sexta-feira, 19 de junho de 2009

As cidades na Idade Moderna Ocidental

Universidade Federal de Pernambuco
Centro de Filosofia e Ciências Humanas
Departamento de História
História Moderna II
Docente: Severino Vicente da Silva


Trabalho escrito e apresentado pelos Graduandos do V período em História:

Armando Augusto Siqueira
Luiz Henrique Assis de Barros
Manoel Felipe Batista Da Fonseca
Roberto Luiz de Carvalho Freire
Wanderson Édipo de França

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AS CIDADES NA IDADE MODERNA OCIDENTAL



Das Cidades no Cenário da Economia Capitalista Mercantil e da Ineficiência das Interligações entre elas no Século XVII.

Por volta do século XVI as relações de produção ainda eram predominantemente feudais, embora tivesse início o processo de transformações. A mudança era produzida pelas atividades mercantis, na esfera da circulação de mercadorias a grandes distâncias. Configurava-se o mercado em nível mundial. As organizações feudais que se caracterizavam por serem voltadas para uma ordem interna, gradualmente passavam a visar uma ordem cada vez mais ampla e externa. Novos valores, padrões, ideais e perspectivas são incutidos na mentalidade da sociedade européia. No tocante à economia:

Antes mesmo da centralização política, em sua forma mais absoluta, ter encontrado expressão no plano barroco, o centro de gravidade começara sutilmente a passar para uma nova constelação de forças econômicas. A política do Estado, chamada mercantilismo, que procurava transferir à direção centralizada da coroa o protecionismo e o controle monopolístico da cidade medieval, revelou ser apenas uma fase de transição.

A instituição que representou essas novas significações leva o nome de capitalismo. O século XVII foi um palco decisivo para as transições do modo de produção feudal para o capitalista. “No século XVII, o capitalismo altera a balança de poder. A partir daquela época, o estímulo à expansão urbana veio principalmente dos mercadores, dos financistas e dos senhores de terras, que serviam às suas necessidades.” Tais estímulos fez com que os horizontes fossem ampliados mais e mais. Não que o comércio estivesse estagnado na Idade Média. Prova disso são as redes de comércio existentes em tal período, destacando-se a Liga Hanseática . Mas é na Idade Moderna que acontecerá a Revolução Comercial, ampliando o perímetro de transações de comércio a níveis cada vez mais globais.
O hermetismo das cidades medievais já não comportava as expansões dentro das muralhas. Dessa forma:

As novas forças favoreciam a expansão e a dispersão em todas as direções, da colonização além dos mares à construção de novas indústrias, cujos melhoramentos tecnológicos simplesmente cancelavam todas as restrições medievais. A demolição de suas muralhas urbanas foi, ao mesmo tempo, prática e simbólica.

As forças que fez com que as muralhas das cidades medievais ruíssem foram grandemente aumentadas pela pressão da invenção de equipamentos mecânicos e da produção industrial em larga escala. A princípio, a circulação predominava perante a produção. O capital comercial só deixa de ocupar seu lugar de destaque quando ele abre caminho para o insipiente capital industrial, a produção em série.
Foi com Frederico, o grande, ao abandonar os costumes germânicos pondo as terras em bases jurídicas romanas, que um dos pilares do feudalismo foi minado. “Quando a terra se tornou um produto, e não um bem permanente, fugiu a qualquer controle comunal.” Assim, outra brecha se abriu para que o sistema com base no capital despontasse e preparasse o túmulo sistema feudal.
O resultado foi a introdução dos costumes da praça de mercado, de modo universal, nos diversos cantos da cidade. Assim, nenhuma parcela dela ficava isenta de mudança, desde que esta pudesse ser conseguida por meio da troca de um lucro. “A atividade comercial das cidades manifesta-se a princípio, nas feiras e nos mercados, segundo toda uma hierarquia que vai do simples mercado (às vezes chamado de feira) à grande feira internacional, passando por feiras de irradiação local ou regional.” A cidade é regida por uma complexa ordem social de mercado. Afirma Munford:

O capitalismo, dessa maneira, por sua própria natureza, solapou a autoridade local, tanto quanto a auto-suficiência local, e introduziu um elemento de instabilidade, aliás, de corrosão ativa, nas cidades existentes. Em sua ênfase na especulação, não na segurança, nas inovações lucrativas antes que nas tradições conservadoras do valor e na continuidade, o capitalismo tendeu a desmantelar toda a estrutura da vida urbana e a colocá-la numa nova base impessoal: o dinheiro e o lucro.

Dentro do capitalismo a cidade tem como finalidade a acumulação de capital, além de sua própria maior expansão. Segundo afirmativa de Ferdinand Braudel: “A cidade tanto cria a expansão como é criada por ela.” Ainda ele:

...qualquer cidade, seja ela qual for, é antes de tudo um mercado. Faltando este, é impensável a cidade; inversamente ela pode situar-se fora de uma aldeia, até na concha de uma enseada exposta ao mar, numa simples encruzilhada de estradas, sem que por isso cresça aí uma cidade. Com efeito, todas as cidades têm necessidade de estar enraizada, de ser alimentadas pela terra e pelas pessoas que as rodeiam.

A raiz da cidade é, pois, o campo. Mundo rural e mundo urbano são elementos co-dependentes. A organização urbana é impraticável sem a organização rural. Ambos se complementam. “O mercado urbano é, pois, indispensável ao mundo rural.” Cidades mercantis, industriais, financeiras. Aglomerado demográfico não-agrícola reciprocamente consumidor e fornecedor do mundo rural. “Nunca uma cidade se apresenta sem o acompanhamento de outras cidades. Umas senhoras, outras servas ou mesmo escravas, estão ligadas, formam uma hierarquia, na Europa, na China ou em qualquer lugar.”
Hierarquia essa, válido lembrar, que não se traduz em nível campo/cidade. Não se trata de uma hierarquia dicotômica que põe em pólos opostos o rural e o urbano. “A oposição entre a cidade e o campo começa com a passagem da barbárie à civilização, do regime das tribos ao Estado, da localidade à nação e encontra-se em toda a história da civilização até os nossos dias.” Como já foi dito, campo e cidade são co-dependentes e não entidades excludentes.
O comércio à longa distância trouxe consigo a necessidade de ligações eficientes e rápidas. Porém, a economia capitalista não se apresentou de maneira concomitante á evolução dos meios de conexão entre as cidades. “As vias romanas, como artérias da terra, constituíam um milagre de construção do passado.” As expansões marítimas imprimem uma expressiva vitória para as ligações universais. Vitória esta, porém, “sem nada alterar quanto à lentidão, à imperfeição dos transportes propriamente ditos que continuam a constituir um dos limites permanentes à economia do Ancien Régime. Até o século XVIII, as navegações são intermináveis, os transportes terrestres estão como que paralisados.”
As vias eram mal projetadas e conservadas com pouco zelo. As vias que pareciam fugir à quase regra de ausência de planejamento geral eram as que faziam parte de cidades cuja fundação remontava aos tempos romanos. O caos era um corolário do uso da terra pelo proprietário, haja vista que boa parte das parcelas de terreno estava arrendada, e seus direitos de construção podiam ser vendidos.
Assim, as pessoas erigiam imóveis arbitrariamente, desde que pagassem taxas à Coroa ou à Igreja. “A desordem e a triste condição física da rua medieval resultavam do processo de crescimento. Os canais de comunicação entre as comunas, situadas na fronteira dos povoados, raramente se interligavam, e os burgos não eram planejados para se relacionarem entre si.”
A transição da Idade Média para Idade Moderna tem como característica a nova importância dada ao tempo. “A introdução de relógios urbanos no século XIII e XIV foi apenas um sintoma do fato de que os negócios já não eram regulados pelo sol e pelos poderes da estrutura humana.” As transações comerciais fazia necessário transportes que percorressem grandes extensões em tempos reduzidos. Necessidade essa que o capitalismo não teve atendida a contento no século XVII.
O desenvolvimento inexistente ou insuficiente dos meios de transporte entre as cidades no século XVII representou um obstáculo para o progresso do capitalismo. O arcaísmo dos meios de transporte e a fixidez dos itinerários foi um entrave para que as cidades comerciais se expandissem. “O crescimento da cidade comercial foi um processo lento, pois teve de enfrentar resistência tanto na estrutura quanto nos costumes da cidade medieval.” Nos diz Braudel a respeito dos transportes do tempo do Império Romano para o do século XVII:

nada mudou ou o que mudou foi muito pouco. E tudo isso comanda, dificulta as trocas comerciais e até as meras relações humanas. Os correios da época levam semanas, meses a chegar aos seus destinos. Só haverá “derrota do espaço”, como diz Ernst Wagemann, a partir de 1857, com a instalação do primeiro cabo marítimo internacional. A estrada de ferro, o barco a vapor, o telégrafo, o telefone inauguram demasiado tarde as verdadeiras comunicações de massa em escala mundial.

Já dizia Paul Valéry: “Napoleão anda tão devagar como Júlio César.” Tal assertiva parece-nos um exagero, mas carrega consigo uma parcela de verdade. A média de deslocamento é fazer cerca de 100 km por dia. Mais que isso é uma façanha poucas vezes realizadas. “Se as grandes cidades atraem a si as notícias rápidas é porque pagam a pressa e sempre tiveram meios de forçar o espaço. Um destes meios será, evidentemente, a construção de estradas empedradas ou pavimentadas, mas estas, durante muito tempo, são meras exceções.” Era em estradas ruins e com velocidades ridículas que cavalos, carros, barcos e correios a pé se locomoviam no século XVII.
As distâncias que se podia cobrir a pé era o que algumas vezes estabelecia os limites do crescimento da cidade. O ritmo de ampliação urbana podia ser diretamente proporcional ao desenvolvimento dos transportes. Porém, o aumento do perímetro das cidades era ditado por pressões multifacetadas, não se limitando ao atraso dos transportes, mas, bastante influenciado por ele.
Não se pretende nesse ensaio ser feita uma descrição dos transportes no século XVII. O propósito é mostrar até que ponto:

a troca, que é o instrumento de qualquer sociedade econômica em progresso, foi prejudicada pelos limites que lhe eram impostos pelos transportes: a lentidão, o seu magro fluxo, a sua irregularidade e, finalmente, o seu elevado custo. Tudo encalha nestas dificuldades. Para nos familiarizarmos com esta antiga e persistente realidade podemos repetir a frase já citada de Paul Valéry: “Napoleão desloca-se á mesma velocidade de Júlio César.”

A cidade moderna é, pois, como um organismo vivo. Assemelha-se a um coração pulsante que recebe e distribui um fluxo intenso e contínuo. Para tanto, faz-se necessário uma rede de artérias que conduzam tal fluxo em direção ao coração. Este necessita mais e mais de um fluxo rápido e regular. Porém, as veias e artérias que o alimenta não atendem satisfatoriamente as necessidades cardíacas. As cidades do século XVII são notoriamente influenciadas pela capacidade de conexões urbanas possíveis. Tais cidades:

representam enormes despesas, a sua economia só pode ser equilibrada de fora, outros terão que pagar seus luxos. Então, para que servem elas, neste Ocidente onde tão poderosamente surgem e se impõem? Fabricam os Estados modernos, tarefa enorme, encargo enorme. Marcam uma reviravolta na história do mundo. Fabricam os mercados nacionais sem os quais o Estado moderno seria pura ficção.

Diz-nos Lewis Munfor:

Ora, o crescimento do próprio Estado nacional, o desenvolvimento do capitalismo foi, em parte, em esforço necessário para vencer a sérias limitações da economia medieval. No esforço para alcançar uma segurança estática, as corporações medievais tinham resistido a novas invenções e novos métodos de trabalho; apegavam-se a seus segredos de ofício, às fórmulas esotéricas, a seus “mistérios”.

Em meados do século XVII, em 1628, com a obra de William Harvey, De motu cordis, uma nova compreensão corporal surge. Harvey apregoa uma nova visão do corpo, cuja sua estrutura, seu estado de saúde e sua relação com a alma dão origem a um novo modelo de imagem do homem. “Essa mais recente compreensão do corpo coincidiu com o advento do capitalismo moderno, contribuindo para o nascimento de grande transformação social: o individualismo. O homem moderno é, acima de tudo um ser humano móvel.” Um ser que circula dentro de um mercado livre, de trabalho e mercadorias, de modo parecido à circulação sanguínea.
Portanto, para transpor os obstáculos limitativos da economia medieval, foi de capital importância o papel dos novos mercadores aventureiros e empreendedores. Estes que buscavam expandir a sua produção e ampliar seus mercados. Para tanto eles incentivaram inovações tecnológicas como a máquina de tecer e balizaram-se grandemente em áreas de além-mar, à procura de matérias-primas e produtos acabados.
Assim, o embarque e o intercâmbio desses artigos configuraram uma característica determinante das cidades prósperas. Dessa forma, cada vez mais a vida econômica fugiu do controle da municipalidade. A ampliação do mercado em grosso, dedicado a operações à longa distância por meio do dinheiro e do crédito, procurando grandes lucros especulativos, teve início nas cidades medievais, com o desenvolvimento das transações de longa distância, o que não se deu sem obstáculos. Estes que residiam, principalmente, nas ineficiências das interligações entre as cidades.


A Cidade Barroca e o Palácio

As configurações estéticas das cidades barrocas eram personificações do drama e ritual que dominavam a sociedade, e na corte tinham seu maior expoente e vitrine. A corte, por sua vez, era o grande núcleo de prestígio e poder, e as grandes decisões do estado tinham nela o seu ponto de partida. Neste contexto, o palácio – habitat da corte – representava papel social importante no seio das cidades do século XVII.

O palácio tinha duas frentes: do lado urbano, vinha as rendas, os tributos, os impostos, o comando do exercito e o controle dos órgãos de estado; do lado rural, os homens e mulheres bem constituídos, bem alimentados e bem sexuados, que formavam o corpo da corte e que recebiam as honrarias, os emolumentos e as propinas que o rei magnanimamente lhes concedia. O poder e o prazer, uma ordem seca e abstrata e uma radiante sensualidade eram os dois pólos daquela vida.

A corte era um mundo a parte do resto da sociedade, sendo a vida cercada de responsabilidades sob o destino do estado e das vidas dos súditos plebeus, ao mesmo tempo marcada por ociosidades, formalidades sem inúteis e muita ostentação de riqueza e do poder que detinham. Lewis Munford apresenta um pouco sobre a lógica de vida nas cortes: “O ritual da corte era uma tentativa para confirmar o faz-de-conta do poder absoluto por meio de um drama especial”.

O prazer era um dever, o ócio, um serviço, e o trabalho honesto, a mais mesquinha forma de degradação. Para torna-se aceito na corte barroca, era necessário que um objeto ou uma função que mostrasse características de exótica inutilidade. •

A corte barroca influenciou diretamente vários aspectos importantes das cidades, entre estas influências, pode-se tomar como destaque a necessidade por monumentos e obras ostentadoras. Os palácios foram uma recorrente forma de expressão da necessidade da aristocracia barroca por obras suntuosas.
O palácio era uma construção complexa, com vários detalhes e secções, não era vista apenas como uma construção, mas carregava consigo os ideários da época, tendo cada parte das construções significados bastante marcantes. A palavra Palazzo, vem da língua italiana, e significa uma construção magnificente que possa ser ocupada por um senhor ou um príncipe mercador, e tem origens no período inicial da era Moderna. Era representado por grandes torres e constrições verticais, que marcaram as paisagens de cidades como Bolonha, Bari ou Milão.
Em termos barrocos, o palácio teve seu sentido ampliado, passando a designar amplidão e um poder auto-suficiente. Também ganhou novas formas, passando a ser construído cada vez mais no plano horizontal e apresentando figura mais marcante. Foi uma forma de manifestar a amplitude e o domínio daquele que ali residiam – a nobreza -, sobre aqueles que de longe admiravam – os plebeus-.
Os palácios barrocos eram construções marcadas por uma arquitetura imponente e complexa, e seus cômodos interiores ofereciam o máximo de luxo e sofisticação que a tecnologia da época poderia oferecer. A magnitude destes palácios era de forma tão grande, que muitas vezes o núcleo central da cidade não comportava espaço para abrigá-los, tendo que serem alojados em áreas antes periféricas, incluindo novas áreas no contexto urbano.
O Palácio de Versalhes é um grande exemplo disto, quando Luis XIV, buscou nos arredores de Paris, lugar para a construção de sua residência e da nata da aristocracia francesa, sendo o grande símbolo centro do poder no antigo regime francês.

a partir do século XV, deu-se maior ênfase à amplidão horizontal: o poder se propagou. Não tendo espaço na cidade, escapava para os subúrbios, como fez Luis XIV, que lembrando como tinha sido forçado a abandonar Paris por causa de um levanta popular em sua juventude, resolveu refugiar-se em Versalhes: uma capital suburbana.

A complexidade do palácio fez com que dele, uma série de outros ambientes e monumentos surgissem nas cidades. Hotéis, galerias de arte, museus, academias, prédios de escritórios, teatros e ambientes de entretenimento são exemplos o legado deixado pelos palácios e os hábitos palacianos para as cidades. Legado este que carrega a relação orgânica entre o “estilo barroco de vida e suas instituições típica ” para a posteridade.
Na sociedade barroca, com o patrocínio aristocrático e ambientado no palácio, o teatro assumiu sua forma moderna, e passou a reproduzir os dramas desta sociedade através da arte cênica. A perspectiva espacial da cidade barroca se fez pela primeira oportunidade no cenário pintado que representava a uma rua e construções, e não na cidade real. Os grandes urbanistas do período barroco eram não por coincidência cenógrafos.

A própria cidade nova era, na realidade, um ensaio de desenho cênico formal: um telão de fundo para o poder absoluto. Quando as finanças reais eram inadequadas para desempenhar feitos suficientemente grandiosos de construção em mármore, a aparência era falsificada em tinta e gesso, ou uma fachada monumental mascarava portentosamente a insignificante construção que havia por trás.

A influência do palácio se mostra mais poderosa na sociedade barroca, por meio dos aspectos de prazer, recreação, exibição e do aspecto teatral que marcava as vidas das pessoas. O prazer na sociedade barroca era o “ponto de origem e ao mesmo tempo, o próprio caminho da decadência” .

O prazer, para as massas, em todas as grandes cidades ou em suas mais remotas casas de diversão e salões de dança, à margem das estradas, é o prazer barroco: a exibição, o lustre, o gasto, as excitações visuais com conquistas eróticas ou possibilidades suberoticas, tudo isso devidamente pago, acompanhado pelo comer e beber em restaurantes e cafés necessariamente dispendiosos. E quando o jardim de prazer especial desapareceu com a expansão e o congestionamento da cidade, o mesmo ele mento voltou a nela se introduzir, em bairros apropriados.”

Os jardins tinham muita importância dentro da vida barroca palaciana, proporcionando o tão procurado prazer, sendo uma das áreas que mais preocupava os seus arquitetos e paisagistas. O complexo de palácios de Versalhes, maior símbolo da arquitetura barroca, é marcado por vastos jardins e bosques, com fontes que requeriam a mais avançada tecnologia e técnicas da época.
Maior símbolo da monarquia absoluta francesa, Versalhes é um dos maiores palácios do mundo, tendo sido construído em 1664 durante o governo de Luis XIV. Construído ao lado de um pavilhão de caça do rei, nos arredores da capital Paris, a obra do palácio foi confiada ao arquiteto Louis Le Vau e ao arquiteto paisagista André le Notrê. A opulência de Versalhes se expressa por meio de seus números: 2.000 janelas, 700 quartos, 1.250 lareiras e 700 hectares de parque. Entre os anos de 1664-1710, com algumas pausas, foram feitas em quatro fases a construção e expansão do complexo palaciano.
Os custos de manutenção do Palácio de Versalhes, do complexo de palácios menores e jardins eram bastante altos. É estimado que a conservação e manutenção, incluindo o cuidado e alimentação do staff e da família Real, consumiam entre 10 e 25 por cento dos rendimentos da França.
O complexo de Versalhes era muito importante para Luis XIV, em seus planos de centralização e implementação de um forte regime absoluto na França. Todo poder da França emanava de Versalhes. Luis XIV esperava controlar a nobreza do país, por meio de mantê-los vigiados, juntos a ele em sua propriedade, e desta forma Luis evitava que os grandes nobres desenvolvessem o seu próprio poder regional à custa do seu Poder Real. Toda nobreza de posições mais destacada, era requerido estadia em um período do ano no complexo de Versalhes.
O modelo de Versalhes, com sua opulência, luxo arquitetônico e os hábitos de sua corte, logo influenciou e gerou cópias na monarquia de outros países. Nas grandes cidades européias, pode-se notar a influência barroca de Versalhes, na medida em que grandes palácios barrocos e as suas dependências agora alojavam a burocracia em funcionamento. Também se pode ter como influencia do Palácio de Versalhes, a construção de palácios como o Peterhof – de Pedro, o grande, na Rússia-, o Palácio de Herrenchiemsee – na Baviera, que era quase que uma cópia idêntica do principal prédio do complexo de Versalhes -, La Granja - na Espanha, nas cercanias de Madrid -, o Palácio Real de Queluz - em Portugal, próximo de Lisboa -, e a cidade de Potsdam, na Prússia, construída por ordem de Frederico da Prussia.
Com exceção das cidades coloniais, as principais cidades construídas entre os séculos XVI e XIX, eram cidades residência para o rei e sua nobreza cortesã – como Versalhes, Karlsruhe e Potsdam -, ou cidades de guarnição, residências do poder real.

Somente em tais cidades podia a teoria barroca do planejamento ser plenamente obedecida em todos os setores: a tentativa de Christopher Wren, que procurou fazer isso em Londres após o grande incêndio de 1670, foi obstada por arraigados hábitos mercantis e ciosos direitos de propriedade. Quer como cidadela para seu exercito, quer como morada permanente para o príncipe e sua corte, a cidade barroca era, na realidade, um “espetáculo de comando.

A arquitetura e urbanismo barrocos foram construídos à base do despotismo, coerção e força. O patrocínio e a vaidade real fizeram com que o urbanismo planejado fosse associado ao poder arbitrário. As obras eram tidas como prioridades para o estado, com uso freqüente da força quando preciso, em ocasiões como a demolições de construções para poder edificar o prédio desejado pelo governante ou na rigidez pela velocidade nas construções. Desta feita, na maioria das vezes, o urbanista tinha conhecimento ou formação militar. Muitas vezes, as construções das grandes obras do período barroco tinham início com a demolição de “obstáculos” a imponência da nova obra.

Muitas vezes, tais obstáculos eram habitações humanas, lojas, igrejas, vizinhanças, monumentos preciosos, base de todo um tecido de hábitos e relações sociais. A remoção generalizada dos prédios que incorporavam tais formas apagava as cooperações e lealdades de uma existência, às vezes de muitas. O fato de realizar um “trabalho limpo”, o planejador tinha que destruir preciosos órgãos sociais, que não podiam ser substituídos tão facilmente como se podem pavimentar ruas e construir casas, não parecia importante ao engenheiro militar de então.

Tendo sido abordado o seu caráter despótico e militar, o plano de urbano barroco tinha distinção da antiga formalidade medieval, com quarteirões quase que simétricos e uniformes, e abordava formas mais descontraídas e belas. A exemplo disto são feitas praças, belos monumentos, e o traçado das ruas agora toma formato de asterisco – com partida de um ponto central, avenidas irradiavam para outras áreas da cidade, sendo este ponto central um local de importância -, como por exemplo, em Versalhes, que todas grandes avenidas chegavam a Versalhes.

O esquema do sítio central, círculos ou praças abertas, dominados por monumentos, flanqueados simetricamente por edifícios públicos, com avenidas a partir de tais centros, alterou profundamente todas as dimensões da construção. Ao contrario da cidade medieval, através da qual se deve caminhar lentamente, para apreciar suas incessantes transformações de massa e silhueta, seus detalhes complicados e surpreendentes, pode-se perceber toda cidade barroca quase de um só olhar. Mesmo que aquilo que não se vê pode-se facilmente introduzir na imaginação, uma vez que se achem estabelecidas as linhas de orientação.

A arquitetura barroca teve muita influência, sendo cidades como Paris, Madrid, Viena, Berlin e São Petersburgo bastante marcadas em suas arquiteturas e urbanismos por traços do barroco. Foi adotado em Paris, por exemplo, nos tempos de Napoleão I e Napoleão III um remodelamento e ampliação do centro urbano da cidade que resgatou formas barrocas. O barroco permaneceu influenciando a arquitetura e urbanismo após o século XVII, e sendo os palácios até hoje, as maiores testemunhas desta linha arquitetônica e urbanística.
O culto barroco do poder tem sido ainda mais tenaz que a ideologia medieval: continuou existindo e se estendeu a outros departamentos da vida, criando “napoleões” não simplesmente nas coisas do Estado, mas nos negócios e nas finanças, embora sua arregimentação perdesse progressivamente o vívido sentimento de expressão estética que realmente possuíam os grandes praticantes de suas fases iniciais. Por meio dos próprios efeitos da democracia, o absolutismo barroco apertou suas garras sobre a sociedade.


Durante a fase do Barroco do século XVII, seus governantes e, em geral, os indivíduos das classes dominantes não são senhores que vivem no campo: são ricos que habitam a cidade e burocratas que ali administram e enriquecem. Ao mesmo tempo, embora haja um mal-estar no campo, que por todos os lados explode em revoltas ocasionais, no século XVII são as populações urbanas as que inquietam o poder e às quais se dirige normalmente a política de sujeição, que se traduz, inclusive, em mudanças topográficas da cidade barroca. É também nela onde se levantam os monumentos históricos: Roma, Wien, Praga, Paris, Madrid, Sevilha e Valência concentram, juntamente com muitas outras, as criações de pintores, arquitetos, escultores etc. Nessas urbes barrocas se produz e consome a volumosa carga de literatura que floresce no século XVII. Essa mesma literatura reflete o indiscutível predomínio dos ambientes urbanos. De imediato, revela-nos que seus personagens vivem nas cidades, deslocam-se de umas para outras, nelas acontece a ação, e em seu espaço têm lugar as magníficas festas que animaram o século XVII, com grande contraste de luz e sombra. O drama da cultura barroca é um drama característicamente urbano.
Tapié no seu livro “Le baroque et la societé de l’Europe moderne”, ao estabelecer uma conexão entre Barroco e Sociedade, apresentou-o como uma cultura rural, dominada por uma mentalidade camponesa, sob a ação de uma economia agrária, de maneira que nos países de economia comercial mais desenvolvida não teriam penetrado as novas formas culturais. O auge da monarquia, a hierarquização revigorada da sociedade, o fortalecimento da propriedade da terra, a reconstituição dos grandes domínios senhoriais e o agravamento da situação do camponês são os fatos básicos da época e denotam uma sociedade predominantemente agrária, senhorial e nobre no topo, camponesa na imensa maioria dos seus componentes. Destarte, Tapié defende que o predomínio da sociedade agrária é um fato evidente da conservação, em ampla medida, dos usos da vida camponesa, e, por conseguinte, a cultura barroca seria rural.
Porém, os aspectos sociopolíticos a isso vinculados, desde o predomínio administrativo das monarquias, em boa parte burocratizadas, até a revalorização da propriedade territorial, produzida pelos investimentos citadinos, ou a urbanização dos costumes senhoriais na vida cotidiana, embora os poderosos, em alguns casos, retornem ao campo são manifestações urbanas muito características. Deste modo, Maravall (1997) contrapõe a tese de Tapié com o seguinte exemplo:

não podemos deixar de lembrar que as grandes e esplendorosas igrejas do século XVII, em geral, não se encontram no campo, à maneira dos ricos monastérios cluniances, ou dos grandes monumentos de Cister, mas em meio a povoadas e extensas cidades. Nelas estão os suntuosos templos jesuítas, e não sabemos de outros templos mais representativamente barrocos.
Outro estudioso da temática, Francastel, em sua obra “Limites chronologiques, limites géographiques et limites sociales du baroque” vincula o aparecimento e desenvolvimento do Barroco a um meio agrário: o Barroco triunfou em todos os lugares em que se manteve uma sociedade de tipo agrícola e feudal, conduzida por membros da Igreja, em todos os lugares em que reinem sem contestação uma ordem tradicional. É preservador dos costumes e dos modos de apresentação.
As idéias de Francastel acerca do caráter agrário do Barroco exposto acima é passível de algumas críticas: primeiro, o termo “feudal” é um anacronismo que conduz ao equívoco; segundo, o império da ordem tradicional tenha sido imposto sem contestação – quando são conhecidas as fortes tensões sociais nas quais o Barroco se apóia e das quais nasce essa nova cultura; por último, nessa sociedade, mais do que uma sociedade “de tipo agrário”, seria próprio chamá-la de “economia agrária”, já que, os modelos culturais que se impõem, em conformidade com os grupos nelas predominantes, se acham marcadamente transformados por um processo de urbanização.
Assim, após ter sido exposto alguns argumentos que defendiam a natureza do Barroco como rural, agrária, além dos contra-argumentos a tais idéias, podemos afirmar que ocorreram transformações importantes no panorama desse tema, com alterações no papel atribuído aos grupos sociais e a todo tipo de fatores operantes sobre a matéria. Maravall (1997) é claro ao explicar:

o Barroco produz-se e desenvolve-se em uma época na qual os movimentos demográficos já obrigam a distinguir entre meio rural e sociedade agrária. Surge, então, essa cultura da cidade, dependente das condições pelas quais se vai expandindo a urbanização e que operam inclusive sobre zonas rurais próximas, relacionadas com a cidade; uma cultura que se mantém vinculada, como a própria sociedade urbana, a uma base de preponderante economia agrária, na qual se alcançou, no entanto, um nível considerável de relações mercantis e monetárias, com a conseqüente mobilidade disto decorrente, e de cujos primeiros resultados devemos partir para entender os fatos sociais e culturais que a nova época nos oferece

Ainda contra-argumentado a idéia de Francastel do reino sem contestação da ordem tradicional a ponto de continuar a ser feudal, mesmo no século XVII, Anderson (1995) diz:

quando os Estados absolutistas se constituíram no Ocidente, a sua estrutura foi fundamentalmente determinada pelo reagrupamento feudal contra o campesinato, após a dissolução da servidão; mas ela foi secundariamente sobredeterminada pela ascensão de uma burguesia urbana que, depois de uma série de avanços técnicos e comerciais, evoluía agora em direção as manufaturas pré-industriais numa escala considerável (grifo do autor).

Anderson (1995) continua:

a ameaça da inquietação camponesa, incontestavelmente constitutiva do Estado absolutista, sempre se conjugou, assim, com a pressão do capital mercantil ou manufatureiro no seio das economias ocidentais em seu conjunto, moldando os contornos do poder de classe aristocrático na nova era. A forma peculiar do Estado absolutista no Ocidente deriva desta dupla determinação.

O fato que pode ter sido passível de dúvida do novo regime político frente à sociedade da Europa Ocidental na Idade Moderna – a permanência do status quo do campesinato, embora de forma remodelada, dos privilégios da aristocracia e pelo emergente poder da burguesia – que se refletirão marcadamente nos contrastes da dramática sociedade barroca, Perry Anderson explica:

o paradoxo aparente do absolutismo na Europa Ocidental era que ele representava fundamentalmente um aparelho para a proteção da propriedade e dos privilégios aristocrático, embora ao mesmo tempo, os meios através dos quais tal proteção era promovida pudessem simultaneamente assegurar os interesses básicos das classes mercantis e manufatureiras emergentes.

Londres e Amsterdã

Na Idade Média e na Renascença, Londres compõe-se de duas partes: a City e Westminster. A City, localizada na foz do Tamisa, constitui-se no centro comercial de maior relevância da Inglaterra. Já Westminster tem como sede o governo e o parlamento, simbolizando o controle do Estado moderno com sua burocracia permanente e administração financeira, sendo estendida pouco a pouco a outros departamentos de Estado. De acordo com Braudel (1970):

Westminster é completamente diferente de Versailles ( criação tardia e ex nihilo) é absolutamente uma cidade antiga e viva. Ao lado da Abadia, o palácio Westminster, abandonado por Henrique VIII, tornou-se a sede do Parlamento e dos principais tribunais: homens de lei e pleiteantes encontram-se aí. A Realeza instalou-se um pouco mais longe, em Whitehall, no Palacio Branco, na margem do Tamisa.
Westminster, é pois ao mesmo tempo Versailles, Saint Denis, e ainda, para ter maior importância, o Parlamento de Paris. Dito isso para assinalar a extrema atração deste segundo pólo no desenvolvimento de Londres.

Pelo fato de não estar sujeita à ameaça militar como outras cidades daquela época, Londres cresce como uma cidade aberta. Uma “coroa” de subúrbios é formada forma-se ao redor da city, seguindo o traçado das ruas dos campos. O incêndio de devastador de 1666 em boa parte da city e metade da periferia ocidental dá ocasião para reconstrução da capital inglesa de acordo com o plano do arquiteto Wren que foi apresentado ao rei Carlos II. Todavia, falta a monarquia inglesa recursos e autoridade para tal empresa. O máximo que consegue fazer é: o alargamento das ruas principais e regulamentar a altura das novas casas. A Catedral de São Paulo e as varias igrejas por Wren e seus colaboradores.
Após a revolução de 1689, a monarquia inglesa torna-se hegemônica na Europa; Londres ultrapassa Amsterdã como centro comercial e financeiro mundial e tornando-se a maior cidade européia de então.
Interessante observar que Londres torna-se a primeira cidade burguesa na qual a forma urbana independe da intervenção governamental ou de uma classe dominante restrita, mas sim do somatório das pequenas iniciativas particulares.
De acordo com Benevolo (2005):

Este prodigioso desenvolvimento não é dirigido por um plano municipal, como Amsterdã, nem pelos arranjos monumentais da Corte, como em Paris. Londres é um mosaico de pequenas iniciativas – loteamentos promovidos pelos proprietários de terrenos, nobres ou burgueses – alternados com freqüentes espaços verdes, públicos ou particulares.

Diferentemente das cidades que são produtos do Absolutismo dominante da época, as cidades holandesas ainda são governadas como cidades-estado com administração coletiva da burguesia mercantil, com suas leis e instituições próprias. Dessa forma, Amsterdã cresce combinando elementos administrativos medievais e a ciência e a tecnologia moderna junto com a regularidade visual renascentista. Na primeira metade do século XVI já é uma cidade portuária com cerca de 40.000 habitantes. Em 1481 faz-se necessária a demolição dos muros da cidade para o crescimento.
Ao Contrario de Londres, em Amsterdã executa-se um plano que foi aprovado em 1607, onde o Governo desapropria o terreno para construção de casas e canais concêntricos na cidade.
A vida nesta cidade é intensa, sendo os canais ambientes de vida e circulação intensa. As habitações e locais de trabalho pertencem aos cidadãos e não a um soberano absoluto. No fim do Século XVII possui uma superfície de 650 hectares e uma população de 200.000 habitantes. Observa Zumthor (1989) que:

Essa metrópole edificou-se nos lugares aparentemente menos propícios ao seu desenvolvimento: os pântanos formados na embocadura do Amstel, num braço do mar do Tjsel. O aglomerado primitivo edificou-se sobre algumas faixas de terra perpendiculares a este.

Sua fisionomia demonstra a vitalidade das regras urbanísticas medievais, estabelecendo uma relação frutífera entre o poder publico e as iniciativas privadas, permanecendo por longo tempo a cidade mais moderna da Europa e também modelo urbanístico para cultura urbanística européia até o século XX.



REFERÊNCIAS


ANDERSON, Perry. Linhagens do Estado Absolutista. São Paulo. Ed. Brasiliense. 1995
BENEVOLO, Leonardo. História da Cidade. São Paulo. Ed.Perspectiva. 2005
BRAUDEL, Ferdinand. Civilização Material e Capitalismo. Volume I. São Paulo: Martins Fontes, 1995.

LE GOFF, Jacques. O Apogeu da Cidade Medieval. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

LITTELL E MIFFLIN. World History: patterns of interactions. 2001

MARAVALL, Jose Antonio. A Cultura do Barroco. São Paulo. Edusp. 1997

MUNFORD, Lewis, As Cidades na História: suas origens, transformações e perspectivas. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

SENNETT, Richard. Carne e Pedra: o corpo da cidade na civilização ocidental. Tradução de Marcos Aarão Reis. Rio de Janeiro: BestBolso, 2008.

Zumthor, Paul. A Holanda no tempo de Rembrandt. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

MUNFORD, Lewis. As Cidades na História: suas origens, transformações e perspectivas. São Paulo: Martins Fontes, 2004. p. 445
A Liga Hanseática distribuía mercadorias por todo o norte da Europa. Fundada em 1161, operava no setor do comércio marítimo, entre Genova e Veneza, na Itália, depois entre Londres e os Países Baixos, até o porto da Alemanha, de onde os produtos seguiam por terra.
Ibidem, p. 445.
MUNFORD, Lewis. Op. cit., p. 452.
LE GOFF, Jacques. O Apogeu da Cidade Medieval. São Paulo: Martins Fontes, 1992. p. 69.
MUNFORD, Lewis. Op. cit., p. 451.
BRAUDEL, Ferdinand. Civilização Material e Capitalismo. Volume I. São Paulo: Martins Fontes, 1995. p. 459.
LE GOFF, Jacques. Op. cit., p. 56
BRAUDEL, Ferdinand. Op. cit., p. 441.
MARX, Karl. Apud BRAUDEL, Ferdinand. Op. cit., p. 439.
SENNETT, Richard. Carne e Pedra: o corpo da cidade na civilização ocidental. Tradução de Marcos Aarão Reis. Rio de Janeiro: BestBolso, 2008. p. 196.
BRAUDEL, Ferdinand. Op. cit., p. 379.
SENNETT, Richard. Op. Cit., p. 196.
MUNFORD, Lewis. Op. cit., p. 449.
Ibidem. p. 446.
BRAUDEL, Ferdinand. Op. cit., p. 379.
BRAUDEL, Ferdinand. Op. cit., p. 386.
Ibidem, p. 390.
BRAUDEL, Ferdinand. Op. cit., p. 483.
MUNFORD, Lewis. Op. cit., p. 451.
SENNETT, Richard. Op. Cit., p. 261.
MUNFORD, Lewis, As Cidades na História. São Paulo: Martins Fontes, 2004. P. 407
MUNFORD, Lewis, Op. cit., p. 407
MUNFORD, Lewis, Op. cit., p. 410
Ibidem, p. 410
Ibidem, p. 411
MUNFORD, Lewis, Op. cit., p. 112
Ibidem, p. 412
Littell e Mifflin. World History: Patterns of Interactions. 2001
MUNFORD, Lewis, Op. cit., p. 419
MUNFORD, Lewis, Op. cit., p. 420
MUNFORD, Lewis, Op. cit., p. 423
Ibidem, p. 432
MARAVALL, 1997 Ibidem, p. 432, p. 190
MARAVALL, 1997, p. 191
ANDERSON, 1995, p. 22
ANDERSON, 1995, p. 23
BRAUDEL, 1970, p. 469
BENEVOLO ,2005, p.542

Um comentário:

Deurivan disse...

Ola, prof. Vicente. Sou Graduando de L. P. em Geografia da UESPI, e achei muito interessante o trabalho sobre cidades na Idade Moderna dos seus alunos. è interessante para mim uma vez que minha pesquisa para monografia é Geografia Urbana, e este trabalho ajuda a compreender o desenvolvimento das cidades ocidentais. Com certeza irá me ajudar no meu TCC. Até mais!!!