terça-feira, 17 de junho de 2008

Textos sobre a Mata Norte de Pernambuco

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA

PROBLEMAS DE HISTÓRIA DA PERNAMBUCO





TRABALHO DE PESQUISA SOBRE A HISTÓRIA DOS MUNICÍPIOS DA MATA NORTE PERNAMBUCANA





PROFESSOR: SEVERINO VICENTE DA SILVA
ALUNOS: Eduardo Araripe P. de Souza
Flávio Santos
Cecília Tenório
















TRABALHO DE PESQUISA SOBRE A HISTÓRIA DOS MUNICÍPIOS DA MATA NORTE PERNAMBUCANA
















1. INTRODUÇÃO:


Dentre as várias possibilidades de temas para o presente trabalho, optamos por apresentar de forma simples e objetiva, a importância histórica dos municípios da Zona da Mata Norte pernambucana, suprindo assim uma necessidade que não é apenas nossa (grupo de trabalho), mas que está arraigada na maior parte dos acadêmicos de História.
Desta forma, procuramos apresentar, além da importância e valor histórico que cada município possui para o Estado de Pernambuco, uma síntese dos aspectos sociais, econômicos e políticos, além das peculiaridades geográficas e da ligação entre os municípios, sintetizando desta forma a Região abordada.
Nossa atenção recairá sobre os municípios de VITÓRIA DE SANTO ANTÃO, CHÃ DE ALEGRIA, PAUDALHO (pesquisados por Eduardo Araripe), TRACUNHAÉM, NAZARÉ DA MATA, ALIANÇA (por Cecília Tenório), ITAQUITINGA, GOIANA, CONDADO (por Flávio Santos), BUENOS AIRES, VICÊNCIA, MACAPARANA (por Patrícia). Os materiais utilizados como fonte de consulta são extremamente variados, desde periódicos, literaturas de cordel, livros de valor acadêmico, publicações independentes, história oral, entre outros, mostrando que a História é multifacetária e dinâmica, ilustrando e provando a riqueza cultural da Região.
Outrossim, não é objeto desta pesquisa esgotar todo o relato da história da Mata Norte pernambucana, porém, compartilhar as descobertas realizadas durante a elaboração do presente trabalho, bem como ingressar mais efetivamente no estudo do passado histórico de nosso Estado, tentando desta forma preencher um pouco da lacuna existente em nossa formação.


2. IDENTIFICAÇÃO DA REGIÃO NO ESTADO DE PERNAMBUCO:



3. APRESENTAÇÃO DOS MUNICÍPIOS:

I – PAUDALHO:

Paudalho é um dos municípios da Zona da Mata, de antigo povoamento, que conservam até hoje elementos que traduzem uma forma de ocupação humana muito comum aos municípios da área da cana-de-açúcar: as casas grandes de engenho, as estações ferroviárias, as igrejas, etc.
Além de seu valor histórico ligado às características arquitetônicas e culturais do seu povo, o município do Paudalho está diretamente ligado a passagens marcantes da História de Pernambuco, como a dominação holandesa, as revoluções de 1817 e a revolução praieira de 1848.

a) CARACTERÍSTICAS GERAIS DO MUNICÍPIO:


Paudalho situa-se na Zona da Mata seca de Pernambuco, tendo aproximadamente 280 Km2 de extensão, limitando-se ao norte com o município de Tracunhaém, ao sul com São Lourenço da Mata e Chã de Alegria, a leste com Paulista e a oeste com Lagoa de Itaenga.
O município é cortado de Oeste para Leste pelo rio Capibaribe, apresentando ainda um clima quente e úmido, com chuvas de outono e inverno, e uma precipitação pluviométrica alta no período de maio a julho.
Segundo levantamentos do IBGE de 2006, o município tem uma população de 41.790 habitantes, possuindo uma densidade demográfica de 154,61 hab/km2.
A principal atividade econômica desenvolvida é o cultivo de cana de açúcar e a criação de galináceos, sendo a indústria modesta, representada pela fabricação de tijolos e cerâmica.
O município já agregou as atuais cidades de Carpina e Lagoa do Itaenga (até 1963).
O município tem uma forte predominância da religião católica, existindo atualmente cerca de 25 (vinte e cinco) igrejas locais. A igreja protestante conta com cerca de 10 (dez) denominações representadas com respectivos templos.


b) ORIGEM DO NOME PAUDALHO, E DESENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO:



Segundo o historiador Pereira da Costa em seu trabalho “Annais Pernambucanos”, as atuais terras de Paudalho começaram a ser exploradas em fins do século XVI com o corte do pau Brasil em suas florestas.
O primeiro nome dado ao local foi o de Miritiba, quando era em 1591 um aldeamento indígena fundado pelos franciscanos, e posteriormente foi implantado um engenho de açúcar, em 1627, denominado Engenho Aldeia (hoje um campo de instrução do exército brasileiro).
Em 1630 já existia o engenho Mussurepe, na margem esquerda do rio Capibaribe, a 6 KM da atual cidade, levantado por João Lourenço Franco, pertencente ao mosteiro de São Bento de Olinda.
A existência do engenho é confirmada através do livro do tombo do referido mosteiro, publicado em comemoração ao duplo tricentenário das batalhas dos montes Guararapes.
Segundo a tradição local e alguns historiadores, em janeiro de 1711 chegou à margem esquerda do rio Capibaribe o colono Joaquim Domingos Telles, vindo de Itamaracá, com alguns parentes e muitos escravos africanos, onde se instalou para explorar novas terras apropriadas para o cultivo da cana de açúcar, construindo ali um engenho que, em decorrência da existência no local de árvores que tinham um cheiro semelhante ao alho, recebeu o nome de engenho Pau de alho ou Pau do alho.
Podemos ainda informar que, em sua obra “PAUDALHO TERRA DOS ENGENHOS”, o escritor Severino Soares de Araújo, cita que, segundo Sebastião Galvão, baseado em tradições locais, os primeiros povoadores de Paudalho teriam sido os índios tabajaras, domesticados em 1680, porém, segundo Pereira da Costa, só existem registros históricos sobre a origem de Paudalho em 1714, durante o movimento de 1710, quando foi instalado um presídio no local, comandado pelo alferes Antônio Dias Barbosa.
Devido ao grande desenvolvimento do local, durante o século XVII, onde citam os historiadores que existiam cerca de 58 (cinqüenta e oito) engenhos, sendo o MUSSUREPE (1627) o primeiro, criou-se em 1789 o distrito de Pau d’alho, pertencente a Nazaré, circunscrição de Igarassu.
Em 1799 a povoação foi desmembrada de Igarassu, tornando-se município em 1811, e possuindo Comarca própria recebeu o predicado de cidade em 1879.
Em 21 de abril de 1974 foi oficialmente instalada no município a Academia de Polícia Militar do Paudalho, localizada a 3 KM da sede municipal, a qual é um dos mais importantes centros de formação de oficiais militares do Norte-Nordeste do País.
A instalação da Academia possibilitou a instalação de agências bancárias, e o desenvolvimento de um centro comercial no município, estimulando o desenvolvimento econômico do local.

c)IMPORTÂNCIA DO MUNICÍPIO NA HISTÓRIA DE PERNAMBUCO:

Além de registrarmos a importância do município na formação dos primeiros pólos de povoamento na Zona da Mata, o que foi citado na introdução deste trabalho, podemos registrar a relevância histórica do município do Paudalho em acontecimentos importantes para o Estado e o País.
Entre os momentos importantes, citamos a Revolução Republicana de 1817, e a Revolução Praieira de 1848:

Revolução de 1817: Segundo alguns historiadores, Sob o incentivo do Padre Pascoal Pires, as cidades de Glória do Goitá e Paudalho lutaram contra a “república” instaurada em Pernambuco.
O governo provisório enviou duas expedições armadas, uma contra Glória do Goitá e outra contra Paudalho, sendo esta última, comandada pelo Coronel José Mariano Cavalcanti.
A expedição foi recebida sob forte resistência dos moradores, recuando até a margem direita do rio Capibaribe, cerca de 200 metros do fundo da Igreja da Matriz, onde cem anos depois se achou um canhão utilizado pelas forças republicanas, que se encontra hoje no acervo do Instituto Arqueológico e Geográfico de Pernambuco.

Revolução Praieira de 1848: Quando em 1848 eclodiu a Revolução Praieira, que abalou a província de Pernambuco, Paudalho se fez presente, tendo em vista que o coronel Pereira de Morais era paudalhense. Ao ver seus amigos, coronel Barros e Silva do engenho Lavagem, e o Padre Vicente Férrer de Albuquerque, serem perseguidos, aconselhou-os a pegar em armas contra a situação conservadora dominante.
Tais fatos, segundo Severino Soares de Araújo na obra “Paudalho, terra dos engenhos”, página 87, encontram amparo histórico através do relatório do Dr Herculano Pena, Presidente da Província em exercício, que ao se referir aos lamentáveis acontecimentos que tantas vidas ceifaram cita:

“O primeiro indício apareceu na Vila de Paudalho, em fins de outubro, tentando o próprio comandante de um destacamento do corpo de polícia revolta-lo contra a legítima autoridade, para incorporar-se com ele a um ajuntamento sedicioso, que já começava a formar-se no engenho Lavagem”.


d) CURIOSIDADES HISTÓRICAS LIGADAS AO MUNICÍPIO:

· Segundo o Historiador Mário Melo, as cidades de Limoeiro, Vitória de Santo Antão, Cabo de Santo Agostinho e Paudalho, em face de um alvará datado de 27 de julho de 1811 ficaram autorizadas a erigir pelourinho.
O pelourinho de Paudalho teria sido levantado onde atualmente localiza-se a Praça Pedro Coutinho, no
Centro da cidade;
· Observamos no livro “PAUDALHO TERRA DOS ENGENHOS”, que durante o domínio holandês em Pernambuco, após ocuparem o Recife e tomar a Paraíba, em dezembro de 1634, obrigados pela falta de mantimentos, os invasores holandeses em número de 1800 (mil e oitocentos) homens, aproximadamente, e 60 (sessenta) cavalos, comandados pelo general Sigismundo Von Sckoppe, vieram por terra saqueando fazendas e engenhos, chegando em fins de janeiro de 1635 no engenho MUSSUREPE, apoderando deste, travando lutas contra os moradores do local;
· Segundo o historiador Teodoro Sampaio, no aldeamento MIRITIBA, (primeiro núcleo colonizador do atual Paudalho), teria nascido o conhecido índio Poty, o famoso Dom Felipe Camarão.


FOTO DO PREDIO DA PREFEITURA DO PAUDALHO

e) MONUMENTOS HISTÓRICOS DO MUNICÍPIO:

MONUMENTO:
DESCRIÇÃO

Capela de Nossa Senhora da Luz Datada do século XVIII, localiza-se no antigo engenho Ramos, situada à 3 KM da sede municipal. É alvo de grande número de romeiros que anualmente visitam o referido templo, vindos de todo a Região Nordeste, para venerar a imagem de São Severino;

Ponte do Itaíba (1876): Localizada entre os atuais bairros do Itaíba e Santa Teresa, foi inaugurada pelo governador Machado Portela em 1876, estando atualmente imprópria ao tráfego de veículos, necessitando de recuperação.

Igreja Matriz do Divino Espírito Santo – Localiza-se na parte central da cidade, sua presumida construção é datada de 1750.




Academia de Polícia Militar do Paudalho: Localizada as margens da BR 408, funciona como um dos mais importantes centros de formação de oficiais militares do Brasil, recebendo cadetes de toda Federação.


· Estação ferroviária municipal – Inaugurada em 1881, localiza-se nas proximidades do atual centro do município;
· Igreja de Santa Tereza – Próxima ao centro da cidade, e proveniente do antigo engenho Paudalho, datada de 1711;


f) CONCLUSÃO:

Dentro do que foi exposto, podemos observar que o município do Paudalho tem presença marcante na história do nosso Estado, figurando como elemento importante no desenvolvimento de importantes Revoluções locais, bem como no processo de construção do nosso presente.
Mesmo que ao longo do último século tenha perdido importância no cenário estadual, no que se refere à economia e impacto no PIB do Estado, vendo vizinhos como os municípios de Carpina e Limoeiro lhe ultrapassarem nesse quesito, não há como desprezarmos a importância cultural e histórica dos monumentos e do povo paudalhense, sendo este município uma “aula viva” para aqueles que desejam conhecer a História de Pernambuco.


II – VITÓRIA DE SANTO ANTÃO

a) APRESENTAÇÃO DO MUNICÍPIO.
Distante 51 Km do Recife, o município de Vitória de Santo Antão abrange porções superiores de importantes bacias hidrográficas da Zona da Mata do estado de Pernambuco, como a bacia do Rio Tapacurá que corta o município e é um dos mais importantes afluentes do Capibaribe, (rio Natuba, Riacho ronda, Pacas, Mocotó), e as do Jaboatão que abastece a cidade de Moreno, Pirapama que nasce no município e pequena parte da bacia do rio Ipojuca servindo de limite com o município de Primavera.
A topografia da região é movimentada e irregular, principalmente em seu setor oeste, onde se fazem presentes os primeiros contra fortes da serra das russas.
A mata úmida perenifólia, que caracteriza o município de Vitória de Santo Antão, é exuberante de folhagem verde escuro, rica em cipós.
As indústrias que mais se destacam são a CIV, Indústria de vidros do grupo brennand, indústria JB e a PITÚ (aguardente), conhecida internacionalmente, principalmente na Europa.
O comércio de Vitória destaca-se também no ramo automobilístico, com vendas de peças de motos, carros e fabricação de trios elétricos para todo o país.
Diversificação agrícola: a feira livre de Vitória é uma das que possuem a maior diversificação de produtos da região, vindo pessoas inclusive de outros municípios circunvizinhos: Gloria do Goitá, Escada, Pombos, para comercializar seus produtos na feira.
Outro destaque na agricultura fica por conta do plantio de cana de açúcar e na fabricação de álcool e açúcar nas usinas do município.
b) ORIGEM DO NOME E DESENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO.
Data de 1626 o início do povoamento de Vitória de Santo Antão, quando o português Antonio Diogo de Braga, vindo da Ilha de Santo Antão do Cabo Verde (Portugal), fixou residência com seus parentes, à margem esquerda do Rio Tapacurá, e edificou uma capela em homenagem a Santo Antão da Mata e algumas casas. Todos os anos, no dia 17 de janeiro, oferecia um culto ao santo para que protegesse sua habitação do ateque de onças, cobras e outros animais da região, como também pela plantação de mandioca e outros vegetais.
Inicialmente chamada de Cidade de Braga, além de sua situação privilegiada em termos de cursos d'água, situava-se como ponto de passagem do caminho que destinava ao São Francisco através do Vale do Mocotó. O povoado, nessa condição, deve ter tido um relevante papel comercial, no qual se destaca o fato de que "em suas feiras semanais”, aos sábados, os tropeiros vindos do sertão das Minas Gerais compravam produtos artesanais e de subsistância. Além dissso, as feiras vendiam gado para o abastecimento de Olinda e Recife, além de rapaduras e mel (fabricados nas engenhocas da freguesia), pano de algodão, tecidos (em modestas oficinas domésticas) e etc.
Em 1774, a cidade de Braga foi chamada de Santo Antão da Mata, quando já tinha população estimada em 4866 habitantes.
Evoluindo sucessivamente da condição de povoação a freguesia, passando posteriormente à categoria de vila pelo alvará Régio de 27 de Julho de 1811, assinado pelo então Príncipe Regente D. João, a mesma foi oficialmente instalada em 28 de maio de 1812. Do seu território, fazia parte a freguesia de Bezerros, abrangendo uma grande extensão de terra, correspondendo, hoje, as áreas ocupadas pelos municípios de Vitória de Santo Antão, Pombos, Chã Grande, Gravatá, Bezerros, Caruaru, Bonito, São Caetano, Sairé, Camocim de São Félix, São Joaquim, Barra de Guabiraba, Riacho das Almas e Cortês".
Contudo, num estudo feito pelo Pe. Theodoro Huckelmann, de nacionalidade alemã, publicado no Boletim Arquidiocesano, de 09.07.1976, quando era Bispo de Pernambuco Dom Manuel Álvares da Costa, foram criados entre os anos de 1710 e 1715, as freguezias de Nossa Senhora dos Prazeres, de Maranguape e da Vitória de Santo Antão.
O historiador Pereira da Costa, nos Anais Pernambucanos, Vol. VI, pag 323, afirma, entre outras coisas, que um tal Pedro Pinheiro da Silva fora nomeado Capitão Mor das Ordenanças (?) da Freguesia de Santo Antão em 04.08.1698, ... e “já então gozava a localidade de Santo Antão do Predicamento de Paróquia”.
Pela Lei Provincial nº113, de 06 de maio de 1843, sancionada pelo Barão da Boa Vista, então Presidente da Província de Pernambuco, foi elevada a Cidade, tendo seu nome mudado para Cidade da Vitória, em homenagem à batalha ganha pelos pernambucanos sobre os holandeses no Monte das Tabocas. Este nome porém, não permaneceu devido a existência de um decreto-Lei que proibia a existência de duplicatas na toponímia nacional.
Após muita discussão, foi definitivamente aceito e reconhecido o nome da Vitória de Santo Antão, em 31 de dezembro de 1943, pelo decreto-lei estadual nº 952, para município, comarca, termo e distrito.





c) MONUMENTOS HISTÓRICOS DO MUNICÍPIO:

MONUMENTO:
DESCRIÇÃO
o Instituto Histórico e Geográfico é um verdadeiro cartão-postal da cidade da Vitória de Santo Antão, localizado a rua Imperial 187, no bairro da Matriz. O prédio serviu de hospedagem a família imperial Dom Pedro II e D. Teresa Cristina em 1859 em visita ao estado. Erguido em 1851, o prédio chama atenção por seu revestimento em azulejo decorado.Fundado em dia 19 de novembro de 1950 é uma sociedade civil, de caráter cívico e cultural, sem fins lucrativos.

o Monte das Tabocas é uma área de aproximadamente 11 hectares, onde em 3 de agosto de 1645 foi palco de celebre batalha entre os luso-brasileiros e os holandeses os luso-brasileiros escusaram os holandeses do local. Os primeiros liderados por Antonio Dias Cardoso e João Fernandes Vieira entrincheirados nas partes altas e protegidos pelos tabocais, derrotaram os flamengos.

O anjo da vitória:Este monumento é comemorativo de vitória alcançada na batalha do Monte das Tabocas ocorrida em 3 de agosto de 1645. Foi construído por iniciativa de Dom Luis de Brito com o apoio de autoridades do município. Sua inauguração foi realizada em 27 de janeiro de 1905, aniversário da expulsão holandesa no Brasil. O monumento é constituído por uma coluna e uma estátua de ferro representando são Gabriel.

Construído como uma homenagem a José de Barros Lima, cognominado leão coroado, mártir da Revolução Republicana de 1817. Sua inauguração se deu em 1917, primeiro centenário dessa Revolução. Obra do escultor vitoriense Bibiano Silva, este monumento representa um vulto de grandes proporções subjulgando um leão raivoso e tendo na fronte uma coroa de louros.

Matriz de Santo Antão é um templo de porte majestoso e um dos mais belos e importantes do interior de Pernambuco. A capelinha simples e feita de taipa foi construída no início do século por Diogo de Braga em 1826, quando chegou a cidade de Braga. Em 1874 a capelinha foi incendiada e completamente destruída pelos holandeses, sendo reconstruída e substituída por um templo maior . Sendo reinaugurada pelo o então Vigário Cônego Marcolino Pacheco do Amaral e aberta ao público em 29 de junho de 1881.

Igreja de Nossa Senhora do Rosário, fundada pela irmandade dos homens pretos da vitória em 1750, constitui um dos marcos da formação do município. A igreja sofreu sucessivas reformas, apresentando uma arquitetura externa neoclássica.



III - CHÃ DE ALEGRIA

a) APRESENTAÇÃO DO MUNICÍPIO.
Distante 57 km do recife, limita-se ao norte com Paudalho, ao sul com Vitória de Santo antão, a leste com São Lourenço da Mata e a oeste com Gloria do Goitá.
A economia é baseada, sobretudo, na produção da cana-de-açúcar, coco, mandioca, batata doce, banana e manga, e possui uma área de 114 km2, com uma população de 11. 165 hab;
b) ORIGEM DO NOME E DESENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO.
O território que hoje se localiza Chã de Alegria, fazia parte das terras, que foram doadas a David Pereira do Rosário, por uma neta de Duarte Coelho Pereira, na segunda metade do século XVIII.
As primeiras casas de Chã de Alegria foram construídas por vota do ano de 1842. Os pretos corcovado, iniciaram a exploração do território, construindo diversas casas de taipa, uma pequena casa de oração, iniciando assim o povoamento de uma "chã" com poucas casas, porém muito alegre, vindo aí o nome adotado até hoje: Chã de Alegria, cujo gentílico de quem nasce lá é alegriense.
O Distrito foi criado por Lei Municipal de 08 de janeiro de 1909, e integrava o território do município de Glória do Goitá. A Lei Estadual nº 4.985, de 20 de dezembro de 1963, criou o município de Chã de Alegria e deu à sua sede foros de cidade.
O grande atrativo turístico do município é a festa de São Sebastião, padroeiro do município, que se realiza anualmente no dia 20 de dezembro;

IV – GOIANA

a) APRESENTAÇÃO DO MUNICÍPIO.

O município de Goiana, situado a 59 km do Recife, na Mata Norte do Estado de Pernambuco, é palco de importantes momentos de nossa história desde os primórdios da colonização. Cidade de grande destaque no Estado de Pernambuco, hoje se encontra, politicamente, em um patamar bem aquém do que já esteve, mas permanece com um esplendor único quando nos referimos ao seu valor histórico e cultural.





b) ORIGEM DO NOME E DESENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO.
O nome Goiana tem origens controversas. Para Adolf de Varnhagen, tal nome vem do tupi “gente estimada”. Para outros vem de Guaiana, “porto ou ancoradouro do vale”. Finalmente, alguns acreditam que a importância do rio homônimo para a povoação local acabou por nomeá-la. Empiricamente, podemos citar as formas em que o nome aparece nos documentos. Em 1605, em um catálogo da Companhia de Jesus, transcrito pelo Padre Serafim Leite, aparece como Aldeia de Gueena; em 1606, como Goyana, já era residência estável de dois padres, Diogo Nunes, Superior, e André de Soveral; em 1607, aparece finalmente com a grafia atual. O padre Cristóvão Valente nomeia o local de Residência de Santo André de Goiana.
Não existem datas oficias da fundação de Goiana. O território ficava nas terras da capitania de Itamaracá, que tinha como donatário Pero Lopes de Souza. O primeiro povoamento que se tem notícia foi a Aldeia do Capivarimirim. Observam-se em alguns documentos históricos referências a Goiana como Capibaribe, em conseqüência desse antigo povoamento. O território inicialmente habitado por caetés e potiguares atraía os colonizadores pela grande quantidade de pau-brasil em suas matas, além da segurança oferecida pelo rio Goiana, formado pela união dos Rios Tracunhaém e Capibaribe – Mirim, para o embarque das madeiras. Graças a tais recursos hídricos o povoado teve um rápido desenvolvimento. Em 1568 foi criado o distrito de Goiana.
A devastação das matas permitiu o início de lavouras, sobretudo a da cana-de-açúcar. Em 1570, 5 mil braças de terra são doadas por D. Jerônima de Albuquerque Souza a Diogo Dias, que constrói o Engenho Japomim. Com a ajuda de 600 pessoas que traz para povoar o local, sobretudo homens, fortifica sua fazenda e consegue defender-se das constantes incursões indígenas. Em 1575, seu filho Boaventura Dias se junta a Miguel de Barros e fundam um Engenho na margem norte do Capibaribe – mirim. Em 1600, a região já contava com 9 engenhos em atividade, chegando ao número de 12 por volta de 1630. Elevada à categoria de freguesia em 1598, o território de Goiana já contava com 26400 metros no sentido leste-oeste, acompanhando os leitos dos rios Goiana, Tracunhaém e Capibaribe – mirim.
Por se encontrar entre as Capitanias de Pernambuco e da Paraíba, Goiana passa a ser palco das operações militares no período da invasão holandesa. Jerônimo de Albuquerque, comandando gente de Goiana, correu em socorro à Pau Amarelo em 1631; em 1632, ocorreu o ataque à freguesia de Goiana, onde muitos foram presos. Mesmo assim, Lourenço Cavalcanti reuniu pessoal suficiente para marchar em defesa da Paraíba, em 1634. Finalmente, em 1635, o grande número de holandeses obriga a retirada dos moradores. Vejamos o que nos legou Adrien Van Der Dussen, em seu Relatório sobre as capitanias conquistadas no período holandês:

“As terras de Goiana, principalmente as várzeas de Araripe e Taquara, são muito férteis, não ficando atrás de nenhuma outra do Brasil. O rio Goiana tem uma pedra de arrecifes, chamada Pedra das Galeras, detrás da qual carregavam-se, antes caravelas de 250 caixas de açúcar. Há ancoradouros para pequenos navios, como o Canal Norte, chamado Catuama e Porto dos Franceses.”

O mais famoso confronto entre holandeses nas referidas terras ocorreu na freguesia de Tejucupapo. Em 1646, provavelmente nos dias finais do mês de abril, os holandeses resolveram atacar uma aldeia de pescadores num dia de domingo, justamente quando a maioria dos homens retira-se para o Recife a fim de vender seus produtos. A aldeia então só contava com a defesa de uns poucos homens adultos, mulheres e crianças. As mulheres destacaram-se no confronto, seja no combate direto com os flamengos, utilizando água quente e pimenta, ou indiretamente, apoiando moralmente e incentivando os demais defensores. Após a morte de centenas de pessoas envolvidas na batalha, as mulheres de Tejucupapo foram vitoriosas, contribuindo diretamente para o declínio do domínio holandês em terras nordestinas.
O progresso de Goiana torna-se evidente para toda a capitania, o que elevou a então freguesia à categoria de vila, em 1686. A Câmara e a Justiça da Capitania foram transferidas para a nova vila. A vila de Itamaracá não ficou satisfeita com a decisão, tendo então início a uma disputa pela supremacia na capitania: em 1709, Itamaracá volta a ser vila e recupera a Câmara e Justiça para o seu território; em 1711, a 7 de janeiro, novamente Goiana torna-se vila; João Guedes Alcoforado transferiu novamente a condição de vila a Itamaracá; Dr. Feliciano Pinto de Vasconcelos, em 1714, realiza audiências em Goiana sendo seguido por outros juízes e vereadores. Mas só em 1742 é que, definitivamente, Goiana voltou a ser vila e estabeleceu de vez sua hegemonia na capitania.
No século XIX, tornou-se Goiana uma cidade bastante próspera, economicamente e socialmente, devido em grande parte ao seu porto fluvial, que interligava as capitanias (províncias) do Norte com Recife. Além do intenso comércio característico da região já em períodos anteriores, desenvolveram-se na vila atividades manufatureiras como a tecelagem, a cerâmica e a vidraçaria. Era comum a presença de milhares de cabeças de gado trazidas do Piauí e Ceará, para serem vendidas em sua feira semanal. Os fazendeiros piauienses e cearenses retornavam aos seus lares carregados de mercadorias. As trocas comerciais também eram intensas como as vilas da Mata Norte e de parte do Agreste pernambucano. Vilas ao sul da Paraíba, como Alhandra, Taquara e Pedras de Fogo e algumas povoações dependiam não só economicamente, como política e socialmente da Vila de Goiana.
Tais atividades permitiram o florescimento de uma classe média numerosa e ativa, que vai participar diretamente das revoluções liberais em Pernambuco. Mesmo assim, ainda é grande o número de engenhos na região, essencialmente às margens férteis dos rios que banham a vila. A força dessa produção açucareira permitiu a permanência de uma forte aristocracia rural em Goiana, em contraste à crescente classe média, sobretudo no período em questão. Vejamos como o viajante inglês Henry Koster descreveu em Goiana, em sua passagem pela mesma em outubro de 1810:

“A vila de Goiana, uma das maiores e mais florescentes de Pernambuco, é situada sobre a margem do rio do mesmo nome, em uma grande curva nesse local, quase a rodeando. As casas, com uma ou duas exceções, têm apenas um andar. As ruas são largas, mas na são calçadas. Uma das principais é tão ampla que admitiu a construção de uma igreja, numa das extremidades, e a extensão da rua é considerável em ambos os lados dos edifícios. A vila possui o convento das carmelitas e várias outras casas destinadas ao culto. Os habitantes dão de quatro a cinco mil e esse número cresce diariamente. Há também lojas e o comércio com o interior é intenso. Nas ruas sempre são encontrados numerosos matutos, camponeses que vêm vender seus produtos e comprar objetos manufaturados de que têm necessidade. Nas imediações existem muitos e excelentes canaviais. Creio que as melhores terras da província estão nesses arredores.”

Tal crescimento de uma classe média permitiu o sucesso da difusão de idéias liberais trazidas da Europa. Como no Recife e em Olinda, cujas idéias foram fomentadas pela intelectualidade pulsante do seminário de Olinda, o clero goianense participou ativamente, tanto da difusão de idéias, quanto dos movimentos liberais propriamente ditos. Mas chama a atenção a intensa atividade dos irmãos Arruda Câmara. A estadia de ambos na Europa os colocou em contato com as idéias iluministas que ganharam terreno, sobretudo com a revolução francesa. Manuel de Arruda Câmara ficou conhecido como o principal ideólogo do liberalismo no período pré-revolução, sendo citado pela oposição como fomentador das idéias revolucionárias. Já o seu irmão, o conceituado médico Francisco de Arruda Câmara, foi um dos principais propagadores das idéias antes do movimento, tento também participado ativamente dos atos insurrecionais. Fazendo um comentário a respeito das idéias revolucionárias dos Arruda Câmara, diz uma testemunha a respeito:

“que o dito Arruda, que esteve na França no tempo da revolução, e seu irmão defunto Manuel Arruda, que, morou lá ambos antes da rebelião de Pernambuco, ambos apanharam os princípios revolucionários nessa terra, trabalhando para que o povo seguisse este Partido, e que o dito Manuel Arruda tomara para seu discípulo e para sua companhia o Padre João Ribeiro Pessoa de Melo, que foi do governo dos revolucionários, depois da morte de Manuel Arruda.”

Não apenas os irmãos Arruda Câmara, mas praticamente todo o clero regular e a maioria dos militares participaram ativamente dos movimentos liberais do século XIX. Goiana participou fortemente dos movimentos de 1817, 1821, 1824 e 1848, destacando-se sempre como um foco de resistência às forças realistas/conservadoras e ponto de ligação com as províncias do Norte.
Convém destacar a participação da vila na revolução constitucionalista de 1821. A união de tropas com as tropas oriundas de outras vilas, Paudalho, Nazaré, Tracunhaém e Limoeiro, resultou na formação do “Governo Constitucional Provisório da Província de Pernambuco” a 29 de agosto de 1821. A junta posteriormente, através de ofício, impõe ao governador Luiz do Rego Barreto que entregasse o poder à junta eleita e convocasse eleições legítimas. A escolha de uma Junta composta pelo então governador, composta por membros do antigo Conselho e afetos pessoais, é recusada pelos goianenses. A luta diplomática é substituída por embate militar, que culmina com a vitória de Goiana, após o cerco do Recife. Luiz do Rego assina o Termo de Capitulação a 05 de outubro, que ficou conhecido como Convenção de Beberibe. Tal processo estabeleceu um governo independente na província e resultou na expulsão do último governador português, antecipando a independência política da província.
Em 1833, após o período conturbado de revoluções na província de Pernambuco, ocorre a divisão do estado em nove comarcas. Goiana foi uma delas, ratificando a importância política da vila, e sua influência sobre a região em que se localiza.

“... a aprovação do Projeto de Lei de autoria de Francisco de Paula Cavalcante de Albuquerque, que dividia a Província de Pernambuco em nove comarcas, cujas cabeças eram a “Cidade do Recife (abrangendo os termos de Recife, Cabo, Olinda, Igarassu e Itamaracá), a Villa de Goiana, a Villa de Nazareth, a Villa do Limoeiro, a Villa de Santo Antão, a Villa do Rio Fomoso, a Villa do Bonito, a Villa do Brejo e a Villa de Flores” (Sessão Ordinária do Conselho de Governo de 20 de maio de 1833)...”

Goiana teve participação ativa ao lado dos revoltosos no episódio conhecido como “O Ronco das Abelhas”, no final de 1851 e início de 1852, que surgiu como uma oposição aos decretos 797 e 798, de 18 de junho de 1851, que instituíam o Censo Geral do Império e o Registro Civil dos Nascimentos. A população temia que tais decretos se tratassem de um artifício para escravizar os recém-nascidos e batizados.
As lutas abolicionistas, assim como as republicanas, encontraram terreno em Goiana, como mais um sinal da importância política e econômica dos profissionais liberais e da classe média em geral. As redondezas da vila sempre foram ocupadas por quilombos, com destaque ao instalado na mata do Catucá, tornando delicadas as relações da população com a escravaria. Em 1884, quatro anos antes da assinatura da lei Áurea, é declarado em sessão memorável que em Goiana não existiam mais escravos. A estrutura social diferenciada da vila unida ao reduzido número de escravos e o declínio da economia açucareira permitiram tal acontecimento. Segundo o Quadro Geral da população da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, em 1872, aproximadamente 57% da população negra era livre. Esse número sobe para 88% quando se faz referência a população de pardos.
Dois personagens de grande relevância política no Brasil Império são oriundos de Goiana. Correia Picanço, nascido a 10 de novembro de 1745 na vila de goiana, cirurgião-mor do imperador, destacou-se em seus estudos na Europa e veio junto com a família real para o Brasil, já como médico da realeza. Foi responsável pelo estabelecimento das escolas superiores de medicina no país, tanto em Salvador como no Rio de Janeiro. Foi nomeado Barão de Goiana por D. Pedro I aos 76 anos de idade, vindo a falecer aos 79. É hoje considerado patriarca da medicina brasileira. João Alfredo Corrêa de Oliveira destacou-se como presidente das províncias do Pará e de São Paulo. Ocupou os cargos de Ministro da Fazenda e da Agricultura no Império. Presidente do Conselho de Ministros. Como senador, trabalhou em prol da conciliação entre a Igreja e a Coroa na Questão Religiosa. Como presidente do Conselho de Ministros (1888), referendou a Lei Áurea, fato que mais marcou a sua trajetória política.
O início do século XX traz à tona o início do declínio do já município autônomo de Goiana. Pode-se dizer que um dos principais motivos reside na melhoria no setor de transportes do estado. As ferrovias da Great Western que seguiam do Recife à Paraíba não passava pelo município, seguindo por Timbaúba. Atribui-se tal escolha nos caminhos das ferrovias para facilitar o escoamento da produção algodoeira do Agreste, de interesse de grupos ingleses. A construção de estradas, principalmente na década de 50, com a rodovia BR-101, levou à “aposentadoria” das famosas barcaças que levavam as mercadorias de Goiana ao Recife. A importância de Goiana de elo entre a capital Pernambucana e cidades da Paraíba e outros estados do Nordeste reduziu-se drasticamente.
Em 1928, parte do território é passado para o novo município de Aliança e para o município de Nazaré, pela lei nº 1931, sancionada pelo governador Estácio de Albuquerque Coimbra. A lei nº 3340, de 31 de dezembro de 1958 desmembra o distrito de Condado, que passa a condição de município autônomo. O outrora distrito de Areias, renomeado Itaquitinga, emancipa-se de Goiana pela lei nº 4962, de 20 de dezembro de 1963. Goiana então fica constituída pelo distrito sede, e os distritos de Tejucupapo e Ponta de Pedras.

b) MONUMENTOS HISTÓRICOS DO MUNICÍPIO:

MONUMENTO:
DESCRIÇÃO
Essa Igreja apresenta características da arquitetura jesuítica, como, aliás, acontecia com as igrejas construídas no início da colonização. Não se tem definição da data exata de sua construção, mas existem indícios que remonta a meados do século XVI. Com segurança, sabe-se que, em 1630 ela já existia.

Igreja de Nossa Senhora do Amparo dos Homens PardosConstruída no século XVIII pela irmandade homônima, junto com o Rosário dos Brancos e o Rosário dos Pretos é prova do nível de segregação racial existente em Goiana na época de sua construção - cada cor tinha sua própria igreja. Possui frontispício barroco. Sua torre sineira nunca foi concluída por falta de recursos da irmandade. É monumento nacional tombado pelo IPHAN desde 25/10/1938 (Livro de Belas Artes, vol.1, folha 39, nº de inscrição 226). Localiza-se na praça da Bandeira, centro de Goiana.

Igreja de Nossa Senhora da MisericórdiaConstruída na primeira metade do século XVIII, juntamente com a Santa Casa de Misericórdia. Segundo inscrição existente no frontispício, teria sido concluída em 1733. A igreja, em estilo barroco, encontra-se em condições precárias, necessitando de obras urgentes de restauração. É monumento nacional tombado pelo IPHAN desde 25/10/1938 (Livro de Belas Artes, vol.1, folha 39, nº de inscrição 225). Localiza-se no centro de Goiana, no largo da feira.




V - ALIANÇA

a) ORIGEM DO NOME E DESENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO.

O povoamento inicia-se no século XIX por 03 (três) irmãos muito unidos. A construção de uma capela junta muitas pessoas no local. Em 1862, o frei Capuchinho Caetano de Rossina se estabelece no local. Ele observa o espírito de solidariedade presente nas pessoas, que participam de atividades de ajuda mútua para a reforma da capela. Ele sugere o nome de Aliança para o local.
Pelo Decreto Estadual 142 de 30 de maio de 1891, o Distrito de Paz de Aliança se une aos de Angélica e Vicência e é elevado à categoria de Vila com esta denominação. A Lei Estadual 72 de 16 de maio de 1895 revoga o Decreto Estadual 142 e Aliança volta à condição de distrito.
O município é criado pela Lei Estadual 1931 de 11 de setembro de 1928, mas as suas atividades administrativas próprias se iniciam apenas em 01 de janeiro de 1929. Seu território foi desmembrado dos territórios de Nazaré da Mata e de Goiana, no Governo de Estácio de Albuquerque Coimbra.
Alguns dizem que o desmembramento de Aliança se deu por questões político-econômicas. A família Pessoa de Mello tinha a tradição de passar o poder econômico de pai para filho. O desmembramento seria uma questão de conservação para a própria família. A única usina existente no município era a Usina Aliança, e em Nazaré da Mata encontrava-se a Usina Matary. Havia interesse das famílias envolvidas para manter as usinas em municípios diferentes. Aí se encontra a origem de ser Walfredo Pessoa de Mello o primeiro prefeito de Aliança, um dos proprietários da Usina Aliança, que tinha interesse em fazer parte de outro município por conta de seu patrimônio.
Os Pessoa de Mello dominaram Aliança no período de 1928 a 1945. Todos os prefeitos deste período foram apoiados pelos usineiros, inclusive os interventores. Os Pessoa de Mello fizeram muitas benfeitorias no município: a prefeitura, a igreja, o cinema.
O desmembramento também se deu por conta do crescimento e do progresso de Aliança. Outros municípios também foram criados, como Vicência e Carpina. O desmembramento de Aliança foi uma forma da família Pessoa de Mello mostrar ampliar o seu poder político e estender o seu domínio econômico.




c) MONUMENTOS HISTÓRICOS DO MUNICÍPIO:

MONUMENTO:
DESCRIÇÃO
Great Western (1883-1950)Rede Ferroviária do Nordeste (1950-1975); RFFSA (1975-1996).
Igreja Matriz de Aliança







VI – NAZARÉ DA MATA


a) ORIGEM DO NOME E DESENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO.
Na divisão das capitanias hereditárias por D. João III, em 1534, foi dada a capitania de Itamaracá a Pero Lopes de Souza. Nazaré da Mata fazia parte desta capitania. Apenas a sede da capitania e Goiana têm algum se desenvolvem (principalmente Goiana por conta da cultura da cana-de-açúcar). A colonização é apenas na costa.
A Invasão Holandesa retarda o processo de ocupação territorial, pois os moradores concentram-se em expulsar o invasor.
Após a Restauração Pernambucana, Itamaracá é anexada a Pernambuco e Nazaré passa a fazer parte da Jurisdição de Pernambuco. A sua área inicialmente foi habitada por potiguares, que viviam em constantes lutas com os Caetés. Seus aldeamentos eram feitos em vales, por conta da fertilidade do solo e Dops cursos d’água. Os colonizadores utilizam a mesma lógica e fixam-se ao longo de rios e mananciais.
Entre fins do século XVIII e começo do XIX, às margens de uma lagoa, ergue-se um engenho, que teria sido originalmente de uma português, por doação sesmarial. A propriedade ficou conhecida como Lagoa Dantas (pois o seu proprietário era um dos 03 Irmãos Dantas que vieram para o Brasil), e às suas margens desenvolve-se um povoamento. O povoado cresce e a sua importância aumenta. EM 1812 havia uma feira semanal, que era conhecida, principalmente, pelas suas desordens (Henry Koster).
No atual território e com o nome de Laranjeiras, foi criada a freguesia que teve como Matriz a Capela dedicada a São Joaquim, n as terras da Fazenda de José Francisco Belém (Resolução de Consulta de 17 de Dezembro de 1821).
O povoado de Lagoa Dantas cresce e em 09 de outubro de 1833 é instalada a Câmara Municipal. Lagoa Dantas passa à condição de vila e desmembra-se de Igarassu. A transferência da sede da freguesia de São Joaquim para Nazaré se dá pela Lei Provincial n° 75, de 30 de abril de 1839.
Como a vila de Nazaré continua crescendo e sua feira era muito concorrida. E contava com mais de 50 estabelecimentos comerciais, em 18 de junho de 1850 é elevada à categoria de cidade (Lei Provincial nº 258).
Sua emancipação de concretiza apenas na promulgação da Lei Orgânica dos municípios, de nº 52, em 03 de agosto de 1892. É elevada a sede episcopal em 02 de agosto de 1918. O primeiro bispo é D. Ricardo de Castro Vilela.
Pelo Decreto-Lei n° 952, de 31 de dezembro de 1943, acrescenta o termo “Da Mata” ao nome da cidade. Em 17 de m aio comemora-se a sua emancipação política.
Nazaré da Mata era composta de outros distritos que foram se desmembrando: Tracunhaém, Buenos Aires, Vicência.
A cana é a principal lavoura e o dinamizador da economia local. É plantada em grandes propriedades. Foi introduzida na região no século XVI. Nas terras impróprias para o cultivo da cana, os chãs, planta-se tubérculos e frutas, principalmente a banana, a laranja e a manga. A indústria e o comércio são bastante ligados à cana.






b) MONUMENTOS HISTÓRICOS DO MUNICÍPIO:

MONUMENTO:
DESCRIÇÃO
IGREJA MATRIZ - A capela da primitiva povoação, a Igreja Nova da recém elevada Vila, passa a ser Paróquia pertencente à Nova Freguesia de Nazaré, desmembrada de Laranjeiras (Lei Estadual número 75 de 30 de abril de 1839). E a pequena ermida dedicada a Nossa Senhora da Conceição de Nazaré é canonicamente elevada a categoria de Matriz. Em breve, humilde Matriz torna-se insuficiente para atender às necessidades espirituais da Nova Cidade, daí em 1858 ser substituída por outro templo erguido no mesmo local pelo andarilho, o Capuchinho Fremi Caetano de Messina.
Maracatu rural – Engenho Cumbi.






VII - TRACUNHAÉM

a) ORIGEM DO NOME E DESENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO.
O termo Tracunhaém é de origem indígena e quer dizer “Panela de Formiga” ou “Formigueiro”.
As suas terras pertenciam a Nazaré e tiveram o seu povoamento iniciado na primeira metade do século XVIII, por exploradores de pau-brasil e criadores de gado.
Conhecida nacionalmente pelo seu artesanato em barro. É um dos pólos de cerâmica mais importantes do Estado. Metade da população sobrevive, direta ou indiretamente, da transformação do barro em artesanato e peças utilitárias. As imagens de santos se destacam. Alguns artesãos acabaram adotando o nome da cidade como sobrenome artístico. Os primeiros artesãos foram os índios Tupi, que modelavam cachimbos de barro.
A Lei Estadual n° 4951 cria o município de Tracunhaém, desmembrando-o de Nazaré da Mata.

b) MONUMENTOS HISTÓRICOS DO MUNICÍPIO:

MONUMENTO:
DESCRIÇÃO
Praça Central de Tracunhaem.
Capela do Engenho Penedo Velho, em Tracunhaém (PE). 1986



4. CONCLUSÃO

Dentro do que foi exposto, podemos observar que a Zona da Mata Norte pernambucana, através de seus municípios, tem presença marcante na história do nosso Estado, figurando como elemento importante no desenvolvimento de importantes Revoluções locais, bem como no processo de construção do nosso presente.
Acreditamos que o presente estudo, se não reproduz integralmente a relevante história da Região, ao menos aguçou nosso desejo por conhecer melhor as tradições, culturas, e relevâncias históricas dos municípios pernambucanos, pois cremos que a exemplo das cidades aqui enfocadas, temos muito por conhecer de nossa história local.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FERREIRA, Maria Regina Davina Pinto. Coronelismo e Poder Local: O Caso do Município de Aliança – PE (1928-1945). Edição Sociedade Pernambucana de Cultura e Ensino – SOPECE. Recife, 2002.
Nazaré da Mata. Série Monografias Municipais. Governo de Pernambuco – Secretaria de Planejamento. Fundação de Informações para o Desenvolvimento de Pernambuco/ FIDEPE. Recife, 1983.
Goiana: Série Monografias municipais, Recife 1981.
MACHADO, Teobaldo. As insurreições liberais em Goiana, 1817-1824, Recife, FUNDARPE, 1990.
Promotores Públicos: o cotidiano da defesa da legalidade ; transcrição de documentos manuscritos (1832 – 1843) / Coordenação de Mônica Maria de Pádua Nepomuceno, Marcília Gama da Silva, Sindrônia Kátia Pereira ; prefácio do Promotor de Justiça Francisco Sales de Albuquerque; introdução de Vera Lúcia Costa Acioli .—Recife : Procuradoria Geral da Justiça ; Arquivo Público Estadual , 1999.
ARAÚJO, Severino Soares. Paudalho terra dos engenhos, Paudalho, 1990.
Sites:
Pernambuco A/Z - www.pe-az.com.br;

3 comentários:

Cris Caldeira disse...

Estou pesquisando sobre Vicência, PE. Mais especificamente sobre os índios que lá viviam, já que uma bisavó paterna foi "laçada" ali aos 8 anos. Até agora este pequeno texto foi o que encontrei de mais útil.

Nalvinha disse...

Maravilhoso trabalho professor, me ajudou em minhas pesquisas.
Obrigado.

DiAfonso disse...

PRof. Biu Vicente! Que bom encontrá-lo! Fui seu aluno na FAFIRE.

Grande abraço!

Estarei linkado ao seu blog desde já!