quinta-feira, 19 de junho de 2008

Mitos e lendas de Pernambuco

Universidade Federal de Pernambuco – UFPE
Centro de Artes e Comunicação – CAC
Curso: Turismo
Disciplina: História da Cultura
Prof.Severino Vicente da Silva





MITOS E LENDAS DE PERNAMBUCO








Equipe: Thomás Galvão
Jeckson Andrade
Andreza Campos
Rhaissa Cezar
Caroline Carvalho






Recife, 11 de junho de 2008.
Sumário


Introdução......................................................................................................................... 1
Lendas e Mitos de Pernambuco....................................................................................... 2
A Lenda........................................................................................................................... 2
O Mito......................................................................................................................... 3
Lendas e Mitos de Pernambuco (por região)................................................................... 4
Zona da Mata................................................................................................................... 4
Litoral.............................................................................................................................. 5
Sertão.............................................................................................................................. 6
Região Metropolitana........................................................................................................ 7
Todo o Estado.................................................................................................................. 8
Estudiosos sobre Mitos e Lendas.................................................................................. 10
Luís Câmara Cascudo..................................................................................................... 10
Gilberto Freyre................................................................................................................ 11
Lendas do Recife: um novo modo de explorar o Turismo............................................. 13
Considerações Finais...................................................................................................... 14
Bibliografia...................................................................................................................... 15











Introdução

“As formas mais interessantes da literatura oral são os contos, os mitos e as lendas. Eles exprimem a concepção do mundo compartilhada pelos membros de uma coletividade e servem para reforçar a solidariedade social e a coesão moral do grupo. Dizem que a imaginação do povo, com suas maneiras peculiares de expressão, é que espalha na terra os encantos, as ilusões e as virtudes.” (MEGALE, Nilza Botelho, 2001)

As lendas e mitos são manifestações da cultura de um povo e tem sua natureza na oralidade, já que é esse o principal meio de transmissão dos mesmos. Não há um consenso na definição dessas duas manifestações, o que amplia ainda mais a compreensão de seus significados, mas sabemos que estão inseridos num contexto sócio-cultural, e que podem estar associados a um local e a um determinado espaço de tempo. É válido ressaltar que o que é considerado mito em uma cultura, pode ser lenda, ou conto, ou caso em outras culturas. Porém no mito e na lenda há uma carga emocional muito forte do fator crença, algo que é fundamental para o processo de sobrevivência de ambos e é também uma das características que os destaca das demais formas narrativas.
São muito associados ao conceito de folclore e são, geralmente, alvos de análise da Sociologia, História e Filosofia, porém de uns anos pra cá, já tem aparecido em outros âmbitos científicos, como por exemplo, no universo da lingüística. Isso demonstra que a temática oferece um campo fértil para estudos e pesquisas.
Antigamente os mitos e as lendas não eram abordagens muito utilizadas, principalmente em sala de aula, ao contrário do que acontece hoje, onde é possível se ver um trabalho mais efetivo em cima dessa questão. Inclusive há projetos que utilizam esses aspectos culturais como forma de trabalhar outros assuntos, tais quais sustentabilidade, e educação ambiental.




Lendas e Mitos

A cultura popular tem como essência o imaginário, que configura uma riqueza imprescindível. É nesse campo fértil que o imaginário popular atua, revelando sentimentos que desabrocham em lendas, mitos, contos, crendices, superstições e em outras belezas que retratam a nossa cultura.

A Lenda
Há de se considerar, que as lendas são narrativas que enfeitam e caracterizam um lugar, acompanhadas de mistérios, assombrações e medo. Não se sabe ao certo como nasceram e criaram as lendas. Elas acompanham fatos e acontecimentos comuns, ilustrada por cenários exóticos e de curta extensão. Muitas vezes são fatos verídicos acrescentados de novos dados ou até mesmo recriados. Podendo ser muito confundida com os mitos. Para Paulo de Carvalho Neto: “Lenda – É uma narrativa imaginária que possui raízes na realidade objetiva. É sempre localizável, isto é, ligada ao lugar geográfico determinado.”
Afonso Arinos entende lenda como: “Lenda vem de ‘ler’, como ‘legenda’ vem do latim ‘legere’; é o que deve ser lido. Era de costume nos conventos e mosteiros, desde os primeiros tempos da era cristã, fazer cada dia, à hora das refeições em comum nos vastos refeitórios, a leitura da vida do santo que dava o nome ao dia. Daí a denominação ‘lenda’; o trecho a ser lido. A lenda era a biografia dos santos e bem aventurados. Como fossem diárias as leituras e pudessem faltar as biografias, foram sendo compostas ou acrescentadas com as ações que a fé ardente dos autores atribuía a seus heróis. Não podia haver lenda sem sinceridade e simpleza no coração. Em todos os casos, ainda quando reconhecida depois como fabulosa, a lenda foi sempre na sua origem a expressão naquilo que ele julga sinceramente a verdade.
Para Câmara Cascudo:
“As lendas são episódio heróico ou sentimental com elemento
maravilhoso ou sobre-humano, transmitido e conservado na tradição oral e
popular, localizável no espaço e no tempo. De origem letrada, lenda,
legenda, “legere” possui características de fixação geográfica e pequena
deformação e conserva-se as quatros características do conto popular:
antigüidade, persistência, anonimato e oralidade. É muito confundido com
o mito, dele se distância pela função e confronto.” (p.348) (1976)


O Mito
O Mito é uma narrativa tradicional, com caráter explicativo e/ou simbólico. Procura explicar os principais acontecimentos da vida, os fenômenos naturais, as origens do mundo e do homem por meio de deuses, semi-deuses e heróis (criaturas sobrenaturais). Pode-se dizer que o mito é uma primeira tentativa de explicar a realidade. Ele tem natureza filosófica própria, pois procura através de argumentos, saber e explicar sua realidade, mesmo que, para nós, não sejam tão claras de serem compreendidas.
Comumente, associa-se erroneamente, o conceito de mito a mentira, ilusão, ídolo e lenda. O mito não é uma mentira, pois é verdadeiro para quem a vive. A narração de determinada história mítica é a primeira atribuição de sentido ao mundo, sobre o qual a afetividade e a imaginação exercem grande papel. Não podemos afirmar também que o mito é uma ilusão, pois sua história segue uma linha de raciocínio mesmo que não tenha uma lógica. Fatos históricos podem transformar-se em mitos se adquirirem uma determinada carga simbólica para uma dada cultura.
Devemos diferenciar mito e ídolo, pois mesmo existindo uma relação entre eles, o mito é muito “maior” que o ídolo (objeto de paixão, veneração). Como exemplo, temos a história do Super-Homem. Ele representa um ídolo, pois é venerado. Porém sua história é mítica, devido ao fato de representar todos os momentos de fracassos do ser humano na pele de Clark Kent, e por outro lado, como Super-Homem assume a capacidade de ter sucesso pleno em todas as áreas. Assim, o Super-Homem é um ídolo, porém sua história é mítica, sendo a única forma de representar a incapacidade do pleno sucesso humano, sem frustrações; pois o único que conseguiria tal feito seria um super herói, e já que esse não existe, os seres humanos ficam mais conformados com suas limitações e “criam” o mito do Super-Homem para poderem “falsamente” confortar-se com sua realidade.
Segundo Luís da Câmara Cascudo “O mito pode ser um sistema de lendas, gravitando ao redor de um tema central com área geográfica mais ampla e sem exigências de fixação no tempo e no espaço...”. (1976)
A nossa forma de compreensão do mundo dessacraliza o pensamento e a ação mítica (isto é, retira dele o caráter de sobrenaturalidade), fazendo surgir a filosofia, a ciência e a religião. Como mito e razão habitam o mesmo mundo, o pensamento reflexivo pode rejeitar alguns mitos, principalmente os que vinculam valores destrutivos ou que levam à desumanização da sociedade.
Agora que já temos um conhecimento prévio sobre as definições e contextualizações de mitos e lendas, partiremos para a abordagem de alguns exemplos que são muito comuns no estado de Pernambuco. É válido ressaltar que os mesmos foram classificados por local de predominância, mas que podem ser encontrados em outros cantos do estado, inclusive do país. Vale salientar também que por serem transmitidos oralmente, possuem um caráter de flexibilidade muito grande, o que faz com que surjam variações de uma mesma história. Fizemos aqui então, um apanhado das principais informações que foram coletadas sobre alguns mitos e lendas.

Lendas e Mitos de Pernambuco

Zona da Mata

A Cumade Fulozinha
Um dos nomes do Caipora-fêmea na cultura lendária de Pernambuco. É conhecida na Paraíba como flor-do-mato. Tem a missão de proteger as matas e os animais que nelas vivem. Como protetora tem o controle de toda a mata. Em dias de caça só favorece aos caçadores, quando por sua vez se vê beneficiada em alguma coisa. Não o sendo, fica irada, e se vinga escondendo a caça, afugentando-a para longe, fazendo com que o homem se canse e nada consiga.
Detesta crianças malcriadas, e carrega consigo um chicote feito de talos de urtiga para dar uma “lição” nos garotos desobedientes, principalmente os que maltratam a natureza. Sua chegada é anunciada com um assovio que funciona da seguinte maneira: quando se escuta de perto, ela está longe, e quando o assovio é escutado ao longe, ela está perto.
Para fazê-la mansa é necessário levar consigo uma lembrança, que se bota num pé de pau e ela vai buscar. De preferência fumo e cachaça. Essa caipora se apresenta como se fora uma menina de doze anos, com os cabelos longos e estirados e de aparência simpática. É sempre vista pelos caçadores que em geral lhe votam grande admiração e respeito, pois sabem que para ter uma boa caça precisam de sua ajuda. As exceções constituem aqueles que se utilizam de pimenta. É coisa que aborrece a Cumade Fulozinha. Mas ela sabe vingar-se.

O Papa-Figo
Mito muito comum em todo meio rural. Acredita-se que a intenção do conto era para alertar as crianças para o contato com estranhos, como no conto de Chapeuzinho Vermelho.
O Papa Figo é um homem muito feio de orelhas enormes que mata crianças para comer seu fígado. Outras vezes, pode parecer como um velho esquisito que carrega um grande saco às costas. Na verdade, ele mesmo pouco aparece. Prefere mandar seus ajudantes em busca de suas vítimas. Os ajudantes por sua vez, usam de todos os artifícios para atrair as vítimas, todas crianças claro, tais como: distribuir presentes, doces, dinheiro, brinquedos ou comida. Eles agem em qualquer lugar público ou em portas de escolas, parques, ou mesmo locais desertos.
Depois de atrair as vítimas, estas são levadas para o verdadeiro Papa-Figo, um sujeito estranho, que sofre de uma doença rara e sem cura. Um sintoma dessa doença seria o crescimento anormal de suas orelhas.
Diz a lenda, que para aliviar os sintomas dessa terrível doença ou maldição, o Papa-Figo, precisa se alimentar do Fígado de uma criança. Feito a extração do fígado, eles costumam deixar junto com a vítima, uma grande quantia em dinheiro, que é para o enterro e também para compensar a família.

Litoral

A Alamoa

Duende feminino que aparece principalmente na ilha Fernando de Noronha. É uma mulher branca, loura, nua, tentando os pescadores ou caminhantes retardados. Transforma-se num esqueleto, endoidecendo o enamorado que a seguiu. Aparece também como uma luz ofuscante, policolor, perseguindo quem foge dela. Sua residência é o Pico, elevação rochosa, de mil pés de altura, absolutamente inacessível.
“As sextas-feiras a pedra do Pico se fende e na chamada porta do Pico aparece uma luz. A Alamoa vaga pelas redondezas. A luz atrai sempre as mariposas e os viandantes. Quando um destes se aproxima da porta do Pico, vê uma mulher loura, nua como Eva antes do pecado. Os habitantes de Fernando chamam-na alamoa, corruptela de alemã, porque para eles mulher loura só pode ser alemã... A vítima entra na porta do Pico, crente de ter entrado para fruir as delícias daquele corpo fascinante. Ele, entretanto, é mais infeliz que o cavaleiro Tannhauser. A ninfa dos montes transforma-se numa caveira baudelairiana. Os seus lindos olhos que tinham o lume das estrelas, são dois buracos horripilantes. E a pedra logo se fecha atrás do louco apaixonado. Ele desaparece para sempre.
(Olavo Dantas, Sob o Céu dos Trópicos, 28, Rio de Janeiro, 1938).

João Galafuz

Nome com que a superstição popular designa uma espécie de assombração, que diz aparecer em certas noites, emergindo das ondas ou surgindo dos cabeços de pedras submersas, como um facho luminoso e multicor, prenúncio de tempestade e naufrágios; crença essa dominante entre os pescadores e homens do mar do norte do Estado de Pernambuco, e principalmente de Itamaracá, dizendo-se que esse fantasma marinho é a alma penada de um caboclo, que morreu pagão, acaso conhecido por João Galafuz. A superstição tem curso também em outros Estados, como Sergipe, porém lá recebe o c nome de Jean de la Foice.

Sertão

O Gritador
Acredita-se que seja um fantasma que ronda o sertão do estado sendo mais comum no vale do São Francisco. O Gritador é também conhecido como “Zé-Capiongo”, e vive gritando dentro da noite. Contam que ele é a alma de um vaqueiro que, desrespeitando a Sexta-Feira da Paixão, saiu a campear e nunca mais voltou. Sumiu misteriosamente com o cavalo, o cachorro e a rês que campeava. Virou assombração. Hoje vive gritando no mato, aboiando uma boiada invisível como ele.
Embora os seus gritos sejam mais ouvidos durante a noite, o Gritador não tem hora para gritar. Dizem que até ao meio-dia ele clama no meio do mato, assombrando os vivos, assustando os bichos. Nas noites de sexta-feira, além do seu aboio triste, são ouvidos o rumor dos cascos do seu cavalo e o ladrar do seu cachorro.

Região Metropolitana do Recife

O Caralho-de-asas

Outra parte do corpo humano transformada em mito é o órgão genital masculino. Em uma versão de narrativa masculina, o “caralho-de-asas” é o responsável pela gravidez de paternidade não-identificada. Em uma narrativa em grupo feminino, a referência ao caralho-de-asas se dá como advertência às moças, para que não tomem banho de rio e de açude, bem como não durmam “desprevenidas”, isto é, sem roupas íntimas. O caralho-de-asas, que parece ser a permanência do mito grego de Leda e o Cisne. Júpiter metamorfoseado em cisne, manteve relações sexuais com a ninfa Leda, a qual veio a conceber os gêmeos Castor e Pólux – tem uma iconografia que foi documentada fotograficamente no Rio de Janeiro e na cidade do Recife. Há também a sua presença como personagem de história em quadrinhos de revistas de palavras cruzadas e enigmas destinados a público masculino, denominado de “passaralho”.

A perna-cabeluda

Os jornais e as emissoras de rádio do Recife divulgaram em varias matérias a aparição de uma perna humana destacada do corpo, cabeluda, que chutava pessoas em diversos subúrbios da região metropolitana. Tal entidade foi objeto de dois folhetos de poetas populares, o que atesta a sua incorporação à cultura folk. A criação desse mito tem sido atribuída ao radialista conhecido como Jota Ferreira. O mito foi objeto, também, da produção de um vídeo, cujo lançamento ocorreu no bar-boate sugestivamente denominado “Boato”.

Todo o estado
A Cabra Cabriola

A Cabra Cabriola, era uma espécie de Cabra, meio bicho, meio monstro. Sua lenda em Pernambuco, é do fim do século XIX e início do século XX. Era um Bicho que deixava qualquer menino arrepiado só de ouvir falar. Soltava fogo e fumaça pelos olhos, nariz e boca. Atacava quem andasse pelas ruas desertas às sextas a noite. Mas, o pior era que a Cabriola entrava nas casas, pelo telhado ou porta, à procura de meninos malcriados e travessos, e cantava mais ou menos assim, quando se aproximava:
Eu sou a Cabra Cabriola Que como meninos aos pares Também comerei a vós Uns carochinhos de nada...
As crianças não podiam sair de perto das mães, ao escutarem qualquer ruído estranho perto da casa. Podia ser qualquer outro bicho, ou então a Cabriola, assim era bom não arriscar. Astuta como uma Raposa e fétida como um bode, assim era ela. Em casa de menino obediente, bom para a mãe, que não mijasse na cama e não fosse traquino, a Cabra Cabriola, não passava nem perto.
Quando no silêncio da noite, alguma criança chorava, diziam que a Cabriola estava devorando algum malcriado. O melhor nessa hora era rezar o Pai Nosso e fazer o Sinal da Cruz.
É também conhecida como bicho-papão, cabriola ou papão de meninos. No Brasil, deriva-se de um mito afro-brasileiro, onde acreditava-se tratar-se de um duende maligno que tomava a forma de uma cabra. Costumava atacar as mães quando estavam amamentando, bebiam seu leite direto nos seus seios, e depois devoravam as crianças. Além de Pernambuco, existem versões deste mito nos estados do Ceará e Pará.

A Bruxa

Também conhecida como Feiticeira, Súcubo e Velha Bruxa esse mito tem origem européia, de muitos anos atrás, e os elementos que nos chegam vieram de Portugal. A Bruxa para as crianças é a figura clássica da mulher velha, alta e magra, corcunda, queixo fino, nariz pontudo, olhos pequenos e misteriosos, cheia de sinais nos cabelos, e manchas na pele.
O principal trabalho das Bruxas é carregar meninos que teimam em não dormir cedo, ou em alguns casos, mantendo os vestígios do mito de origem Européia, sugar seu sangue sem que ninguém a veja, já que é capaz de se tornar invisível. No Norte do país, ela é conhecida como Feiticeira.
Para evitar que a Bruxa entre numa casa, deve-se riscar nas portas os símbolos cabalísticos; o sinal de Salomão, que é uma estrela de seis pontas, feita com dois triângulos; a estrela de cinco pontas, que é o sagrado pentágono; ou as palhas secas do Domingo de Ramos postas em forma de cruz, ou fios da fibra de Caroá, planta usada para fazer barbantes, linhas de pesca e tecidos. A Bruxa então é obrigada a parar, e só entra na casa depois de contar fio por fio daquele feixe de fibras de Caroá, ou Gravatá. A tradição é a mesma na Europa. Em Portugal é um molho de fios. Na Itália mata-se um cachorro e a Bruxa é obrigada a contar os cabelos do animal.
Com uma foice molhada na água benta ou outra lâmina, como uma faca, de forma compassada, de meia-noite ao primeiro cantar do galo, deve-se ferir o ar em volta do berço onde dorme a criança que está sendo sugada pela Bruxa. Ao fazer isso, um golpe pode acertar a Bruxa e assim ela perde o encanto, isso quebra suas forças, e ela retoma sua forma humana e fraca.
Em outros estados, Minas Gerais, estado do Rio de Janeiro, Goiás, a Bruxa se transforma em borboleta noturna, uma espécie amarelada que aparece quando o sol se põe. Diz-se que a Bruxa é a sétima filha. Sempre aparece em torno do número Sete, que tem um forte apelo místico.
Na Europa, as Bruxas se reúnem nas noites de sexta-feira, sendo presididas pelo Diabo em pessoa. Estas Bruxas voam sentadas em cabos de vassouras. De acordo com a tradição Brasileira, ela algumas vezes se apresenta como uma velha carregando uma pequena trouxa de roupa, e quando vê uma criança, logo lança sobre ela mau olhado.
Quando uma Mulher já teve seis filhas, partos seqüenciais, antes de nascer uma sétima, para livrar-se da maldição de virar Bruxa, deve a mãe colocar nela nome masculino. Caso não faça isso, e se nasce menina, ao completar sete anos se transforma em borboleta, entra pelas fechaduras das portas para chupar o umbigo das crianças recém nascidas. E assim, logo a criança adoece de um mal chamado de "Mal de sete dias", que é muito grave, mortal. Para livrar as crianças desse mal, a parteira deve colocar embaixo da cama da mulher que deu à luz, uma tesoura aberta, milenar símbolo de proteção.



Estudiosos sobre Mitos e Lendas

Luís da Câmara Cascudo

Luís da Câmara Cascudo nasceu em Natal, Rio Grande do Norte, em 30 de dezembro de 1898. Filho do Coronel Francisco Cascudo, o futuro historiador e folclorista estudou Humanidades no Ateneu Norte-Rio-Grandense, cursando posteriormente Medicina na Bahia e no Rio de Janeiro até o 4° ano, quando desistiu da carreira, ingressando na Faculdade de Direito do Recife, onde se formou em 1928. Essa iniciação científica na Medicina, entretanto, de alguma forma deve ter sido proveitosa e útil ao seu interesse pela etnografia e pelo próprio folclore, onde a intuição, por si só, não é suficiente para o estudo e análise de ambas as disciplinas, ainda que seja naturalmente indispensável.
Embora só se tenha formado em 1928, já aos 30 anos portanto, desde a mocidade Luís da Câmara Cascudo se dedicava ao jornalismo, tendo estreado nas colunas do jornal A Imprensa, aliás propriedade de seu pai, passando daí em diante a escrever em todos os jornais de Natal. Além do jornalismo, também o magistério foi uma constante em sua vida, inclusive pelo fato de que a fortuna paterna se havia perdido e as necessidades materiais se impunham duramente, em contraste com o início risonho e fácil à época da mocidade. Professor de História do Brasil no Ateneu Norte-Rio-Grandense, na Escola Normal e no Instituto de Música, Luís da Câmara Cascudo aposentou-se afinal, em 1966, como professor de Direito Internacional Público da Faculdade de Direito da UFRN. Foi ainda secretário do Tribunal de Justiça e consultor jurídico do Estado atividades todas, no entanto, que jamais prejudicaram ou fizeram arrefecer seu continuado labor de pesquisa e elaboração nos campos de sua indiscutível especialidade: a história, a etnografia e o folclore. Seu primeiro livro publicado data de 1921 - Alma Patrícia – crítica literária, iniciando uma vasta bibliografia que ultrapassa de muito a centena de obras, não se falando na colaboração jornalística, impossível de ser recenseada, e em prefácios, introduções, conferências, anotações, etc. Voluntariamente homem de província, encerrado entre seus livros numa casa também provinciana, Câmara Cascudo, entretanto, não é monge de clausura ou inimigo da geografia. Ao contrário, já fez quatro viagens de estudos à Europa, uma à África e outra ao Uruguai, não se falando no Brasil, que conhece bem, com exceção do norte amazônico.
Com um nome que hoje se projeta muito além das fronteiras culturais do Brasil, sua ascendência no campo dos estudos etnográficos não sofre contestações, e sua obra, como um todo, é profunda lição de apego às raízes tradicionais do Brasil, que ele expõe e analisa em função da história, dos costumes, dos mitos, das lendas, do pensar do povo sobre que se apóia a cultura erudita assimilada de outras fontes criadoras, como via de acesso à civilização material que nos conforma.
Distinguido por inúmeras condecorações nacionais e internacionais, além de várias medalhas culturais, Luís da Câmara Cascudo já mereceu o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, por conjunto de obra, e ainda conquistou o Prêmio Hening Albert Boilesen, por “sua contribuição ao aperfeiçoamento cultural do país”.
Não se sabe ao certo quantas foram as obras escritas por Câmara Cascudo, até o próprio autor desconhecia a exatidão desses números. De acordo com o acervo de Carlos Lyra, “o homem que fotografou Cascudo”, e que provavelmente tem a maior coleção de seus livros, e também segundo o livro de Zilda Mamede, Luís da Câmara Cascudo: cinqüenta anos de vida intelectual; 1918-1968; bibliografia anotada (1970), há cerca de 180 obras, entre traduções, correções, anotações e comentários. Entre elas estão: Alma Patrícia, critica literária (1921); Antologia do Folclore Brasileiro (1944); Geografia dos mitos brasileiros (1976); História da Cidade do Natal (1947); Anubis e outros ensaios (1983); Tradições populares da pecuária nordestina (1956); Flor dos romances trágicos (1982); História dos nossos gestos (1976); Breve História do Palácio da Esperança (1961) e; O mais antigo marco colonial do Brasil (1934).

Gilberto Freyre
Sociólogo, antropólogo e escritor, Gilberto Freyre nasceu no Recife, a 15/03/1900. Autor de dezenas de livros, entre os quais "Casa Grande e Senzala" (1933), seu mais importante trabalho, obra considerada fundamental para o entendimento da formação da sociedade brasileira. Escreveu seu primeiro poema aos 11 anos de idade e, em 1917, concluiu, no Recife, o curso colegial (Colégio Americano Gilbeath de Pernambuco), seguindo, no princípio de 1918, para os USA, onde fez seus estudos universitários: na Universidade de Baylor (bacharelado em Artes Liberais com especialização em Ciências políticas e Sociais) e na Universidade de Colúmbia (mestrado e doutorado em Ciências Políticas, jurídicas e Sociais) onde defendeu, em 1922, a tese "Vida Social no Brasil em Meados do Século XIX". Viaja a países da Europa e retorna ao Brasil em 1923. Considerado pioneiro da Sociologia no Brasil, em 1926 foi um dos idealizadores do I Congresso Brasileiro de Regionalismo do qual resultou a publicação do Manifesto Regionalista - documento contrário à Semana de Arte Moderna de 1922 e que valorizava o regionalismo nordestino em confronto com as manifestações da "cultura européia". Em 1936 e 1959, publica, respectivamente, os livros "Sobrados e Mocambos" e "Ordem e Progresso", obras que, com "Casa Grande e Senzala", formam uma trilogia sobre a história da sociedade patriarcal brasileira.
Foi pioneiro no Brasil ao abordar, em estudos sociológicos, temas como alimentação, moda, sexo etc. e causou polêmica ao defendera tese de que a riqueza cultural brasileira originou-se da mistura de raças (a miscigenação racial) propiciada pelo fato de o colonizador português não ter preconceitos raciais e isso teria facilitado o contacto com o colonizado cordato. Em 1946 foi eleito deputado federal constituinte (UDN-PE), sendo vice-presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara e representante do governo brasileiro na Assembléia geral das Nações Unidas em 1947.
Quando deputado, apresentou o projeto de criação do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais (posteriormente transformado em fundação). De 1926 a 1930, foi secretário particular do então governador de Pernambuco, Estácio Coimbra. Durante a ditadura Vargas foi preso três vezes. Apoiou o governo militar que se instalou no Brasil em 1964 e, posteriormente, defenderia uma reabertura. Foi, também, pintor. Como jornalista, dirigiu o jornal "A Província" (Recife) e o Diario de Pernambuco; escreveu para a revista O Cruzeiro e colaborou com várias revistas estrangeiras, entre as quais The American Scholar (USA), The Listener (Londres), Diogène (Paris), Kontinent (Viena) e outras. Era integrante do Conselho Federal de Cultura desde a sua criação; foi presidente do conselho-diretor da Fundação Joaquim Nabuco (Recife); detentor de vários prêmios literários e doutor Honoris Causa de dezenas de universidades brasileiras e estrangeiras. Da Rainha Elezibeth II recebeu o título de Cavaleiro do Império Britânico. Morreu no Recife, a 18/07/1987, de isquemia cerebral, depois de passar uma semana na UTI do Hospital Português.

Lendas do Recife: um novo modo de explorar o turismo

Fazendo parte do programa Recifense Praticante, o projeto Lendas do Recife realizado pela primeira vez em 13/01/2006, tem como objetivo percorrer trilhas onde, supostamente, teriam ocorrido fenômenos sobrenaturais e que fazem parte do imaginário popular. Para dar um ar mais realista e promover uma maior interação com o público, a prefeitura contrata atores para se caracterizarem como fantasmas e assombrações e contar as lendas aos visitantes. Várias histórias são contadas no projeto que ocorre em datas esporádicas.
Em sintonia com a idéia do projeto Recifense Praticante o projeto Lendas do Recife tem suas atividades inicialmente voltadas para a população da cidade, elevando a auto-estima do recifense e despertando a cidadania dos que nela vivem. A proposta é, sobretudo, trabalhar o turismo como um agente de inclusão geográfica, cultural e social do Recife.
A idéia inicial da trilha "mal assombrada” nasceu de uma proposta apresentada por alunos do 2º período do curso de turismo da Faculdade Metropolitana da Grande Recife, na disciplina de fundamentos do turismo, e foi incorporada no projeto de sensibilização turística de recife coordenada pelo turismólogo Renato Barbosa de Souza e executada pelos estagiários do projeto. Os alunos puderam com a visita, participar de uma trilha urbana noturna observando a operacionalização prática do aprendizado em sala de aula, analisando os pontos positivos e negativos desta trilha que mostra além de lendas assustadoras toda riqueza histórica cultural e arquitetônica do bairro do recife.
Nas edições já realizadas, uma média de 200 pessoas percorre trilhas selecionadas onde supostamente teriam ocorrido fenômenos sobrenaturais e que, até hoje, povoam a crença popular. Episódios como o da “Emparedada” da Rua Nova, mortes no cemitério de escravos na Cruz do Patrão, personagens misteriosos que surgiam no Teatro de Santa Isabel e as assombrações do Rio Capibaribe, são algumas das muitas lendas que já foram abordadas pelo projeto.
Com a chegada do inverno, que dificulta a execução de qualquer evento de rua e por problemas burocráticos de repasse de dinheiro, o projeto se encontra parado, sem previsão de retorno, mas com a certeza de que um grande público espera a sua volta.


Considerações Finais

Com a influência estrangeira, o Brasil, hoje, um país riquíssimo, se tratando de mitos e lendas, abandona um pouco sua história e incorpora aspectos da cultura externa e isso se reflete na abordagem contida nessas narrativas. Por um lado isso enriquece ainda mais o universo mítico e lendário nacional, em contramão o país mostra que ainda está rendido às intervenções internacionais. Não que se deva haver um processo de protecionismo, mas deve se procurar um meio-termo para essa situação, de modo que, não deixe o país tão suscetível ao que vem de fora, nem que se torne uma nação impenetrável, sem possibilidade de comunicação.
Com as reflexões e dados apresentados neste trabalho queremos identificar um pouco da cultura brasileira através do estudo dessas duas formas de expressão cultural e mostrar que ambas nos dão subsídios para entendermos melhor nossa história. Espera-se, assim, que o mesmo possa colaborar com o processo de sensibilização e valorização da cultura nacional, mais especificamente a local, gerando uma conscientização no que diz respeito ao zelo pelo o que é nosso.

Bibliografia

Sites:
http://www.terrabrasileira.net/folclore/regioes/3contos/entesnd.html#topo

http://www.orecifeassombrado.com/Historias008.html

http://ich.unito.com.br/view/2926

http://www.memoriaviva.com.br/cascudo/

http://sitededicas.uol.com.br/folk04.htm

http://sitededicas.uol.com.br/folk15.htm

http://www.recife.pe.gov.br/pr/secturismo/lendas.php

http://www.metropolitana.edu.br/?pagina=lab_npt_vis_len

htpp://www.orecifeassombrado.com

htpp://www.recife.pe.gov.br/pr/secturismo/lendas.php

http://www.recifensepraticante.com.br/acoes/lendas_do_recife/39450%3B56776%3B0106%3B0%3B0.asp

http://pernambucocomamor.blogspot.com/2008/02/o-caralho-de-perna-cabeluda-os-jornais.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Mito#Tipos_de_mitos

http://pt.wikipedia.org/wiki/Lenda

Livros:



CASCUDO, Luís da Câmara. Geografia dos Mitos Brasileiros. 2. ed. Rio de Janeiro: J. Olímpio, 1976.
DANTAS, Olavo. Sob o céu dos trópicos. 28, Rio de Janeiro, 1938
FREYRE, Gilberto. Assombrações do Recife Velho. Rio de Janeiro: Condé, 1955.
MEGALE, Nilza Botelho. Folclore Brasileiro. 4. ed. Vozes, 2001.

2 comentários:

Profª Clea disse...

Excelente texto, professor!

Ana Lais disse...

e as da região agreste?