sexta-feira, 13 de junho de 2008

Agreste Setentrional de Pernambuco

Mais um relatório de pesquisa realizada por aluno da disciplina PROBLEMAS DA HISTÓRIA DE PERNAMBUCO
UFPE – UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CFCH – CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA

Problemas da História de Pernambuco – Profº Severino Vicente da Silva



AGRESTE SETENTRIONAL











Aluno: Swandi Ramos Paes de Andrade







Recife, 12 de junho de 2008


AGRESTE SETENTRIONAL


Aspectos Geográficos:

A mesorrorregião “Agreste Setentrional” está localizada no Semi-Árido do Estado, compreendendo uma faixa de terras entre a Mata Norte e o sul da Paraíba. Tem uma área de 3.544,5 Km2, sendo constituída por 19 municípios, com uma população de mais de 430 mil habitantes, o que representa 5,8 % da população do Estado. Sua área é drenada pela bacia do Rio Capibaribe.

Os municípios de Casinhas, Frei Miguelinho, Santa Cruz do Capibaribe, Santa Maria do Cambucá, Surubim, Taquaritinga do Norte, Toritama, Vertentes, Vertente do Lério formam a microrregião Alto Capibaribe, enquanto que os municípios de Bom Jardim, Cumaru, Feira Nova, João Alfredo, Limoeiro, Machados, Orobó, Passira, Salgadinho e São Vicente Ferrer formam a microrregião Médio Capibaribe.

Seus Limites são: estado da Paraíba (Norte), Agreste Central (Sul), Mata Norte (Leste), estado da Paraíba (Oeste).


Possui um clima semi-árido, com temperatura média em torno de 25º C e solos com textura do tipo argilosa. A vegetação característica da região é a arbóreo-arbustiva, com algumas formações xerófitas.

O IDH da mesorregião é de 0,636, ficando inferior a média do estado (0,705). Os municípios mais populosos são o de Santa Cruz do Capibaribe, com 59.048 habitantes e Limoeiro com 56.322, sendo esses dois municípios, também os responsáveis pelos maiores índices de IDH registrados na mesorregião ( 0,698 e 0,688, respectivamente). Sobre esses dois municípios, estenderemos nossos estudos mais a frente nesse trabalho.
História e Povoamento:

O processo de ocupação do agreste pernambucano, particularmente a região setentrional, desenvolveu-se de forma bastante lenta em relação às demais regiões do estado. Esse retardamento pode ser explicado, entre outros fatores, pelas próprias condições morfo-climáticas das terras agrestinas que, ao mesmo tempo em que não satisfaziam as exigências da cultura canavieira, também não propiciavam grandes vantagens a fixação de currais.

Com a expansão das plantações de cana no litoral e zona da mata, os sitiantes e criadores de rebanhos acabaram “expulsos” dessas áreas, e partiram em busca de novos espaços no interior, em terras até então devolutas ou ocupadas por índios. Nesse momento, o sertão apresentava maiores possibilidades de criação de rebanhos, dispondo de suas imensas áreas de pastagens naturais propícias para o desenvolvimento da bovinocultura extensiva. Em pouco tempo, o sertão tornou-se responsável pelo fornecimento de proteínas para todo o litoral e zona da mata (totalmente voltados para a lavoura açucareira).

Enquanto isso, a criação de gado e a agricultura de gêneros de subsistência avançavam de forma ainda muito lenta na região agrestina, de forma que, no século XVIII, o sertão apresentava uma concentração bem maior de colonos em relação ao agreste, mesmo este se situando mais próximo dos maiores centros habitacionais do litoral.

De qualquer forma, o êxito obtido pela atividade pecuária no sertão exigia o desenvolvimento de rotas que escoassem sua produção em direção ao seu mercado consumidor – a mata e o litoral – e foi assim que os espaços do agreste passaram a ser aproveitados de forma mais efetiva. É nessa fase que um elemento exerceu importância fundamental para a ocupação e desenvolvimento do agreste setentrional: o rio Capibaribe.

O rio Capibaribe serviu de roteiro de penetração, ligando o litoral até seu nascedouro (em Poções, No do agreste), e daí pelo rio Pajeú, adentrando o sertão em busca do rio São Francisco. Importante ressaltar que o Rio Capibaribe e sua bacia cortam todo o agreste setentrional.

Com a abertura dessas rotas que ligavam as áreas do gado com as dos canaviais, foram se formando em seu caminho fazendas, pousadas, entrepostos para atender a necessidade dos viajantes e comerciantes que por ali passavam. Dessa forma foram surgindo pequenos núcleos de colonização, que passavam a utilizar a policultura em pequenas e médias propriedades, que serviam de subsistência e também abasteciam esse comércio na transição sertão-mata.

Outro fator que veio a colaborar com a aceleração do povoamento do agreste foi a destruição dos quilombos e os riscos que eles representavam aos que desejassem ocupar as áreas em que existiam. No entanto, vale dizer que os quilombos foram responsáveis por estabelecerem certos níveis de trocas comerciais com as cidades mais próximas a eles, embora representassem temor a novos senhores que desejassem montar fazendas em suas adjacências.

Porém, com sua erradicação, passaram a ser feitas muitas doações de sesmarias pelo governo, principalmente nos vales dos rios Capibaribe, Una e Ipojuca. Essas terras eram doadas a senhores de engenhos da zona da mata e do litoral (que necessitavam de novas áreas para criarem seus rebanhos), a padres (que iam realizar missões para colonizarem as aldeias indígenas ainda existentes nessas terras), oficiais do governo, etc.

A pecuária extensiva passou a ocupar as terras do agreste setentrional, também desempenhando a função de fornecedora de animais de trabalho para a zona açucareira. Esse conjunto de pecuária extensiva, policultura de alimentos e rota comercial representou, então, a primeira fase do povoamento do agreste setentrional, com uma população ainda bastante rarefeita em números. No início do século XVIII, um novo elemento agregou-se ao desenvolvimento da mesorregião: o algodão.

O algodão impulsionou a economia e a ocupação do agreste, ao mesmo tempo em que outras atividades foram somadas a lavoura da região, como o café e o fumo. Depois da segunda metade do século XVIII, o desenvolvimento da lavoura agrestina, capitaneada pela cultura do algodão, modificou a estrutura econômica da região, propiciando o surgimento de vários centros urbanos, que vieram a se tornar cidades mais tarde.

Após o fim da escravidão, as zonas canavieiras passaram a recrutar trabalhadores temporários, nas épocas da colheita. Coube ao agreste fornecer números para esse contingente, através de camponeses e sitiantes pobres que largavam suas roças nos períodos de safra da cana.

A partir do século XX, novas alterações na estrutura econômica vão ocorrer no setentrional, com a queda da produção algodoeira e eliminação de outras culturas como a do café. Esses espaços passaram então a abrigar a expansão da pecuária, que passou a concentrar terras destinadas agora a pastagens.

Com o declínio da disponibilidade de terras para a pequena lavoura e a pouca dinamicidade da economia local, houve o aumento do número de pessoas sem terras e o fluxo cada vez maior de famílias camponesas para as demais cidades da região e para a capital, o que tem constituído um dos maiores problemas enfrentados pela mesorregião na atualidade.









LIMOEIRO



Aspectos Geográficos:

O município de Limoeiro localiza-se na microrregião Médio Capibaribe, distante 77 km do Recife. Sua área territorial é de 204 km2, pertencentes a bacia hidrográfica do Capibaribe.
Possui relevo levemente ondulado, com solos de culturas diversas, temperatura média de 24º C, clima semi-árido, precipitações pluviométricas anuais de 1248 milímetros e vegetação de florestas caducifoliadas.
Tem como limites: os municípios de Bom Jardim e Buenos Aires (Norte), os municípios de Passira, Feira Nova, e Glória do Goitá (Sul), os municípios de Carpina e Lagoa do Itaenga (Leste) e os municípios de Salgadinho e João Alfredo (Oeste).


História e Povoamento:


A história de Limoeiro e seu processo de ocupação, assim como as demais cidades de sua mesorregião, estão ligados a expansão da pecuária e a implantação de culturas de subsistência, como milho, feijão, arroz e mandioca, uma vez que suas características morfo-climáticas afastavam de suas terras a cultura canavieira.
Quando o Governo de Pernambuco iniciou o processo de doação de sesmarias na região do Agreste, mais precisamente no Vale do Capibaribe – século XVII – é que vai haver o primeiro registro oficial, ainda existente, da ocupação de Limoeiro. Trata-se da Carta de Doação de Sesmaria passada ao Padre Ponciano Coelho, em 1751.
O nome Limoeiro remonta aos tempos dos holandeses em Pernambuco, que já se referiam as aldeias daquelas terras com a alcunha de Limoeiro. Nelas havia a presença de várias tribos Tapuias. Além da presença em abundância de limoeiros nessas terras, existe também a lenda que conta que em certa ocasião, o Padre Ponciano Coelho teria feito a imagem de Nossa Senhora da Apresentação desaparecer de sua capela, em Poço-do-Pau, para um limoeiro do aldeamento, onde se ergueu a torre da futura igreja matriz.
Outras referências anteriores a ocupação de suas terras pelo Padre Ponciano Coelho são feitas, ainda que de forma pouco precisa e as vezes contraditórias, e nos trazem informações sobre aldeamentos realizados por diversos missionários , entre eles, religiosos da Congregação de São Felipe Nery.
Nos tempos dos aldeamentos, os limites de Limoeiro não existiam oficialmente, cabendo aos seus capitães-mor a penetração e alargamento de suas terras, até serem fixadas anos mais tarde, com seu território medindo 4,500km2, extensão essa alterada ao longo do tempo até os atuais 204 km2, área oficial do município.
Administrativamente, Limoeiro tornou-se sede distrital em 16 de junho de 1786, desmembrando-se do município de Igaraçu, por Carta Régia. Passou a categoria de Vila em 23 de Maio de 1812, recebendo os distritos de Pedra Tapada e Malhadinha.
Limoeiro vai tornar-se cidade em 1893, em 6 de abril, de acordo com a Constituição Estadual e a Lei Orgânica dos Municípios, nº 52, de 1892. Os distritos de Pedra Tapada e Malhadinha vão tornar-se Passira e Cumaru, que serão elevadas a categoria de cidades autônomas em 1964.
Consta das autoridades civis que ocuparam o cargo de diretor civil do aldeamento de Limoeiro, de 1794 a 1796, a figura de João Barros de Lima, conhecido por Leão Coroado, um dos heróis da Revolução de 1917, revolução essa que teve a adesão de Limoeiro ao movimento, quando esse era liderado por Manuel de Carvalho Paes de Andrade.
A partir da metade do século XIX, foram intensificadas as ligações terrestres entre Limoeiro e Recife, principalmente pela construção do ramal ferroviário em 1874, cuja concessão para a exploração foi cedida a Great Western of Brasil Railway.
No início do século XX, Limoeiro vai se destacar por sua intensa atividade comercial, principalmente através da cultura do algodão. Até meados do século XX, Limoeiro exercia papel de destaque em todo agreste, estendendo sua influencia até mesmo em partes do sertão, impulsionada pelo já referido algodão, mas também por seu comercio de couro e peles, objetos de cerâmica e artefatos de palha.
Essa “hegemonia” vai sofrer uma forte queda a partir de 1930, com o decréscimo da produção e processamento do algodão e da decadência de seu comercio e economia, causados entre outros fatores, pelas facilitadas novas rotas de ligação entre o litoral e o agreste/sertão. Com isso, Limoeiro deu passagem a cidades como Caruaru, que passou a exercer influencia nas áreas até então por ela polarizadas.
Em relação a cultura, fazem parte dos elementos culturais característicos da cidade de Limoeiro, o artesanato – com destaque para o bordado divulgado pela Cooperativa de Produção Artesanal e Industrial de Limoeiro Ltda – a ciranda, o bumba-meu-boi e o pastoril, além da literatura oral dos mamulengueiros e dos cantadores de viola.









SANTA CRUZ DO CAPIBARIBE


Aspectos Geográficos:

O município de Santa Cruz do Capibaribe localiza-se na microrregião Alto Capibaribe, distante 192 km do Recife. Sua área territorial é de 430 km2, pertencentes a bacia hidrográfica do Capibaribe.
Possui relevo bastante degradado pela erosão, solo pobre e pedregoso, temperaturas elevadas com médias superiores a 26 graus, clima semi-árido (seco), precipitações pluviométricas anuais de 242 milímetros e vegetação de caatinga hipoxerófila. Tem como limites: o estado da Paraíba (Norte), o município de Brejo da Madre de Deus (Sul), os municípios de Taquaritinga do Norte e Toritama (Leste) e o estado da Paraíba e o município de Brejo da Madre de Deus (Oeste e Sudeste)

História e Povoamento:

As terras onde se situa o atual município de Santa Cruz do Capibaribe, ainda que encravadas no vale do rio que lhe empresta o nome, viram passar mais de dois séculos de colonização até serem desbravadas e ocupadas por colonizadores.
Situada no alto curso do Capibaribe, bem afastada da faixa litorânea, o território onde se desenvolveu a cidade de Santa Cruz teve que esperar a saturação da indústria açucareira - que privilegiava a colonização do litoral e mata pernambucanos – e a dizimação dos quilombos e a conseqüente erradicação da “Republica Negra” para que o ritmo do crescimento e ocupação alcançasse suas terras
Registros oficiais sobre a história e povoamento de Santa Cruz são raros e esparsos, sendo grande parte do que conhecemos sobre seu território, oriundos da tradição oral da região.
Fala-se que, em 1750, o português Antonio Burgos, convalescendo de uma grave doença, teria partido do Recife por recomendações médicas, em busca de um local de clima seco e salubre, que lhe amenizasse os sintomas da mazela. Subindo o rio Capibaribe através de rotas de boiadas, ele teria chegado nas terras onde hoje se localiza a cidade.
Acompanhado de seus escravos, ele fez construir uma capela de taipa, dedicada ao Senhor Bom Jesus da Via Sacra, onde colocou imagens e um crucifixo que levava consigo (esse crucifixo é existente até hoje na matriz da igreja local). O nome da localidade teria surgido a partir do cruzeiro de madeira que foi colocado em frente, na entrada da capela.
O povoado, que crescia de forma bastante lenta aos redores da capela, viu seu território tornar-se vila somente no final do século XIX, em 18 de abril de 1892, ainda como distrito do município de Taquaritinga do Norte.
Tornou-se freguesia em setembro de 1918, sob a égide do Padre José Apolinário. Foi quando no mesmo local da antiga capela, ergueu-se a igreja matriz da futura cidade. Devido sua distancia das principais vias de acesso ao sertão/litoral, a cidade só conseguiu sua emancipação em 1953, quando o distrito elevou-se a categoria de município autônomo, desmembrando-se de Taquaritinga do Norte, por decreto de lei estadual. Sua instalação oficial, porém, data de 9 de maio de 1954.
Para se ter uma idéia do lento processo de povoamento de seu território, em meados do século XX, nos primeiros levantamentos populacionais, o município de Santa Cruz do Capibaribe não possuía mais que 3.000 habitantes.
Sem possuir grandes atividades industriais que gerem dinamicidade a sua estrutura, a cidade tem como fontes econômicas a criação de bovinos, sem grande especialização, entre outras atividades esparsas, como fabrico de tijolos e uma rarefeita produção artesanal.
Porém, o que mais chama a atenção na economia local é a existência de pequenas e medias unidades empresariais que trabalham na confecção de roupas e comercio de tecidos em geral, constituindo a chamada “Industria da Sulanca”. Santa Cruz do Capibaribe, ao lado do município de Toritama, são responsáveis por quase todo os 73% da produção de todo o estado ( o equivalente a 850 milhões de peças ao ano).
Esse termo “Sulanca”, aliás, tem sua origem e significado nas “helancas do Sul”, haja vista que essas atividades comerciais surgiram a partir das compras de sacos e retalhos de tecidos (helancas) de São Paulo, que eram transformados posteriormente em cobertas e roupas a serem comercializadas na cidade.
A Feira da Sulanca é a principal responsável pela atração de turistas, que aquecem e movimentam o insípido mercado econômico da cidade, limitado quase que exclusivamente a esse segmento têxtil.



BIBLIOGRAFIA

ANDRADE, Manuel Correia de. O processo de ocupação do espaço regional do Nordeste. 2ª ed. Recife: Sudene, 1979.

FUNDAÇÃO DE INFORMAÇÕES PARA O DESENVOLVIMENTO DE PERNAMBUCO – FIDEPE, Limoeiro. Recife, 1981

FUNDAÇÃO DE INFORMAÇÕES PARA O DESENVOLVIMENTO DE PERNAMBUCO – FIDEPE, Santa Cruz do Capibaribe. Recife, 1982

LIMA, M. de Oliveira. Pernambuco, Seu desenvolvimento histórico. 2ª ed. Recife, 1975


Bibliografia Digital:


Agencia Estadual de Planejamento e Pesquisa de Pernambuco - CONDEPE/FIDEM, Governo do Estado de Pernambuco. Região de Desenvolvimento Agreste Setentrional, disponível para consulta em:
http://www.condepefidem.pe.gov.br/regiao_desenvolvimento/agreste_setentrional/perfil.asp

ANDRADE, Manuel Correia de. Artigo: A terra e o homem no nordeste, hoje, Recife, 2003 disponível para consulta em:
http://www.sei.ba.gov.br/publicacoes/publicacoes_sei/bahia_analise/sep/pdf/sep_67/manuel_correia_andrade.pdf

DUARTE, Renato; FUSCO, Wilson. Migração e emprego precário na atividade de confecções em dois contextos distintos: São Paulo e Toritama, disponível para consulta em :
http://www.abep.nepo.unicamp.br/docs/anais/outros/5EncNacSobreMigracao/comunic_sec_1_mig_emp_pre.pdf

Nordeste e suas sub-regiões, disponível para consulta em:
http://www.ficharionline.com/ExibeForum.php5?idcategoria=5&idforum=24&idtopico=1078

Um comentário:

gregory disse...
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