sexta-feira, 1 de maio de 2009

O Bairro do Cordeiro

Este ano estamos acompanhando a formação dos estudantes do primeiro período do curso de Bacharelado em Turismo. Este é um dos trabalhos apresentados em sala. Um convite para conhecer o Recife, em algo além das visões mais comuns.


UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE ARTES E COMUNCAÇÃO
NÚCLEO DE TURISMO E HOTELARIA
ÁREA IV
CURSO DE BACHARELADO EM TURISMO


O BAIRRO DO CORDEIRO

Escrito por

Elizabete Regina de Santana
Fernanda Abreu dos Santos
Leillyane Antonia de Moura
Luana Alexandre Silva
Monik Rodd Oliveira Teixeira







Trabalho apresentado como requisito complementar para obtenção de nota escolar na disciplina de História da Cultura do curso de Turismo da Universidade Federal de Pernambuco, ministrada pelo Prof.Severino Vicente da Silva.









Recife
Abril/ 2009

SUMÁRIO




1Introduçao
2. História do Bairro
2.1 Forte do Arraial Novo do Bom Jesus
2.2 Igreja de São Sebastião
2.3 Mercado Do Cordeiro
2.4 Sala de Reboco
2.5 Charque do Alemão
2.6 Parque Professor Antônio Coelho
2.7 Hospital Getúlio Vargas
3. Bloco da Saudade
4. Conclusão
5. Bibliografia
6. ANEXO - Poema em Alusão ao Bairro





1 Introdução


Em nosso cotidiano passamos por locais cuja origem não conhecemos. Despertar o interesse para o que está ao nosso redor é fundamental para valorizarmos a história do lugar onde vivemos. Com essa proposta realizamos pesquisas históricas, culturais, turísticas e econômicas sobre o bairro do Cordeiro. A visita a pontos já conhecidos e a outros ainda não reconhecidos pela sociedade nos abriu os olhos para as necessidades locais e nos fez entender um pouco mais sobre a nossa história.


2 História do Bairro

O bairro do Cordeiro surgiu em terras que a princípio pertenceram ao senhor de engenho Ambrósio Machado. Nessas terras, que eram cortadas pelo Rio Capibaribe, havia uma passagem que levava ao atual bairro de Casa Forte. Existiam também poços que forneciam água à vizinhança. Esses dois fatores favoreceram o surgimento de um povoado.
O Engenho de Ambrósio Machado foi confiscado pelos holandeses e mais tarde, com a restauração de Pernambuco em 1654, parte dessas terras passou para o herói da guerra contra os holandeses: João Fernandes Vieira, que se tornou um dos senhores de engenho mais ricos do Nordeste e deixou aquela propriedade sob a administração de João Cordeiro de Mendanha, seu ajudante de ordem.
Posteriormente, a propriedade foi arrematada em leilão público pelo capitão José Camelo Pessoa e no final do século XVII, foi comprada por Sotero de Castro, que lhe coloca o nome oficial de Cordeiro, pois já era assim conhecido, em homenagem ao seu antigo lavrador, João Cordeiro de Mendanha.
O atual bairro do Cordeiro situa-se entre os bairros de Zumbi e Iputinga a cerca de 6 quilômetros do centro da cidade do Recife e integra várias sub-regiões tais como: Caxangá, Roda de fogo, Rua da Lama, San Martín, Torrões. Pertencente a 4ª Região Político-Administrativa do Recife (RPA-4), a oeste da cidade e, segundo o Censo do IBGE em 2000, o bairro do Cordeiro tinha os seguintes números: População de 37.538 habitantes e área de 332,8 hectares.
O Cordeiro abriga pontos históricos, restaurantes de comidas regionais, mercados e feiras livres, uma das maiores emergências públicas da capital, um parque de exposições que cedia inúmeros eventos ligados ao agro negócio e uma das melhores casas de forró do Brasil.
Dentre esses vamos destacar aqueles que mais caracterizam o bairro:



2.1 Forte do Arraial Novo do Bom Jesus



Após a saída de Nassau do governo holandês em Pernambuco, recomeçou a campanha para a libertação do domínio batavo. A resistência já não podia se instalar nos engenhos, que já eram conhecidos pelos holandeses e não tinham grandes estruturas de defesa, então por isso elegeu-se um sítio afastado do litoral de onde podiam sair os campanistas em ataque.
Assim foi feito e estabelecido o Forte do Arraial Novo do Bom Jesus, em 1648 e 1649, as tropas luso-brasileiras saíram dali para a primeira e segunda Batalha dos Guararapes. As duas batalhas foram vitoriosas e decisivas para a expulsão dos holandeses. Dessa forma o forte passou a ser o símbolo da resistência e da bravura contra as tropas holandesas.
Mas, depois da expulsão dos holandeses, o Forte foi desativado e abandonado. Esta foi uma das poucas fortificações construídas em terra do Brasil naquele período cujos vestígios ainda se encontram aparentes, e em área urbana.
Em 1872 o Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano ergueu no local uma coluna de três metros de altura onde, em seu topo, colocou-se uma cruz protegida por uma grade de ferro em homenagem ao reduto e seus heróis. Esse monumento ficou conhecido como Cruzeiro do Forte.
Hoje, os vestígios do Forte estão situados na Estrada do Forte do Arraial Novo do Bom Jesus numa praça que é utilizada para lazer da comunidade local. Não há mais a cruz nem tão pouco a grade de ferro. Há apenas uma coluna solitária e algumas ruínas do Forte. Na coluna, praticamente não se enxerga mais os registros gravados pelo Instituto, devido à degradação ambiental, ao vandalismo e a falta de manutenção do monumento.
As pessoas que circulam ali diariamente pouco sabem da história do Forte. O local deveria ser protegido, a cruz recolocada, e um novo registro deveria ser feito. Além disso, que a praça tem uma área enorme ainda não aproveitada, que podia ser ainda mais útil para o lazer da comunidade e visitação de turistas.


2.2 Igreja de São Sebastião



A Paróquia de São Sebastião do Cordeiro foi criada em 19 de março de 1935 pelo arcebispo Dom Miguel de Lima Valverde para substituir a antiga Capelinha que invocava a São Sebastião, datada do ano de 1900. Seu primeiro pároco foi o Padre Antônio de Lima Cavalcante. A Matriz está localizada próximo ao inicio da Avenida General San Martín, às margens da Avenida Caxangá.
O atual vigário, Padre Oscar Martins da Fonseca, está lá há 25 anos celebrando as missas de terça a sábado às 19 horas e no domingo às 6, 8 e 19 horas.
A construção tem traços simples, com pintura bem conservada nas cores branca e amarela. Mesmo estando situada em uma das avenidas movimentadas da cidade, o clima dentro da Igreja é de puro silêncio e bastante propício às orações dos visitantes. Atividades regulares funcionam lá, como batismo, casamento e eucaristia.


2.3 Mercado do Cordeiro


O Mercado do Cordeiro foi inaugurado no dia 23 de Março de 1937. Até o ano de 2001, o Mercado era privado e em 28 de Setembro de 2002 foi municipalizado pela Prefeitura da Cidade do Recife através do decreto 19-498.
Em 2008 o Mercado foi reformado e todos os locatários do Mercado passaram por cursos de capacitação com o SEBRAE, o Banco do Brasil, a Vigilância Sanitária e a Companhia de Serviços Urbanos do Recife.
Com essa re-inauguração o Mercado ganhou uma área gastronômica revitalizada, sinalização turística, Internet sem fio, sistema de combates a incêndios, sanitários acessíveis.
O Mercado do Cordeiro está dividido em 170 boxes padronizados e funciona das 06h00 às 18h00 de segunda a sábado e aos domingos das 06h00 às 12h00. Seu espaço gastronômico funciona das 06h00 às 22h00 de segunda a quarta, e, de quinta a sábado, só fecha quando seu último cliente sai.
Uma variedade de produtos e de comidas regionais pode ser encontrada por lá.

2.4 Sala de Reboco


A Sala de Reboco Bar e Comedoria foi inaugurada em 1999 e situa-se na Rua Gregório Júnior, número 264. É um lugar voltado para o autentico forró pé-de-serra.
Todas as quintas, sextas, sábados e vésperas de feriado a partir das 22:00 h um público fiel, de qualidade e de muita gente bonita é atraído pela boa música tocada ao vivo pelos maiores forrozeiros do Brasil.
Dominguinhos, Jorge de Altino, Flávio José, Santana, Amelinha, Nando Cordel e Alcymar Monteiro são alguns dos nomes consagrados no local, havendo espaço também para novos talentos e outras bandas locais.
A decoração do ambiente é rústica, remetendo a paisagens sertanejas com tecidos de chita no palco e paredes pintadas por artistas plásticos pernambucanos.
Sua média de preço é até R$. : 15,00 e tem capacidade para 1.300 pessoas.
Outro destaque é sua cozinha tipicamente sertaneja com pratos regionais e bebidas das mais diversas.


2.5 Restaurante Charque do Alemão


Situa-se na Avenida do Forte, número 233, e seu nome é auto-explicativo: ou seja, a especialidade do lugar continua sendo o charque e seu primeiro proprietário era de origem alemã, um senhor que todos chamavam Alemão.
Inaugurado em 1997 foi passado pouco tempo depois para uma família da cidade de Tabira – Pernambuco, que são os atuais donos do estabelecimento. Mas seguiram com o mesmo nome até hoje, e no respectivo ano de 2009 o Restaurante Charque do Alemão completa 12 anos de existência e de grande sucesso em sua localidade e arredores.
Além dessa carne o restaurante serve outros cortes, como a picanha e o galeto assado. Os pratos chegam acompanhados de feijão verde, arroz, macaxeira frita, farofa, vinagrete e maionese de batata. Para a sobremesa as sugestões são o pudim e a torta serenata de amor.
O restaurante programa música ao vivo no fim de semana, geralmente MPB, forró e chorinho. Para quem só pretende curtir o som e bebericar alguma coisa, a casa vende bons petiscos.


2.6 Parque Professor Antônio Coelho

O Parque Professor Antônio Coelho, popularmente conhecido como Parque de Exposição do Cordeiro, fica situado na Avenida Caxangá e possui uma área de 12 hectares. A quase 70 anos cedia a tradicional festa de exposição de animais e produtos derivados. Essa festa, que dura quase 10 dias e acontece no mês de novembro, dispõe de shows artísticos, vaquejadas, comidas típicas, leilões, mostra de implementos artísticos e regionais além de seleção e premiação das melhores raças de animais. É o mais importante acontecimento do gênero no Nordeste e um dos principais eventos agropecuários do Brasil.
Hoje no espaço funciona a Secretaria de agricultura e o Expresso Cidadão, popularmente conhecido como “Rapidinho” por colocar à disposição serviços com facilidade. Encontram-se lá: Agência do Trabalho, Banco Real, Biblioteca Virtual, CELPE, COMPESA, Defensoria Pública, Detran, Grande Recife, LAFEPE, Oi, Prefeitura do Recife, PROCON, Secretaria de Defesa Social IITB e caixas eletrônicos do Banco do Brasil, da Caixa Econômica entre outros. No Parque é possível observar ainda dois monumentos: o primeiro, um belo Zebu, doação da Associação dos Criadores de Pernambuco e, o outro, um célebre cavalo Mossoró, o primeiro campeão do Grande Prêmio Brasil, oriundo do Haras Maranguape, em Paulista.


2.7 Hospital Getúlio Vargas


Está localizado no início da Avenida General San Martín e funciona como um dos hospitais de emergência do Recife. Sua construção foi iniciada no governo do presidente Eurico Gaspar Dutra e concluída na segunda gestão de Getúlio Vargas de quem herdou o nome.
Era o antigo IAPTEC (Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Empregados em Transportes e Cargas). Hoje sofre com a superlotação, a falta de médicos e de leitos para um bom atendimento.
O Hospital é de fácil acesso tanto para quem vem pela Avenida Engenheiro Abdias de Carvalho quanto para aqueles que vem pela Avenida Caxangá.




3 O Bloco da Saudade


O bloco surgiu a partir de uma canção de Edgard Morais chamada Valores do passado, composta em 1962, em que ele saudava 24 agremiações já extintas e idealizava um bloco da saudade. Em 1963, um grupo de foliões apostou com Edgar Morais que criariam o bloco da Saudade, o que realmente aconteceu em 1974 pelas ruas do bairro do Cordeiro. O objetivo era trazer de volta a tradição dos blocos de pau e corda ao carnaval do Recife e Olinda, ressuscitando o gênero musical de marcha de bloco.
Várias outras agremiações foram incentivadas pelo saudosismo do bloco da Saudade, trazendo de volta, inclusive, os nomes dos antigos blocos de rua. As cores oficiais são o vermelho, o azul e o branco. Segundo a agremiação, mais de quinze mil pessoas freqüentam anualmente os quatro acervos de marcha e o famoso baile do bloco da Saudade. Os desfiles acontecem nas cidades de Recife e Olinda, dois deles na semana pré-carnavalesca e três durante os festejas de momo.



4 Conclusão


Os conhecimentos que adquirimos à medida que realizamos o trabalho nos fizeram enxergar aquilo que sempre esteve a nossa volta e que acabamos por não dar o valor necessário. Nós como cidadãos e futuros turismólogos precisamos desse conhecimento para junto à sociedade preservar esses patrimônios que por muitas vezes são esquecidos pelo poder público e divulgar a sua importância histórica e social.



5 Bibliografia


CAVALCANTE, Carlos Bezerra. O Recife e seus Bairros. Recife: Camarim Minicipam Recife, 1998.
www.fundaj.gov.br
www.wikimapia.org
www.magmarqueologia.pro.br
www.jc.uol.com.br
www.recife.pe.gov.br
www.saladereboco.com.br
www.obaoba.com.br
www.ipernambuco.com.br
www.cporr.ensino.eb.br
www.carnavaldepernambuco.com/2009
www.jusbrasil.com.br
www.especiais.com.br





ANEXO - Poema em alusão ao Bairro

Cordeiro

Nas terras do Engenho Cordeiro
Surgiu um “novo arraial
P’ra fazer pelo Brasil,
O que não fez Portugal.

Epicentro das Batalhas
De nossa Insurreição,
Despertando neste povo,
Sentimento de Nação.

Na Taborda o resultado
Em janeiro a rendição
Os Batavos nos deixaram
Apenas recordação.



Carlos Bezerra Cavalcanti.

2 comentários:

nanda disse...

Excelente,obrigada por publicar nosso trabalho professor.

Atenciosamente
Fernanda Abreu.

Renatta disse...

Adorei o trb...pq é muito precioso saber um pouco mais do nosso bairro. xero. Rttlins