segunda-feira, 12 de maio de 2008

Alimentação no Brasil


UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE ARTES E COMUNICAÇÃO
DISCIPLINA: HISTÓRIA DA CULTURA
PROFESSOR: SEVERINO VICENTE
TURISMO / 1º PERÍODO (TARDE)



ALIMENTAÇÃO: A História da alimentação no Brasil.









ANDRÉ SPINELLI, CÁSSIA MACHADO, LUÍZA GALVÃO, MONICK DE FRANÇA








ALIMENTAÇÃO:
A História da Alimentação no Brasil.




Trabalho apresentado a Disciplina de História da Cultura, do curso de Turismo, da Universidade Federal de Pernambuco









RESUMO

Os costumes alimentares do Brasil são frutos de uma mistura de ingredientes europeus, indígenas e africanos, ocasionados pela já existênte culinária indígena e pela colonização do nosso país, com posterior introdução dos costumes alimentares europeus e africanos na nossa alimentação. Sendo assim, muito da nossa cozinha, técnicas de preparo e ingredientes são de origem indígena, tendo sofrido adaptações por parte dos escravos que chegaram aqui, trazidos pelos portugueses. Os africanos e seus descendentes fizeram adaptações dos seus pratos típicos substituindo os ingredientes que faltavam por correspondentes locais. Os escravos trazidos ao Brasil desde fins do século XVI, somaram à alimentação nacional novos elementos. As levas de imigrantes recebidas pelo país entre os séculos XIX e XX, vindos em grande número da Europa, trouxeram grandes novidades ao cardápio nacional e concomitantemente foi fortalecido o consumo de diversos ingredientes.Dentro de um pais tão rico em termos de alimentação chegando ao século XX surge ainda a invasão do fast food e a “Mcdonaldização” da alimentação influenciando tanto de forma negativa como de positiva os hábitos alimentares da população brasileira.










SUMÁRIO
Página
INTRODUÇÃO_____________________________________________________5
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA______________________________________6
Influências Indígenas_______________________________________6
Influências Africanas_______________________________________8
Influências Européias_______________________________________9
Influências Norte-Americanas (Fast-food e Mcdonaldização)______10
A influência nos dia atuais___________________________________14
METODOLOGIA___________________________________________________16
OBJETIVOS E RESULTADOS_______________________________________17
CONCLUSÃO______________________________________________________18
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS__________________________________19







INTRODUÇÃO

Desde a chegada dos colonizadores até os tempos atuais, o Brasil sofreu processos de mudança nos hábitos alimentares, traçando um ciclo evolutivo na alimentação da sociedade que hoje apresenta “níveis culinários”, que vão desde a pré-histórica atividade de caça e pesca até os mais sofisticados buffets da sociedade contemporânea.
Com a chegada dos portugueses, e com eles os africanos, ocorreu um processo de aculturação do indígena que aqui estava, gerando um fenômeno de mistura de raças, costumes e tradições. Com isso a cozinha brasileira sofreu influências de várias partes do mundo, principalmente da Europa, já que Portugal era a metrópole e as tendências que se formavam por lá eram trazidas e desenvolvidas na colônia. Mas, não se pode omitir o legado que os africanos e indígenas proporcionaram para a cozinha nacional, mesmo que não seja dada a devida importância. Com a independência veio a imigração, européia, que trouxe para o país um ganho significante no âmbito alimentar com a incorporação de costumes alimentares de vários países do mundo. No mundo globalizado vivemos a invasão do fast- food, de criação norte-americana, que tem seu público dominante principalmente entre os jovens.






FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA


Todo ser vivo precisa se alimentar para sobreviver e se reproduzir. Mas, na espécie humana, a imensa capacidade de se adaptar a vários tipos de alimentos fez do homem a espécie de hábitos alimentares mais diversificados do planeta fato que foi fundamental para a sua evolução.
A chegada dos portugueses no início do século XVI, iniciou a exploração das terras brasileiras. Da miscigenação dos povos indígenas, portugueses e africanos nasciam os costumes alimetares brasileiros. Muitas das técnicas de preparo e ingredientes são de origem indígena, tendo sofrido adaptações por parte dos escravos e dos portugueses. Esses faziam adaptações dos seus pratos típicos substituindo os ingredientes que faltassem por correspondentes locais. A feijoada, prato típico do país, é um exemplo disso. Os escravos trazidos ao Brasil desde fins do século XVI, somaram à culinária nacional elementos como o azeite-de-dendê e o cuscuz. As levas de imigrantes recebidas pelo país entre os séculos XIX e XX, vindos em grande número da Europa, trouxeram algumas novidades ao cardápio nacional e concomitantemente fortaleceu o consumo de diversos ingredientes.
1. Presença Indígena
A alimentação indígena tinha como alicerce a mandioca, na forma de farinha e de beijus, mas também de frutas, pescado, caça, milho, batata e pirões e, com a chegada dos portugueses, do inhame trazido da África.
Todos os povos indígenas conheciam o fogo e o utilizavam tanto para o aquecimento e a realização de rituais quanto para preparar os alimentos. As principais formas de preparo da carne eram assá-la em uma panela de barro sobre três pedras (trempe), em um forno subterrâneo (biaribi), espetá-la em gravetos pontudos e colocá-la para assar ao fogo — de onde teria vindo o churrasco do Rio Grande do Sul — colocá-la sobre uma armação de madeira até ficar seca para que assim pudesse ser conservada (moquém) ou algumas vezes cozê-la. No biaribiri colocavam uma camada de folhas grandes em um buraco e sobre elas a carne a ser assada e sobre essa carne ainda, uma camada de folhas e outra de terra, acendendo sobre tudo um fogueira de onde teria surgido o modo de preparar o barreado do Paraná. Por vezes a carne cozida servia para o preparo de pirões, mistura de farinha de mandioca, água e caldo de carnes. Havia duas formas de prepará-lo, cozido ou escaldado. Na primeira, o caldo é misturado com a farinha aos poucos e mexido até ganhar consistência adequada, na segunda, simplesmente misturam-se os dois, resultando em um pirão mais mole.Ao lado da farinha e do beiju, a caça era outra das principais fontes de alimento. As principais carnes eram as de mamíferos como o porco-do-mato, o queixada, o caititu, a paca, o veado, macacos e a anta, que servia a comparações com o boi, a anta estrangeira. Eram preparadas com pele e vísceras, o pêlo queimado pelo fogo e os miúdos, órgãos internos, depois retirados e repartidos.
A pesca, de peixes, moluscos e crustáceos, era realizada com arco a pequenas distâncias, sem haver uma espécie mais apreciada que outras. Os maiores eram assados ou moqueados e os menores cozidos sendo o caldo utilizado para fazer pirão. Por vezes, secavam os peixes e socavam-nos até fazer uma farinha que podia ser transportada durante viagens e caçadas. A paçoca era produzida da mesma maneira, pilando-se a carne com a farinha de mandioca, alimento posteriormente adaptado com castanhas de caju, amendoins e açúcar no lugar da carne e transformado em um doce.
Para temperar o alimento usavam a pimenta ou uma mistura de pimenta e sal pilada chamada ionquet, inquitaia, juquitaia, ijuqui. Sempre era colocado após o preparo e mesmo comido junto com o alimento, colocando-se um naco de comida na boca e em seguida o tempero. O sal era obtido a partir de difíceis processos de secagem da água do mar, em salinas naturais , sal mineral ,ou a partir da cinza de vegetais.

Entre os alimentos líquidos indígenas encontra-se a origem do tacacá, do tucupi, da canjica e da pamonha. O primeiro surge a partir do sumo da mandioca cozida, chamado manipueira, misturado com caldo de peixe ou carne, alho, pimenta e sal e o segundo a partir da fervura mais demorada do mesmo sumo. A canjica era uma pasta de milho puro até receber o leite, o açúcar e a canela dos portugueses ganhando adaptações de acordo com o preparo, como o mungunzá, nome africano para o milho cozido com leite, e o curau, feito com milho mais grosso. A pamonha era um bolo mais grosso de milho ou arroz envolvido em folhas de bananeira. Fabricavam também bebidas alucinógenas para reuniões sociais ou religiosas como a jurema no Nordeste. Com seus ingredientes e técnicas a culinária indígena formaria a base da culinária brasileira e daria sua autenticidade, com a mandioca sendo o ingrediente nacional, pois incluído na maioria dos pratos.
2. Presença Africana
A alimentação cotidiana na África, por volta do século XVI, incluía arroz, feijão, milhetos, sorgo e cuscuz. A carne tinha, em sua maior parte, origem na caça abundante de antílopes, gazelas, búfalos, aves, hipopótamos e elefantes. Pescavam pouco. Criavam gado ovino, bovino e caprino, mas a carne desses animais era em geral destinada aos sacrifícios e as trocas. Preparavam os alimentos, assados, tostados ou cozidos. Para temperar a comida tinham preferência pelas pimentas e também utilizavam óleos vegetais, como o azeite-de-dendê, que acompanhava a maioria dos alimentos.
O escravo era apresentado ao paladar brasileiro antes mesmo de deixar a África, recebendo uma saca com provisões de feijão, milho, aipim, farinha de mandioca, peixe e tomavam cachaça, para a travessia do Atlântico.
A base da alimentação dos escravos não variava de acordo com a função do escravo, mas com a função ser rural ou urbana e com o seu ser amo rico ou pobre. A base era a farinha de mandioca. Nas propriedades ricas, a alimentação do escravo incluía canjica, feijão-preto, toucinho, carne-seca, laranjas, bananas, farinha de mandioca e o que ele conseguisse pescar e caçar; nas pobres era de farinha, laranjas e bananas. Os temperos usados eram o açafrão e o leite de coco. Este último sendo trazido para o Brasil pelos escravos, sendo foi utilizado para regar peixes, mariscos, o arroz-de-coco, o cuscuz, o mungunzá e ainda diversas outras iguarias.
Comiam o milho sempre cozido, em forma de papa, angu ou fervido com leite de vaca, em preparo parecido ao atual mungunzá. O escravo dos engenhos de açúcar se alimentava de mel com farinha e bebia caldo de cana, cachaça, mel com água, sucos e café.
A banana foi herança escravista. Nenhuma fruta teve popularidade tão grande Foi a maior contribuição africana para a alimentação do Brasil, em quantidade, distribuição e consumo. Em troca, levaram mandioca, caju, abacaxis, mamão, abacate, batatas, cajá, goiaba e araçá.
Prato apreciado no país atualmente, o cuscuz era conhecido em Portugal e na África antes da colonização do Brasil. Surgiu no norte da África, entre os berberes. Podia ser feito
de arroz, sorgo, milhetos ou farinha de trigo e com a chegada do milho da América passou a ser feito principalmente deste. Comumente, é consumido doce, feito com leite ou leite de coco, a não ser o cuscuz paulista, consumido com ovos cozidos, cebola, alho, cheiro-verde e outros legumes.
Os africanos trouxeram ao Brasil o gosto por novos temperos e a habilidade de improvisar receitas, misturando ingredientes europeus e indígenas. A cozinha africana privilegia os cozidos e não as frituras. O caldo é um item importante, proveniente do alimento cozido ou simplesmente preparado com água e sal. No Brasil, esta pratica popularizou o pirão.
A África doou ao Brasil à manga, a jaca, a melancia, a erva-doce, o gengibre, o feijão preto, o quiabo, a galinha d’Angola, a pimenta malagueta (lugar de origem da mesma), ensinou a fazer vatapá, mungunzá, acarajé, angu e pamonha. Contribuiu com a difusão do inhame, da cana – de – açúcar, do amendoim, do fumo, do cacau, do café e do azeite-de-dendê. E também introduziu a feijoada, que surgiu nas senzalas, feitas pelos escravos que cozinhavam o feijão e aproveitavam os restos de porco jogados fora pelos seus senhores.
As extensas plantações de açúcar, o ciclo do ouro e dos diamantes e o surto cafeeiro fizeram com que grande parte da população negra se deslocasse em direção a Pernambuco, Minas Gerais e São Paulo, respectivamente. Mas nessas regiões, a culinária africana não conseguiu se impor com a mesma força que na Bahia, onde se conservou sua cor e sabor até hoje.
A cozinha africana, pequena, mas forte, fez valer os seus temperos, os verdes, a sua maneira de cozinhar. Modificou os pratos portugueses, substituindo ingredientes. Fez a mesma coisa com os pratos da terra. E finalmente, ajudou a criar a cozinha brasileira e a usar as panelas de barro e a colher de pau.

Presença Européia
Como o Brasil foi colônia de um país europeu por mais de trezentos anos, não podiam faltar traços culturais marcantes do colonizador, nesse caso o português, inclusive no que diz respeito à alimentação e hábitos alimentares. No geral, os países da Europa que mais acrescentaram na culinária brasileira foram os da península ibérica, além de Alemanha, França e Itália. As cozinhas espanhola e portuguesa assemelham-se até certo ponto, ambas tendo o árabe como referencial trouxeram consigo a devoção pelos condimentos, frutas cítricas, cereais e uma paixão especial pela carne de porco. No se´culo XIX os imigrantes alemães foram os primeiros a chegarem em grandes quantidades ocupando a região sul do país e assim como os ibéricos tinham um apreço fora do comum pela carne suína. A cozinha alemã não trouxe pratos puramente típicos, mas sim adaptou sua cozinha aos sabores locais na época da emigração. Os italianos foram os que menos mesclaram sua culinária com a brasileira, aceitando apenas a incorporação de algumas iguarias como pimentas e o tomate. Acrescentaram à nossa alimentação o maior apreço pelas massas de farinha de trigo, molhos espessos e condimentadores, além de alguns tipos de queijo que em território brasileiro rapidamente se associou aos doces ou algum outro tipo de complemento, diferentemente dos europeus que o consomem apenas com vinho.
A influência francesa no Brasil aconteceu por intermédio português, já que havia um grau de parentesco entre as nobrezas dos dois países, sendo Portugal grande admirador da cultura francesa de quem sofreu muitas influências. Com a exceção do champagne e dos vinhos, os franceses não trouxeram grandes contribuições na culinária, mas sim nos hábitos alimentares. A sofisticação e a sistematização dos jantares, que se convencionaram banquetes, foram de autoria francesa, assim como a adição do cardápio “menu” antes das refeições, e os brindes que eram feitos em celebração a algum fato ocorrido. Naquela época era uma questão de status promover banquetes a moda francesa, além de modificar os nomes dos pratos substituindo-os por nomes franceses, mesmo que muitos não soubessem nem o que estavam pedindo.
De maneira geral os europeus não trouxeram apenas novidades culinárias para o Brasil, mas souberam com o passar do tempo adaptar seus costumes e tradições no âmbito alimentar aos sabores locais, levando também costumes tipicamente brasileiros ao dia-a-dia da população européia.

Presença Norte-Americana (Fast-food e Mcdonaldização)

Desde o início do século XX, o fordismo, como modelo econômico em vias de transformar-se de modo-de-fazer em modo-de-pensar, pregava a intensificação da produção e do consumo de massa, associando as idéias de progresso e velocidade. Estabelecendo indicadores de eficiência, relaciona as idéias de modernidade, conforto e sucesso, constituindo o panorama no qual o estilo de alimentação fast food surgiu e se desenvolveu.
Tomando como base uma das maiores empresas de fast-food temos a Mc Donald’s corporation, fundada em 1937 na Califórnia, Estados Unidos (EUA), o Mc Donald´s adotou em 1948 o sistema de produção e comercialização de alimentos que viria a se tornar o que hoje conhecemos como fast food: preparo em linha de montagem, cardápio simplificado, eliminação de talheres e pratos e lanches comprados diretamente no balcão. Isso tornou o Mc Donald´s reconhecido por sua limpeza, métodos de preparo uniformes, serviço rápido, barato e sem gorjetas, passando a ser freqüentado por pessoas de menor renda. Em 1965 foi adotado o personagem Ronald Mc Donald como marca e os comerciais mostravam a ida à lanchonete como uma experiência feliz. A partir daí a propaganda passou a mostrar a fórmula “comida, família e diversão”.
No Brasil, o primeiro Mc Donald’s foi inaugurado em 1979, no Rio de Janeiro e dois anos depois uma segunda loja foi aberta em São Paulo. Ao contrário do que acontecia nos EUA, no Brasil a marca Mc Donald's configurou-se em ícone do consumo elitista no setor de alimentos. Isso porque oriunda dos EUA, seus produtos adquirem o status de objetos de desejo para a população dos países periféricos.
Com a abertura da primeira loja do McDonald's no Brasil. Para se entender a proporção do crescimento do mercado, a rede americana sozinha (em dados de 2005) emprega cerca de 34.000 funcionários e possui em operação 1.146 pontos de venda sendo 544 restaurantes, 602 quiosques e 49 unidades de McCafé. No mundo inteiro, o Brasil atualmente é o 8o maior mercado da empresa.
Desde então, o mercado que ainda nos dias atuais se mantém fragmentado, viu uma quantidade de redes se instalar e buscar espaço regionalmente, mas algumas poucas marcas se estabeleceram nacionalmente: Pizza Hut (americana), Subway (americana), McDonald's (americana), Habib's (brasileira, origem SP), Giraffas (brasileira, origem DF), Bob's (americana e brasileira, origem RJ) e Spoletto (brasileira, origem RJ). Como concorrentes diretos, o Habib’s e o Giraffa’s se juntam ao Bob’s e McDonald’s para comporem os quatro maiores grupos atuantes no mercado nacional, em número de pontos de venda e faturamento. As mudanças tecnológicas no setor alimentos contribuíram para que o modelo alimentar estadunidense se implantasse no país em velocidade vertiginosa, transformando a cultura alimentar tradicional. O Brasil, que era marcado por hábitos culturais dos povos negros, indígenas e europeus, se rende à cultura da rapidez, da higiene, da divisão e da racionalização do trabalho, bem como da produção em série. Já na década de 1990 a refeição se identifica cada vez menos com a esfera doméstica e a classe média passa a se alimentar em restaurantes self-service e fast food.
Constituído na grande maioria por alimentos de alto valor calórico, o fast food
tem sido associado ao aumento da prevalência de algumas doenças como obesidade,
hipertensão arterial e diabetes melitus, principalmente na população infantil. Dados da
Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que o índice de obesidade em crianças e
jovens de 6 a 18 anos aumentou de 4% na década de 1970 para 13% no ano de 1997 . O
relatório final da reunião sobre a obesidade da Organização Pan-americana de Saúde
(OPAS) caracteriza a obesidade como doença e destaca seu rápido crescimento em crianças e adolescentes, apontando também à possível sobrecarga que os agravos dela decorrentes poderão trazer aos sistemas de saúde, resultando em enorme ônus financeiro ao governo e ao contribuinte. Apesar do impacto dessas informações, as lanchonetes de fast food continuam com as vendas aquecidas. Desconhecendo ou desconsiderando os riscos, os consumidores aumentam dia a dia, tornando a rede Mc Donald’s Corporation uma das maiores empresas do mundo: em 1997, obteve o primeiro lugar em reconhecimento pela consultoria inglesa Interbrand. Essa imensa estrutura, capaz de financiar as mais eficazes estratégias de propaganda e marketing, concentra seu olhar no público infantil, buscando captar sua atenção e participar da formação de seus hábitos, promovendo assim uma constante e perpétua relação com os consumidores de amanhã.
Um exemplo de um movimento de resistência à transformação dos padrões locais de alimentação e comercialização é o movimento Slow Food, surgido na Itália, no final da década de 1980. Buscando resgatar hábitos alimentares saudáveis e opondo-se à tendência de padronização do paladar, chamada de “mcdonaldização”, o Slow Food defende a biodiversidade e a identidade cultural. No Brasil, atua em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, sendo ainda uma iniciativa de pouca repercussão.
Queremos lutar contra a invasão das grandes redes de distribuição e de franquias, principalmente no setor de alimentação. Não podemos impedir as grandes cadeias de alimentação de se estabelecerem na cidade, mas esperamos que as pessoas que vêm à cidade não queiram comer aqui o mesmo hambúrguer que elas podem comer em Londres, Paris ou Melbourne. (WASSERMAN, 2000).

Hoje o termo McDonaldização é conhecido mundialmente.
McDonaldização é conceito que engloba muito mais do que o alto grau de racionalização desenvolvido pela empresa McDonald´s. Tomando-a como paradigma do processo de maximização da produtividade, George Ritzer identifica suas manifestações nos mais variados setores da atividade humana: sistema bancário, educação, atendimento médico-hospitalar, turismo, recreação, comunicações. (FRANCO, 2004, p.240).
Em seu livro “De caçador a gourmet”, o autor Ariovaldo Franco cita que no terreno específico dos hábitos alimentares e dos estabelecimentos de fast-food, podem-se identificar os seguintes traços de McDonaldinização:
Desritualização da refeição
Simplificação e homogeneização dos processos culinários e dos alimentos servidos.
Referência enfática ao tamanho e à quantidade dos produtos vendidos, quase nunca à qualidade. Donde o uso freqüente de adjetivos como big e super na nomenclatura dos produtos.
Atendimento da clientela com um mínimo de comunicação verbal, com fórmulas despersonalizadas e estereotipadas.
Emprego de mão-de-obra jovem, cujo treinamento se resume em aprender gestos simplificados, repetitivos e automáticos. Os restaurantes de fast-food não empregam chefs.
Alta rotatividade da mão-de-obra, em decorrência da insuportável monotonia do trabalho tão altamente racionalizado.
Desumanização das relações entre os membros do staff e destes com a clientela. Nas empresas McDonaldinizadas, há pouca oportunidade para expressão de emoções.
Esvaziamento da refeição de seus elementos de ritual de comunicação e intercâmbio humano, transformando-se esta em mera operação de reabastecimento.
Generalização paulatina de refeições domésticas calcadas no modelo fast-food, até mesmo em ocasiões festivas.
Substituição dos tradicionais utensílios de mesa por equivalentes descartáveis ou simplesmente pela criação de maneiras que os dispensem. Sugestivamente, alguns estabelecimentos chamam de finger food o tipo de alimento que servem.
Preferência pela previsibilidade de uma refeição, em vez da surpresa que ela possa oferecer.
O fast-food é uma das expressões (existem outras) do movimento de aceleração da vida. Nesse sentido, quando McDonald´s migra para outros países, não devemos compreendê-lo como um traço cultural que se impõe à revelia dos valores autóctones. Ele exprime a face interna da modernidade do mundo. (ORTIZ, 2000, p.86).

Contudo o fast food não pode ser considerado mero indicio de regressão gastronômica como querem alguns, pois apresenta um aspecto funcional inegável: satisfaz a necessidade atual de rapidez e responde à demanda de relações impessoais decorrentes da cultura urbana e de seu ritmo. Tendo que se considerar que as cadeias de restaurantes fast-food hoje são realidade principalmente nos grandes centros onde as pessoas possuem pouco tempo para se alimentar, o que significa dizer que a rotina diária muito agitada faz com que essas pessoas busquem esse tipo de serviço. A vida moderna exige maior praticidade e isso não favorece a escolha dos alimentos melhor preparados ou dos restaurantes mais sofisticados, por isso o fast-food tornou-se uma potência em diversos países e, como o nome sugere, não só o tempo de preparo, bem como o atendimento do cliente é feito muito rápido.
5. A influência nos dia atuais
Apesar de muitas influências, a culinária brasileira ainda é baseada nas origens surgidas com os índios, escravos e portugueses. A base da nossa alimentação esta ancorada em ingredientes como abóbora, batata, aipim, inhame, feijões de diferentes espécies, arroz, carne de peixe, farinha de mandioca, leite e ovos. Esses ingredientes com a capacidade de misturar sabores do brasileiro fez da nossa alimentação rica e variada.
A globalização trouxe a facilidade de importação de produtos e nas grandes cidades existe a fusão de ingredientes e sabores de todos os lugares do mundo,que podem trazer uma falsa impressão de uma suposta “onda estrangeira” na nossa cozinha atual. Porém, no Brasil do interior, imenso e com traços regionais firmes os ingredientes e misturas surgidos no começo da nossa história continuam com a mesma identidade.
Da mesma forma que o brasileiro recebe bem o imigrante, recebe os seus pratos e sabores e em qualquer lugar do Brasil podem ser encontradas cozinhas e ingredientes do mundo todo espalhados por bares, restaurantes e supermercados. Com a fama de “casar as coisas”, o brasileiro vai misturando sabores sem prender-se a regras e vai tornando a nossa gastronomia cada vez mais rica.

METODOLOGIA

O presente estudo foi elaborado a partir das seguintes etapas de trabalho:

PESQUISA BIBLIOGRÁFICA: consistiu na leitura e discussão de textos, artigos e livros sobre os costumes alimentares no Brasil, seus aspectos e influências. Em relação às bases e pressupostos de avaliação dos séculos XVΙ ao XX, tomou-se como referência a obra de Luís da Câmara Cascudo, mais especificamente História da Alimentação no Brasil. Já para o final do século XX e início do XXΙ tomamos como base principal a obra De caçador a Gourmet: uma história da gastronomia, do sociólogo Ariovaldo Franco.

PESQUISA DE CAMPO: realizada através de uma visita ao Mercado de São José, no centro do Recife, a fim de buscar um reconhecimento prático e cotidiano dos costumes brasileiros. O critério de escolha foi o fato de que trata-se esse lugar de uma fonte valiosíssima dos traços, influências e elementos que marcam a cultura brasileira, incluindo a sua culinária.

Foi de interesse do grupo, conversar com as pessoas e com os vendedores locais. Saber o que mais é vendido, com que freqüência e para quem se vende, o que nos proporcionaria um melhor entendimento do assunto.

ENTREVISTA: realizou-se uma entrevista, em vídeo, com o colecionador de artigos e autor de livros como Cozinha de Pobre e A fala do povão: o Recife cagado-e-cuspido, Liêdo Maranhão.

SISTEMATIZAÇÂO DE DADOS: a partir das informações, dados e material coletado ao longo das diferentes etapas da pesquisa, estruturou-se o trabalho de acordo com os seguintes pontos: as influências indígenas, européias, africanas e a McDonalização na culinária e nos costumes alimentares do Brasil.


OBJETIVOS E RESULTADOS

A pesquisa pretende fazer uma introdução ao estudo histórico da alimentação no Brasil, com um enfoque principal voltado para formação da culinária através das várias influências sofridas e por conseqüência assimiladas, tendo por resultado a formação da identidade alimentar brasileira. Mais do que estudar os aspectos nutricionais, foi conferida especial atenção à introdução de novo gêneros alimentícios, novas formas de preparos e novos pratos típicos à cozinha nacional. Resultando no conhecimento das pequenas partes que juntas, formaram a culinária do Brasil.







CONCLUSÃO

Hoje os estudos sobre a alimentação invadem as ciências humanas, a partir da premissa que a formação do gosto alimentar não se dá, exclusivamente, pelo seu aspecto nutricional. O alimento passou a constituir uma categoria histórica, pois os padrões de permanência e mudanças dos hábitos e práticas alimentares têm referências na própria dinâmica social.
As cozinhas locais, regionais, nacionais e internacionais são produtos da miscigenação cultural, fazendo com que as culinárias revelem vestígios das trocas culturais. No Brasil não foi diferente. Brancos, negros, índios, imigrantes e americanos, foram os ingredientes que influenciaram a alimentação no Brasil, trazendo com eles vinho, feijoada, mandioca, macarrão e hamburger, respectivamente. Dando cor e sabor a alimentação brasileira.




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CASCUDO, Luís da Câmara. História da Alimentação no Brasil. 3 ed. São Paulo: Global,2004.
FRANCO, Ariovaldo. De caçador a gourmet: uma história da gastronomia. 3 ed. rev. e ampl. São Paulo: SENAC, 2004.
LIMA, Claudia. Tachos e Panelas: etnografia da cozinha brasileira. Recife: Ed.da autora, 1999.
MELLO, A da Silva. A alimentação no Brasil. 2 ed. Rio de Janeiro: Olympio, 1961.p.336.
SOUTO MAIOR, Mário. Comes e bebes do Nordeste. Recife: Fundaj, Ed. Massangana, 1984.

3 comentários:

zenaide portolani disse...

Ola´ , gostei desse tema ! Gostaria de receber atividades relacionadas a ele para trabalhar com alunos do 4º ano do ef.Obrigada!

sandra disse...

Oi Biu,
Meu nome é Sandra e estou fazendo Pós-Graduação em História da Cultura Afro-Brasileira e pensei em Trabalhar meu TCC usando as inflências e contribuições Africanas que sofreram a nossa culinária até os dias de hoje. Achei seu trabalho super interessante e gostaria de usar alguns trechos dele. Será que você se importaria? e além disso será que vc tem mais alguma bibliografia para me indicar?
Obrigada! e espero sua resposta se vc não se importar.
Sandra Laranjeiras Rodeiro
e-mail: sandralaranjeiras@hotmail.com

helena disse...

Olá! Prof. Biu,
Muito bom seu trabalho, inclusive já precisei deste tema para trabalho na escola, e utilizei deste para tal.
Completo assim, veio de encontro no que eu buscava em minha pesquisa. Obrigada e Fica com DEUS!