se a sua emancipação política.
Nazaré da Mata era composta de outros distritos que foram se desmembrando: Tracunhaém, Buenos Aires, Vicência.
A cana é a principal lavoura e o dinamizador da economia local. É plantada em grandes propriedades. Foi introduzida na região no século XVI. Nas terras impróprias para o cultivo da cana, os chãs, planta-se tubérculos e frutas, principalmente a banana, a laranja e a manga. A indústria e o comércio são bastante ligados à cana.






b) MONUMENTOS HISTÓRICOS DO MUNICÍPIO:

MONUMENTO:
DESCRIÇÃO
IGREJA MATRIZ - A capela da primitiva povoação, a Igreja Nova da recém elevada Vila, passa a ser Paróquia pertencente à Nova Freguesia de Nazaré, desmembrada de Laranjeiras (Lei Estadual número 75 de 30 de abril de 1839). E a pequena ermida dedicada a Nossa Senhora da Conceição de Nazaré é canonicamente elevada a categoria de Matriz. Em breve, humilde Matriz torna-se insuficiente para atender às necessidades espirituais da Nova Cidade, daí em 1858 ser substituída por outro templo erguido no mesmo local pelo andarilho, o Capuchinho Fremi Caetano de Messina.
Maracatu rural – Engenho Cumbi.






VII - TRACUNHAÉM

a) ORIGEM DO NOME E DESENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO.
O termo Tracunhaém é de origem indígena e quer dizer “Panela de Formiga” ou “Formigueiro”.
As suas terras pertenciam a Nazaré e tiveram o seu povoamento iniciado na primeira metade do século XVIII, por exploradores de pau-brasil e criadores de gado.
Conhecida nacionalmente pelo seu artesanato em barro. É um dos pólos de cerâmica mais importantes do Estado. Metade da população sobrevive, direta ou indiretamente, da transformação do barro em artesanato e peças utilitárias. As imagens de santos se destacam. Alguns artesãos acabaram adotando o nome da cidade como sobrenome artístico. Os primeiros artesãos foram os índios Tupi, que modelavam cachimbos de barro.
A Lei Estadual n° 4951 cria o município de Tracunhaém, desmembrando-o de Nazaré da Mata.

b) MONUMENTOS HISTÓRICOS DO MUNICÍPIO:

MONUMENTO:
DESCRIÇÃO
Praça Central de Tracunhaem.
Capela do Engenho Penedo Velho, em Tracunhaém (PE). 1986



4. CONCLUSÃO

Dentro do que foi exposto, podemos observar que a Zona da Mata Norte pernambucana, através de seus municípios, tem presença marcante na história do nosso Estado, figurando como elemento importante no desenvolvimento de importantes Revoluções locais, bem como no processo de construção do nosso presente.
Acreditamos que o presente estudo, se não reproduz integralmente a relevante história da Região, ao menos aguçou nosso desejo por conhecer melhor as tradições, culturas, e relevâncias históricas dos municípios pernambucanos, pois cremos que a exemplo das cidades aqui enfocadas, temos muito por conhecer de nossa história local.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FERREIRA, Maria Regina Davina Pinto. Coronelismo e Poder Local: O Caso do Município de Aliança – PE (1928-1945). Edição Sociedade Pernambucana de Cultura e Ensino – SOPECE. Recife, 2002.
Nazaré da Mata. Série Monografias Municipais. Governo de Pernambuco – Secretaria de Planejamento. Fundação de Informações para o Desenvolvimento de Pernambuco/ FIDEPE. Recife, 1983.
Goiana: Série Monografias municipais, Recife 1981.
MACHADO, Teobaldo. As insurreições liberais em Goiana, 1817-1824, Recife, FUNDARPE, 1990.
Promotores Públicos: o cotidiano da defesa da legalidade ; transcrição de documentos manuscritos (1832 – 1843) / Coordenação de Mônica Maria de Pádua Nepomuceno, Marcília Gama da Silva, Sindrônia Kátia Pereira ; prefácio do Promotor de Justiça Francisco Sales de Albuquerque; introdução de Vera Lúcia Costa Acioli .—Recife : Procuradoria Geral da Justiça ; Arquivo Público Estadual , 1999.
ARAÚJO, Severino Soares. Paudalho terra dos engenhos, Paudalho, 1990.
Sites:
Pernambuco A/Z - www.pe-az.com.br;